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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Semana 34 - Do Amor e da rotina e all in between…

love
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‘Queres casar comigo?’ foi uma das perguntas a que já respondi uma vez e não me via a responder novamente que sim. Não é que o namorado não merecesse a resposta, mas estando nós tão bem e já a viver juntos achei que não fazia muito sentido. Mas na vida tudo muda, não é?
E como mudou a minha vida nos últimos 2 anos!? Há 24 meses ainda nem conhecia o meu marido e agora cá estou eu a escrever este texto com a minha filha nos braços, literalmente falando, porque hoje ela tem estado murchinha e tem sido dia de mimo. Estão a ver aqueles filmes em fast forward em que a ação acontece muito rapidamente e os frames vão passando uns atrás dos outros numa cadência acelerada? Pronto, aqui estão os últimos dois anos da minha vida!

Nunca me tinha acontecida tal coisa de me sentir a levitar de felicidade e a sentir a paixão em todos os poros e foi maravilhoso! Continua a ser maravilhoso, e embora agora a paixão esteja mais calma e a desgraçada da rotina leve a melhor na maioria dos dias e das noites, continua tudo a ser intensíssimo, o amor, as zangas, os beijos e não há nada que me acalme mais do que os abraços do meu marido e até durmo melhor de conchinha (e eu odiava dormir com alguém colado a mim!).
Sabem aquela ideia de casar, ir morar juntos, juntar dinheiro e ter filhos? Já tentei uma vez e não resultou… por isso é mito urbano que resulte com toda a gente e aliás, cada pessoa e cada casal tem a sua própria história e a nossa é esta-. Ainda fico com os batimentos acelerados sempre que penso naquele domingo, 24 de novembro de 2013 em que supostamente íamos tomar um café para nos conhecermos (o meu marido é primo do marido da minha irmã e eu vim viver para a Suíça sem conhecer ninguém e deu-se o acaso de vivermos a poucos quilómetros de distância e sempre ia apanhar ar e conhecer pessoas novas, que era o que mais precisava naquela altura da minha vida, em processo de separação). Fomos tomar café e falámos imenso de muitas coisas, das nossas vidas, de acontecimentos felizes e outros menos felizes, de música e eu sei lá.
Só sei que houve uma química que ainda hoje não consigo explicar e quando ele me deixou na vila onde eu morava, já não conseguia pensar em mais nada a não ser em vê-lo outra vez. E vi-o outra vez ainda nesse dia depois do jantar, no dia seguinte e todos os dias dessa semana até ir de ferias para Portugal. De vez em quando ele pergunta-me: ‘tiveste saudades minhas quando estive em Portugal?’ e eu, que tenho sempre resposta para tudo, mudo de assunto ou respondo qualquer coisa meio parva. A verdade é que não sei. Sei que queria que voltássemos a estar juntos. E estamos juntos todos os dias desde então e a viver na mesma casa desde dia 15 de dezembro de 2013. Já mudámos 2 vezes de casa e aí pelo meio decidimos ter filhos.
‘Queres ser mãe de um filho meu?’ eu sabia que a resposta era sim, sem sombra de dúvida, mas achei que era muito precipitado porque estávamos juntos há pouco mais de 6 meses! Depois de muito pensar, achei que afinal não é o tempo de relação que diz se duas pessoas estão preparadas para ser pais!

4 meses depois desta pergunta engravidei e sou uma pessoa muito mais feliz e uma mulher realizada com a chegada da nossa filhota que nasceu no fim de junho. Tem sido muito melhor do que eu estava à espera e felizmente tem corrido tudo bem com a nossa adaptação a ela e ela a nós e com o crescimento da pequena princesa que veio tornar ainda mais cheia a nossa vida e trouxe outro sentido completamente diferente àquilo que pensávamos ser a nossa família.
E como tem sido tudo em modo acelerado, desde o início do ano fomos falando em casamento, mas se estávamos tão bem assim, porque raio é que teríamos de assinar um papel? Só se fosse por causa da pequena, porque aqui na Suíça a união de facto não funciona como em Portugal e dá muito mais trabalho e é chato irmos registar o bebé e tratar dos assuntos relativos a ela sem sermos casados. Ora então a coisa passou-se mais ou menos assim:
Ele: ‘Olha, podias ligar para a conservatória para saber como é isso do casamento?’Eu: ‘Está bem, mas sabes que vamos de férias na semana que vem e tem de ser nessa altura, certo?’Ele: ‘Liga lá e depois logo se vê!’Eu liguei no fim de abril e ficaram de confirmar à minha mãe no dia seguinte se seria possível a celebração do casamento civil na semana a seguir. No dia seguinte falei com a minha irmã, que estava em Portugal, e perguntei-lhe se ela já sabia de alguma coisa. Resposta no whatsapp:
‘Já. A mãe já ligou para lá e o casamento é na próxima 3ª feira às 14.30 na conservatória. Traz um vestido bonito!’ E eu li a confirmação do meu próprio casamento numa mensagem de telemóvel! Foi um momento histórico e histérico! E por mais curioso que possa parecer, já tínhamos marcado uma sessão fotográfica pré-natal para esse dia, da parte da tarde e assim acabámos por ter uma sessão fotográfica gira, só nós os dois, no dia do nosso casamento. Fui uma noiva num um vestido de verão vermelho às bolinhas brancas e o noivo casou de calças de ganga azuis escuras e camisa e o jantar foi uma churrascada com a família e a seguir uma viagem de 2 horas e meio até casa dos meus sogros com umas quantas paragens pelo caminho devido à minha bexiga apertadinha de grávida. Cada vez tenho mais a certeza de que todas essas peripécias tornaram o dia ainda mais especial, exatamente como devia ser!
Não mudou nada sermos marido e mulher, mas parece que houve uma reafirmação do amor que sentimos um pelo outro e tornou o vínculo mais apertado quando nasceu a bebé. Agora somos uma família!
Opá e a escrever este texto e a ouvir esta música do Diogo Piçarra? Maravilhoso <3

terça-feira, 16 de junho de 2015

Semana 33 - A cegonha está mesmo a chegar!

Nunca fui uma maria-rapaz, mas sempre me dei melhor com rapazes do que com raparigas, embora desde que me conheço como gente sempre tenha tido muitos amigos e houvesse sempre muitas conversas sobre o que queríamos ser quando fossemos grandes. Tenho uma vaga ideia de ser a única do meu grupo de amigos até ