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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Semana 34 - Do Amor e da rotina e all in between…

love
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‘Queres casar comigo?’ foi uma das perguntas a que já respondi uma vez e não me via a responder novamente que sim. Não é que o namorado não merecesse a resposta, mas estando nós tão bem e já a viver juntos achei que não fazia muito sentido. Mas na vida tudo muda, não é?
E como mudou a minha vida nos últimos 2 anos!? Há 24 meses ainda nem conhecia o meu marido e agora cá estou eu a escrever este texto com a minha filha nos braços, literalmente falando, porque hoje ela tem estado murchinha e tem sido dia de mimo. Estão a ver aqueles filmes em fast forward em que a ação acontece muito rapidamente e os frames vão passando uns atrás dos outros numa cadência acelerada? Pronto, aqui estão os últimos dois anos da minha vida!

Nunca me tinha acontecida tal coisa de me sentir a levitar de felicidade e a sentir a paixão em todos os poros e foi maravilhoso! Continua a ser maravilhoso, e embora agora a paixão esteja mais calma e a desgraçada da rotina leve a melhor na maioria dos dias e das noites, continua tudo a ser intensíssimo, o amor, as zangas, os beijos e não há nada que me acalme mais do que os abraços do meu marido e até durmo melhor de conchinha (e eu odiava dormir com alguém colado a mim!).
Sabem aquela ideia de casar, ir morar juntos, juntar dinheiro e ter filhos? Já tentei uma vez e não resultou… por isso é mito urbano que resulte com toda a gente e aliás, cada pessoa e cada casal tem a sua própria história e a nossa é esta-. Ainda fico com os batimentos acelerados sempre que penso naquele domingo, 24 de novembro de 2013 em que supostamente íamos tomar um café para nos conhecermos (o meu marido é primo do marido da minha irmã e eu vim viver para a Suíça sem conhecer ninguém e deu-se o acaso de vivermos a poucos quilómetros de distância e sempre ia apanhar ar e conhecer pessoas novas, que era o que mais precisava naquela altura da minha vida, em processo de separação). Fomos tomar café e falámos imenso de muitas coisas, das nossas vidas, de acontecimentos felizes e outros menos felizes, de música e eu sei lá.
Só sei que houve uma química que ainda hoje não consigo explicar e quando ele me deixou na vila onde eu morava, já não conseguia pensar em mais nada a não ser em vê-lo outra vez. E vi-o outra vez ainda nesse dia depois do jantar, no dia seguinte e todos os dias dessa semana até ir de ferias para Portugal. De vez em quando ele pergunta-me: ‘tiveste saudades minhas quando estive em Portugal?’ e eu, que tenho sempre resposta para tudo, mudo de assunto ou respondo qualquer coisa meio parva. A verdade é que não sei. Sei que queria que voltássemos a estar juntos. E estamos juntos todos os dias desde então e a viver na mesma casa desde dia 15 de dezembro de 2013. Já mudámos 2 vezes de casa e aí pelo meio decidimos ter filhos.
‘Queres ser mãe de um filho meu?’ eu sabia que a resposta era sim, sem sombra de dúvida, mas achei que era muito precipitado porque estávamos juntos há pouco mais de 6 meses! Depois de muito pensar, achei que afinal não é o tempo de relação que diz se duas pessoas estão preparadas para ser pais!

4 meses depois desta pergunta engravidei e sou uma pessoa muito mais feliz e uma mulher realizada com a chegada da nossa filhota que nasceu no fim de junho. Tem sido muito melhor do que eu estava à espera e felizmente tem corrido tudo bem com a nossa adaptação a ela e ela a nós e com o crescimento da pequena princesa que veio tornar ainda mais cheia a nossa vida e trouxe outro sentido completamente diferente àquilo que pensávamos ser a nossa família.
E como tem sido tudo em modo acelerado, desde o início do ano fomos falando em casamento, mas se estávamos tão bem assim, porque raio é que teríamos de assinar um papel? Só se fosse por causa da pequena, porque aqui na Suíça a união de facto não funciona como em Portugal e dá muito mais trabalho e é chato irmos registar o bebé e tratar dos assuntos relativos a ela sem sermos casados. Ora então a coisa passou-se mais ou menos assim:
Ele: ‘Olha, podias ligar para a conservatória para saber como é isso do casamento?’Eu: ‘Está bem, mas sabes que vamos de férias na semana que vem e tem de ser nessa altura, certo?’Ele: ‘Liga lá e depois logo se vê!’Eu liguei no fim de abril e ficaram de confirmar à minha mãe no dia seguinte se seria possível a celebração do casamento civil na semana a seguir. No dia seguinte falei com a minha irmã, que estava em Portugal, e perguntei-lhe se ela já sabia de alguma coisa. Resposta no whatsapp:
‘Já. A mãe já ligou para lá e o casamento é na próxima 3ª feira às 14.30 na conservatória. Traz um vestido bonito!’ E eu li a confirmação do meu próprio casamento numa mensagem de telemóvel! Foi um momento histórico e histérico! E por mais curioso que possa parecer, já tínhamos marcado uma sessão fotográfica pré-natal para esse dia, da parte da tarde e assim acabámos por ter uma sessão fotográfica gira, só nós os dois, no dia do nosso casamento. Fui uma noiva num um vestido de verão vermelho às bolinhas brancas e o noivo casou de calças de ganga azuis escuras e camisa e o jantar foi uma churrascada com a família e a seguir uma viagem de 2 horas e meio até casa dos meus sogros com umas quantas paragens pelo caminho devido à minha bexiga apertadinha de grávida. Cada vez tenho mais a certeza de que todas essas peripécias tornaram o dia ainda mais especial, exatamente como devia ser!
Não mudou nada sermos marido e mulher, mas parece que houve uma reafirmação do amor que sentimos um pelo outro e tornou o vínculo mais apertado quando nasceu a bebé. Agora somos uma família!
Opá e a escrever este texto e a ouvir esta música do Diogo Piçarra? Maravilhoso <3

terça-feira, 16 de junho de 2015

Semana 33 - A cegonha está mesmo a chegar!

Nunca fui uma maria-rapaz, mas sempre me dei melhor com rapazes do que com raparigas, embora desde que me conheço como gente sempre tenha tido muitos amigos e houvesse sempre muitas conversas sobre o que queríamos ser quando fossemos grandes. Tenho uma vaga ideia de ser a única do meu grupo de amigos até ao 12º que já sabia com toda a convicção a profissão que queria ter e a é a única que realmente poderia ter e que me faz feliz a maior parte dos dias Sorriso, mas nunca pensei muito no meu futuro noutras vertentes, se seria casada ou se teria filhos. Acho que pensava nisso tudo como se fosse tudo muito distante (e do alto dos meus 15 anos, se calhar até era!), mas sempre soube que as coisas aconteceriam quando fizessem sentido e realmente olhando 15 anos para trás, tudo parece encaixar para chegar onde estou hoje. Nunca fui daquelas raparigas que idealiza o homem dos seus sonhos, o dia do casamento ou a primeira gravidez e tenho sido bastante surpreendida nesta viagem de 30 anos e meio que já levo nesta vida.
Esta conversa toda para dizer que quando pensámos em engravidar, foi uma decisão consciente de ambas as partes e não houve palpites nem opiniões de ninguém sobre o que devíamos ou não fazer. Afinal, apesar de os bebés terem avós, tios, padrinhos, primos e demais família, os pais são os maiores responsáveis pelo cuidado e educação dos filhos, principalmente se os pais viverem longe da família (bem, há irmãos nossos por perto, mas os avós estão todos em Portugal). A família não podia ter ficado mais contente e se há coisas que lamento na decisão de ter vindo viver para a Suíça é realmente os nossos pais e os meus avós não puderem assistir mais de perto a esta gravidez e daqui a algumas semanas acompanharem o crescimento do bebé.
Os dias e as noites têm passado devagar, principalmente desde que estou de baixa, mas as semanas têm passado a correr entre o trabalho (apesar de estar de baixa, tenho tido coisas para fazer em casa – quem nos mandou fazer mudanças de casa na reta final da gravidez!? - e ainda tarefas pendentes do trabalho), as consultas médicas e a preparação para a chegada do bebé.
Agora dou por mim a sentir-me cada vez mais cansada (acho que não estou cansada de estar grávida, mas sinto-me cansada de ter os pés inchados e dores nas articulações, das milhentas vezes que tenho de ir à casa de banho e do sono pouco repousante e dos sonhos que tenho quase todas as noites) e ansiosa por conhecer o bebé. Sei que é tudo normal e que daqui a algum tempo vou ter saudades desta fase!
cute baby
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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

semana 29 - E vivam as reviravoltas!

E a história repete-se, mas agora com confirmação oficial :) Eu vou voltar a trabalhar no estrangeiro!
Já é tempo de contar as boas novas que por aqui vão, porque me sinto um bocadinho angustiada e ansiosa com tudo isto e assim ponho por escrito e pode ser que a coisa se acalme.
Pois que em março de 2011 concorri a um posto de professora de Português e fui colocada na Alemanha. Este ano, sem esperar, o concurso para 2013-2014 abriu com algumas vagas para os professores que prestaram provas no ano passado. Quando soube disto e vi o meu nome na lista nem quis acreditar. Fiquei boquiaberta e nem sabia se havia de rir ou de chorar e com uma boa proposta de trabalho numa escola a começar em setembro ainda hesitei por momentos (uns poucos segundos...). Chamei o marido e a minha pergunta foi:  too busy
- 'E agora, o que é que eu faço?'  - 'Então, mas estás à espera de quê para enviar esse email?'

Nem tive grande hipótese de pensar e de ponderar nos prós e nos contras. Já se sabe que isso fica para depois (que chegou agora por estes dias de espera!). Eu que sou pelo ir, pelo fazer, pela ação!


Mail enviado e depois uma semana e meia de espera. Nome na lista com o horário escolhido em primeiro lugar à frente e serei mais uma a procurar uma vida lá fora, embora a trabalhar para o governo português. Fiquei meio histérica e o meu coração deu um salto. Apeteceu-me ligar a toda a gente, mas para além de nós dois mais ninguém sabia de nada disto. Mantivemos segredo para não agoirar, por isso foi uma surpresa para todos, incluindo a família (à exceção da minha mãe).

Houve notícias dadas via facebook e por telefone, mas a maioria foi ao vivo e a cores. Quase ninguém sabia que tinha concorrido, por isso foram apanhados de surpresa e houve incredulidade e algum choque por ir novamente sozinha desta vez por um ano.


Ainda não sei a data da partida, mas sei que será no início do meu mês, já daqui a um par de semanas*. O que sei é que tenho coisas para resolver e listas de items é o que não falta por estes dias em cima da minha secretária: listas de produtos de beleza a comprar para que a bolsa vá composta e não seja precisa alguma coisa de última hora e depois não dê jeito (bem, não vou para o fim do mundo, mas gosto sempre de ir prevenida com as coisas que uso); o mesmo se passa com o material escolar. Já tinha comentado aqui que teria de renovar e agora que vou ser professora lá fora apetece-me levar a mala do trabalho já pronta a ter as primeiras aulas.  A propósito de me and youlistas, há uma lista que não chegou ao papel, mas está a ser bem cumprida (e comprida também…) que é a lista das arrumações e dos afazeres cá em casa. Já tinha pensado em fazer umas limpezas enquanto estou de férias, mas agora com esta mudança toda, as limpezas e arrumações são mesmo necessárias. Há coisas para pôr na mala e levar, outras que já tiveram o seu tempo e vão juntar-se aos sacos no sótão, que estão só à espera que os leve para o contentor da Humana. Ando a destralhar e a arrumar direitinho e sinto-me mais leve, porque vai sendo uma coisa de cada vez, como eu tanto gosto.

Ando cheia de vontade de ir buscar a mala e começar a pôr a roupa e os meus objetos essenciais lá dentro para ter tudo pronto no fim do mês, mas enquanto a mala estiver por arrumar vou continuar naquela zona cinzenta em que tudo isto parece um sonho e eu estou prestes a acordar. Quando começar a empacotar as coisas já não há mesmo volta a dar!
E eu gosto tanto deste nervosismo que antecede a partida, mas sabe-me sempre a tempo pouco gozado. Só penso como vai ser? E o sítio será que é bonito? Vejo fotos e acalmo um pouco da ansiedade, mas é sempre diferente quando estou prestes a embarcar com coração na boca para mais uma aventura.
Como sempre na nossa vida, Eu vou, tu ficas, mas venha o que vier e seremos sempre nós!

*Entretanto já sei que vou já domingo, já daqui a 3 dias! Escrevi este texto em meados de agosto, mas nunca pensei que pelo meio destas semanas todas tivesse tanto tempo para pensar!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Semana 22 - Setembro ou estação da calma

left behind
blurry days

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Chega setembro, bem devagar, depois de um agosto terrível. Eu sei que não costumo gostar dos agostos e cada vez mais sinto isso bem cá dentro do peito. Este ano não foi exceção. Felizmente setembro chegou e este ano apareceu ao fim de semana, que é sempre coisa para alegrar uma pessoa.

Sei e sinto que não sou de me queixar. Gosto de andar para a frente enfrentando o que futuro me vai trazendo, mas nos últimos tempos não tem sido fácil e por isso estou tão contente por ter chegado o meu mês. Acordo com mais vontade, com mais ganas de fazer coisas. A letargia vai ficando para trás quando se começam a desenrolar propostas de trabalho e planos para os próximos tempos. É disto que eu gosto em setembro.

Aqui no bairro já se nota algum rebuliço por causa do início das aulas, veem-se mais pessoas na rua, ouve-se mais barulho, arrumam-se as salas e embeleza-se a escola para os novos alunos que aí vêm. Todos os anos há alunos novos que vão construindo o seu futuro entre as paredes de uma escola.
Todos os anos é a mesma adrenalina que me sobe no peito. Durante 18 anos enquanto aluna, adorava o mês de setembro. Voltar à rotina depois de tantos dias de brincadeira, de descanso e de alguma ajuda aos meus pais (pois, porque menina mimada é epíteto que não me assenta!) e voltar a ver os amigos e os professores. Tive a sorte de ter estudado numa boa escola _ pública, como acho que deve ser! –, por isso sinto que esta nostalgia do início do ano vem daí. Agora como professora, como diz a Duchess, também eu faço o balanço dos primeiros dias e das minhas memórias. Já não consigo destrinçar muito bem o meu eu enquanto aluna e a parte da professora, porque tenho aprendido tanto agora deste lado.

E quando chega setembro, a minha vida muda para melhor. Muito melhor. Agosto parece-me uma infinidade de dias sem qualquer história, dias que foi preciso ultrapassar para chegar ao meu mês preferido. Gosto de fazer com que a minha vida valha a pena e todo esse entusiasmo chega em setembro. E não é esta coisa que me foi diagnosticada que me vai mudar os planos.

Sei que para muitos, setembro é só mais um mês que aproxima o fim do ano e o Natal, mas para mim sempre foi especial e sinto que eclipsa todas as coisas menos boas que têm acontecido. No dia 13 de julho, fiz pela primeira vez uma coisa nova – consulta com o neurologista – que me diagnosticou uma depressão reativa, porque estou a reagir a todos os problemas que tenho tido: o fracasso da empresa, a instabilidade profissional (o meu trabalho faz-me feliz, mas é instável. Ainda assim, acho que são melhores os momentos bons do que os menos bons!) e principalmente o acidente. Como é que se ultrapassa uma situação grave, em que não tivemos culpa, mas que causou a morte a uma pessoa? Eu não tenho resposta para isso, embora perceba que em muitos dias foi o trabalho que me permitiu andar de cabeça para cima sem parar para pensar nisso. E o verão e o pouco trabalho trouxeram tudo isso de volta… Por isso vieram os calmantes, os anti-depressivos, que por bons que sejam a longo prazo (que são!) também trouxeram muita letargia, muita necessidade de dormir, muito efeito-zombie, muita apatia nos primeiros tempos.
Agora que finalmente já me sinto eu, começa o meu mês. E eu gosto tanto destes recomeços! Ainda não dei a despedida da praia, mas já não deve faltar muito, já que sinto setembro como mês de criar novos hábitos, novas rotinas, voltar ao ativo a fazer o que gosto tanto. É um mês de calma porque se me acalmam os nervos e a ansiedade de voltar ao trabalho, que está em fase de organização e de estruturação de horários, de conhecer novos alunos e afins. 

Quando chegar a fase da adrenalina com as milhentas coisas para fazer e os muitos sítios para ir, serei mais feliz. Todos os anos é assim! E espero que os setembros continuem a ser especiais!

domingo, 27 de maio de 2012

Semana 21 - Do(s) valor(es) de cada um

to have values
plans for wild life

Os meus pais fizeram 28 anos de casados a meados do mês passado e houve jantar lá em casa. A minha família não é nada dada a grandes convenções sociais e todos preferimos um jantar em família em casa do que no restaurante. Isto significa que estamos mais à vontade, temos direito à lareira acesa e a dois dedos de conversa enquanto dá o Benfica na televisão como barulho de fundo e os meus pais podem jantar com roupa de andar por casa, em vez de terem de se pôr chiques para irmos jantar fora.

Não sei se isto os torna uns ‘bichos’ estranhos por gostarem mais de estar em casa do que de sair, mas é assim que são, por isso há que valorizar o que nos une. Sim, porque eu me sinto cada vez mais assim, também. Sei que muitas vezes gostaria que os meus pais fosses pessoas diferentes, com mais vontade de sair, de conhecer sítios e pessoas, mas depois penso em mim e no que sou e no que eles me ensinaram e agradeço todos os valores que me transmitiram, mesmo que para isso tenham tido uma vida dura e não tenham feito uma vida de passeio, como outras pessoas que conheço.

Escrevi aqui que ando a sentir-me demasiado focada no meu ‘umbigo’ e na minha própria vida para conseguir dedicar o meu tempo a outras coisas igualmente importantes, mas se pensar bem, vejo que afinal não é tanto assim. Continuo a dedicar-me aos Escoteiros*, continuo a ajudar os meus pais – sempre que posso -, ainda penso nos outros e muitas vezes em primeiro lugar – gosto muito de ir passear a pé com a minha sogra, mesmo que às vezes tenha de fazer alguma ginástica em termos de tempo para o conseguir fazer - e continuo a pôr o bem-estar da minha família em primeiro lugar. Olho para os meus pais e vejo que foi isso mesmo que sempre fizeram e é isso que nos torna uma família tão unida. Claro que houve e vai continuar a haver problemas para resolver, mas sinto que ‘o aprender fazendo’ foi bem desenvolvido lá por casa. Muitas vezes da maneira mais difícil, mas é isso que nos faz crescer.

Não estamos sempre juntos e muitas vezes estamos juntos por pouco tempo ou menos vezes do que eu gostaria, mas sei que os valores que os meus pais me transmitiram estão sempre comigo, logo o papel deles na minha vida é perpetuado. Uma das palavras que me surge na cabeça sempre que peno nisto é resiliência. Enfrentar os problemas e voltar a erguer-se de todas as vezes que se cai. É simples de atingir, mas muito duro de realizar. É preciso não se deixar abater, nem deixar de acreditar. As outras são perseverança, honestidade e desprendimento. Não é preciso muito mais.

Eu acredito que a nossa vida é muito mais o que fazemos dela, e é muito mais do que a sorte. A mim parece-me que as circunstâncias de todos os dias se encarregam de nos mostrar que aquilo que nos tornamos é uma combinação feliz dos valores de que somos feitos e dos momentos que os pomos em prática.

Aquilo que somos também transforma a nossa existência e molda a nossa maneira de ver o mundo. No meu ponto de vista o difícil é equilibrarmos a nossa forma de viver com a das pessoas que estão à nossa volta. Se temos experiências de vida diferentes, objetivos variados, formas de pensar diametralmente opostas, há que ser compreensivo o suficiente para não se andar sempre à cabeçada. Sei que a maturidade passa por aí. Por compreender isso e desenvolver a capacidade de encaixe para lidar com as outras pessoas e todas as suas caraterísticas à nossa maneira.

Acho que a maturidade também passa por conseguir que as nossas experiências não nos toldem o raciocínio, nem nos transformem em pessoas com uma visão pequenina do mundo. É isso que acontece quando só o nosso ‘umbigo’ importa. E a Vida tem tanto mais para oferecer…

*Há dias em que me apetece tudo menos preocupar-me com pessoas que não merecem, porque são mesquinhas e tacanhas e têm uma visão das coisas completamente diferente da minha – e o pior é que nem sequer aceitam que podem estar erradas!. Normalmente não embirro com isso, mas no caso, mexe-me com os nervos…

domingo, 8 de janeiro de 2012

Semana 19 – Balanços e recomeços

christmas tree
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      “Cheers to a new year and another chance for us to get it right.” Oprah Winfrey
Para o ano que terminou, eu tinha estabelecido algumas metas a cumprir e em maio deitei contas aos primeiros meses e foram mais que positivos. Dezembro chegou e partiu e eu não tive tempo para pensar no que consegui cumprir. Hoje ao desmontar a árvore de Natal estive a pensar em tudo o que me propus e fiquei muito contente porque o balanço não podia ser melhor.

Houve dois acontecimentos muito importantes no ano de 2011 que vão continuar a marcar a minha vida. Fui novamente viver durante uns meses para a Alemanha e soube que a minha irmã gémea vai ser mãe (está quase, quase e eu estou muito entusiasmada com a chegada do pequenito!)

Para além disso, no blogue atingi a marca dos 1000 posts e 81 seguidores. Tentei escrever alguma coisa todos os dias. Tarefa muito facilitada por ter mudado de país. Obviamente que com esta mudança consegui passear e viajar mais. Conheci novas pessoas e muitas coisas novas. Também teve aspetos menos bons, porque obviamente que não consegui passar tempo com a minha família porque não estive em Portugal. No regresso tentei recuperar o tempo perdido com toda a gente, incluindo com as minhas amigas, por isso o mês de agosto também foi um marco na minha vida, com todas  as coisas giras e divertidas que fiz e os sítios novos que conheci. Também consegui manter um ótimo volume de leitura e acrescentei bastantes livros à minha biblioteca de livros lidos, o que se encaixa perfeitamente na minha vontade de continuar a desenvolver o meu hobbie preferido ao longo do tempo.

Em termos profissionais, vou-me sentido muito satisfeita com o rumo que tenho traçado, principalmente porque as melhores coisas não têm sido planeadas, no entanto a tão desejada estabilidade está difícil de aparecer. Tenho trabalhado muito a organização nas várias vertentes da minha vida e sinto-me feliz com tudo o que já consegui melhorar. Sei que muitas vezes pareço um bocadinho ‘estranha’ aos olhos das outras pessoas com tanta organização, mas se consigo gerir a minha vida assim e me sinto produtiva, acho que já encontrei a fórmula certa. A organização também já chegou às limpezas cá de casa e sinto que temos conseguido manter tudo mais arrumado e mais limpo e nem tem sido preciso muito esforço. Só uma melhor gestão. Esta palavra parece-me estar na moda!

Quanto a saúde, contam-se umas constipaçõezitas e fiquei rouca algumas vezes mas nada de grave. Consegui fazer o check up tantas vezes adiado e confirmei que está tudo ok. Também participei numa colheita de sangue e só tenho pena que não tenha sido mais vezes.

No tópico poupanças não houve alterações, infelizmente, porque a palavra crise que soa a toda a hora na televisão e aparece em letras garrafais nos jornais e nas revistas também tem reflexos cá em casa. Trabalha-se a gestão das despesas e tenta-se cortar em tudo o que é supérfluo, mas não é possível poupar. Haja saúde e trabalho que tudo se compõe, como costumo dizer. Felizmente não falta cá em casa nenhuma dessas, por isso é continuar a batalhar.

Para 2012, que tudo se mantenha como estava no final de 2011 e já será um bom ano! Obviamente que havendo um novo ano a recomeçar há tantos tópicos a melhorar, se possível. É só querer!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Semana 18 - Parece que é Natal…

natal = sentimento
I have always thought of Christmas as a good time; a kind, forgiving, generous, pleasant time; a time when men and women seem to open their hearts freely, and so I say, God bless Christmas!  - Charles Dickens
        Sentada à mesa da cozinha a beber um capucino e uma torrada dou por mim a pensar nisto do Natal e percebi que o que gosto mesmo é dos preparativos e da expetativa, porque no fim de contas entre dia 24 e 25 as 48 horas do Natal passam depressa demais. Mesmo assim, há 4 anos que os meus Natais são passados entre famílias, temos dividido bem a conta das horas e conseguimos estar com toda a gente na noite de Natal e no dia 25. Não é preciso muita ginástica para estarmos com aqueles de quem gostamos e que gostam de nós, já que a distância é irrelevante – são poucos quilómetros, mas mesmo que fossem muitos!

        E é bom ver e saber que estão todos bem de saúde e que somos felizes juntos. Sei bem que as nossas famílias têm particularidades que por vezes são difíceis de compreender ou até de aceitar, mas tentamos lidar com isso da melhor forma possível: na minha família liga-se pouco ou nada a presentes, principalmente embrulhados (debaixo da árvore cá de casa este ano não houve um presentinho para contar a história! Bem, a minha irmã deu-me um colar lindo que não consegui deixar de abrir logo na altura. Ups!), mas na família do marido a coisa é levada muito mais a sério e há sempre presentes para toda a gente, mesmo que seja só um miminho. Eu acho piada ao gesto, mas faz-me um bocadinho de confusão porque desde que sou adulta não há o ritual da troca de prendas. A minha mãe dá-me o que eu preciso quando é preciso e não tem de ser no Natal e normalmente são objetos para a casa – este ano foi uma manta para o sofá. Nós fazemos prendas caseiras: doces, bolachas, azeite e sal aromatizados e mistura para panquecas e decoramos com o nosso melhor sorriso, uma fita bonita e já está. Um pouco de nós.

         Nós damos estes miminhos porque já sabemos que vamos receber alguma coisa, mas no meu caso nunca tenho vontade de receber nada – já disse que gosto mais de dar do que de receber? – e só há um presente que me deixa verdadeiramente feliz. Livros! (Claro que não desprezo os presentes que me dão, porque alguns são bastante úteis, mas são isso mesmo, úteis, não felizes!) Sei que todos os anos em que vivi em casa dos meus pais houve sempre este presente em comum e eu e a minha irmã adorávamos.

        Lembro-me perfeitamente de receber alguns livros da Anita – agora estão guardados no sótão à espera que apareça alguma menina na família que demonstre tanto interesse por eles como nós-, livros do Triângulo Jota, Uma Aventura, os Cinco e outros que tais. Mais crescidas, recebíamos dinheiro e quando já tínhamos juntado uma quantia jeitosa íamos à FNAC e nunca vínhamos de lá com menos de 100€ em livros. ‘Romances’, como diz a minha querida avó. E que saudades tenho desses tempos.

       Este ano não recebi livro nenhum…mas parece-me que em janeiro vou aumentar o meu espólio já que tenho uns quantos na minha lista de desejos! São caros, que são, mas eu acho que os livros são sempre um investimento e nunca é dinheiro perdido, por isso é que iniciativas como a Déjà Lu são de louvar.
        Os jornalistas conceituados da nossa praça não servem só para serem opinion makers nem para escreverem livros. Devem também – tarefa até mais importante, segundo o meu ponto de vista – divulgar e promover as boas iniciativas que ainda vão aparecendo com causas nobres, como se pode ver no caso do jornalista Pedro Rolo Duarte que no seu blog discorre sobre o estado de Portugal aos seus olhos, mas também faz referência a boas práticas que se vão fazendo por aí. Umas delas é o blog de leilões de livros que já referi, que aceita ofertas de particulares ou de autores e que depois vende essas obras por um preço simbólico. Eu achei o contexto e o objetivo tão interessantes (o valor integral das obras é entregue à APPT21 – a transferência é feita diretamente para a conta da associação) que não resisti e comprei dois livros do Pedro Rolo Duarte, autografados pelo próprio e tudo, pela módica quantia de 12! A partir daqui faço muitas questões de continuar a contribuir para esta causa. E se vou poder continuar a reforçar o meu stock de livros, tanto melhor!

         Vou continuar a fazer isso ao longo do ano, porque há sempre livros novos que quero ler, ou antigos que nunca li, mas principalmente porque ser solidário não pode ser só no Natal. Sei que as pessoas têm mais tendência para a solidariedade nesta época, porque se sentem mais generosas, mais felizes e com mais esperança como já dizia o senhor Charles Dickens, mas isso não é desculpa para não o serem também ao longo do ano. A nossa ajuda faz sempre falta, seja Natal, Carnaval, Páscoa, verão ou inverno e não é só para as associações. Muitas vezes os nossos amigos ou a nossa família precisam de nós. De nós, do nosso tempo, da nossa disponibilidade e não de presentes. Ou como cantam os Deolinda:

Diz-me lá porque que
tu te lembras de mim
quando chega o natal
porque é que só nesta
quadra é que tu reparas
se eu estou bem ou mal
diz-me lá onde é que paras
o resto do ano
eu preciso mais de ti
do que te vais lembrando
Diz-me lá porque é que tu
não me envias postais
durante o ano inteiro
Diz-me lá porque razão
é que não me dás prendas
sem ter um pretexto
diz-me lá o que te move
uma vez por ano
eu preciso mais de ti do
que te vais lembrando
diz-me lá que gratidão
é que esperas de mim
apenas por um dia
eu que espero um ano
inteiro e que tanto anseio
a tua companhia
hoje reformulo os votos
e o meu desejo
eu preciso mais de ti
do que te vais lembrando
Um feliz natal
não hoje mas um ano inteiro

Deolinda - Quando chega o Natal

terça-feira, 26 de julho de 2011

Semana 14 – Os dias da família deviam ser todos os dias!

grandparentsi'm missing my grandparents
Estivesse eu ainda por terras alemãs e a segunda frase podia ser o tema do telefonema para os avós para lhes desejar um dia feliz. Ainda para mais hoje, que é Dia dos Avós. Lembro-me tantas, tantas vezes deles seja porque os visito pouco e devia passar lá mais tempo, seja pelas ausências ‘forçadas’ noutro país, seja porque às vezes me passam pela cabeças coisas que se passaram há vários anos.

Eu adoro os meus avós. Acho que são pessoas espetaculares, que já passaram por muito, mas que continuam sempre com um sorriso quando os netos aparecem para dar um olá e um beijinho. Desde que casei admito que o tempo que passo com eles diminuiu drasticamente e vejo a sombra das saudades nos olhos deles quando apareço.

A minha avó materna vive em casa dos pais desde que o meu avô morreu, há coisa de 15 anos, se não me engano, e em todos os anos em que vivi 24/7 com a minha avó criaram-se hábitos ótimos. Sei que a minha avó gostava e eu, então, adorava tomar o pequeno almoço com ela quando tinha tempo. E mesmo depois de casada quando é possível passo por lá para me sentar com ela à mesa a comer uma fatia de pão com queijo e um caneca de leite com Mokambo. É um cheirinho maravilhoso da minha infância - a repetir em breve. Também me lembro perfeitamente quando a minha avó se mudou para lá e ainda não havia um quarto só para ela. Eu e a minha irmã andávamos ao despique para ver quem é que dava a cama à avó para a avó não dormir na sala. Bem, não era assim uma razão muito altruísta, porque quem dormisse na sala podia ouvir música, estando o sofá-cama ao lado da aparelhagem, mas assim a avó também ficava mais confortável e podia conversar com a neta que estivesse lá no quarto.

Quando a minha irmã foi estudar para o Algarve, passei horas com a minha avó a ver as novelas, que ela me explicava desde o princípio com tanto gosto, que eu comecei a conhecer as personagens todas e não me envergonho nada disso. Diz-se que o tempo com a família deve ser de qualidade, certo? Nos intervalos íamos falando das nossas vidas, dos namorados, das amigas, das coisas da vida, da vida da mana lá pelos algarves, ‘então, a tua irmã vem este fim de semana a casa?’.Foi a minha avó a ajudante oficial das mudanças para a casa nova e é a pessoa que lá vai mais vezes. ‘Ó vó, anda lá, o R. vai trabalhar e nós duas podemos ir passear, vês as novelas na mesma e vais arejar! Sim, podes levar o Nino.’ Estes eram os meus argumentos quando a queria convencer a ir lá dormir a casa. Com as gatas a coisa ficou mais difícil, ela vai mas fica a pensar no cãozinho que deixa nos meus pais.
Com os meus avós paternos a coisa já é um bocadinho diferente. Gosto muito deles na mesma, mas há assim uma ‘embirraçãozinha’ mútua entre a minha mãe e a minha avó. Coisas de nora e de sogra (no meu caso não é nada assim…) que eu e a minha irmã fomos percebendo ao longo do tempo e que não veio beneficiar em nada a nossa adoração pela nossa avó. E quando eram os meus primos que faziam asneiras e eu pagava as favas também não era bonito. Hei de ser sempre a culpada de ter partido a televisão dos meus avós sendo que não tenho culpa nenhuma no assunto. Bem, mas também era fresca e ficou em cacos a mesa de vidro que estava no meio da sala e pela qual a minha avó tinha tanta estima. De todas essas vezes lá veio a minha mãe toda enervada e catrapaz, uma estalada para aprenderes…

Com os anos, comecei a perceber melhor os meus avós e aquilo que achava que era embirração não é mais do que uma estranha maneira de gostar. A minha avó é orgulhosa demais para admitir que a minha mãe é a melhor nora que podia ter e por isso andam as duas sempre às cabeçadas. A minha mãe também não dá o braço a torcer, mas derrete-se-lhe o coração quando o meu avô fala com ela e lhe transmite o orgulho que tem nela e na família que ela e o meu pai construíram.

Não somos uma família disfuncional. Damo-nos lindamente (felizmente muito melhor desde que eu e a mana casámos) e contamos uns com os outros para tudo. Segredos não há e quando há problemas todos sabem. Os meus avós têm opinião para tudo e o meu avô ainda faz valer a sua posição de patriarca apesar dos já muito vividos 80 anos. Sou orgulhosa de muita coisa e os meus avós são uma delas. E só espero ser capaz de construir uma família tão bonita como a nossa. 

E por isso faz-me tanta confusão ler isto. Os meus avós têm tido uma vida dura, mas deram tudo pelos filhos, e tenho a certeza que os idosos que são maltratados também. Filhos e netos ingratos que devem pensar que nunca irão ser velhos. Mas toca a todos e infelizmente sempre se disse '
Espera de teus filhos o que a teus pais fizeres'.

imagens: weheartit.com

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Semana 10 – Vamos?


As viagens levam-nos onde o coração deixa. O sítio a que chamamos casa pode ser ao virar da esquina ou do outro lado do mundo. De pouco importa quando aquilo que nos define lá está.
Gosto de sair de casa. Stop. Gosto de ficar em hotéis. Stop. Gosto de ir. Stop. Gosto de viajar. Stop. Mas gosto muito de chegar. Stop. A qualquer lado. Stop.

Se isto fosse um telegrama seria o que eu diria. Resumindo, gosto acima de tudo de ir, daquela sensação boa que é ter um objetivo, um destino marcado e saber logo na casa da partida que vai ser divertido.

Viajar é em primeiro lugar os arrepios no estômago quando a viagem está a ser planeada. Aqueles tempos em que ainda reina a indecisão. Vou ou não vou? Vamos ou não vamos? E quando a decisão é sim, os arrepios passam a entusiasmo. E é o entusiasmo que me move quando começo a pensar naquelas coisas importantes para além do destino que já está decidido. Onde é que ficamos? E quantos dias? O que vou visitar? Será que o tempo vai estar bom?

Com todos os pormenores relativamente bem pensados e já ponderados e discutidos, o tempo começa a ser cada vez mais curto, até que chega o dia. Mala no carro ou às costas, conforme o tipo de viagem e agora vamos lá.

Primeiro a viagem – as últimas têm sido longas e cansativas - e  só depois a chegada. Só o alívio da chegada ao hotel – ou ao hostel, no caso desta – é comparável em grandeza ao desejo de ir. Na última ida, 8 horas de autocarro numa viagem chatinha e demorada, mas que podia ter sido pior. Não enjoei, o que, tendo em conta o histórico, já não foi nada mau.

Na chegada ao destino, mesmo que esteja de rastos, fico felicíssima, porque já sei que vou enriquecer um bocadinho mais a minha bagagem cultural, nem que esta viagem seja já uma 2ª visita. Há sempre sítios novos a visitar ou podemos visitar os mesmos, mas iremos com certeza experienciar novas sensações e sentimentos. E é tão bom matar saudades.

E quando acordo pela primeira vez numa cama diferente da do costume, num sítio novo já tenho pensado: ’Caramba, tenho tanta sorte!’ E sei que tenho sorte por poder estar a fazer uma das minhas atividades preferidas, que é sair da minha concha e misturar-me com as pessoas. Ser mais uma a poder dizer: Estive aqui. Fiz parte da vida deste sítio. Saboreei o que é viver aqui. E agora quero mais…

Não um querer egocêntrico, mas aquela vontade de coração aberto, de querer crescer, viver sempre mais, conhecer mais, pertencer a algum sítio, mesmo que esse sítio esteja em vários lugares. E mesmo que o coração comece a ficar muito repartido, em vez de abrir fendas, vai ficando cada vez maior.

E pertencer a algum sítio é pôr-se os pés fora da cama e desejar que o dia corra bem, mesmo que chova, mesmo que esteja um calor abrasador, mesmo que se ande no metro sem pagar bilhete, mesmo que por pouco não se tenha de dormir fora do quarto, mesmo que doam os pés. As coisas menos boas são sempre as que dão as melhores histórias.

Ser viajante é isso. É poder ir onde se quer, ver e conhecer o que é importante, ou então onde os nossos pés nos levam, tirar as fotos da praxe, ou de outros ângulos diferentes ou absurdos.  É perder-se nas distâncias e andar quilómetros a pé só porque não apetece apanhar o próximo transporte. É apanhar 2 molhas no mesmo dia. Estar lá e viver a vida noutro sítio. Deixar a rotina em casa e voltar a não ter horas com prazos de validade.

É simples. É querer e ir. Stop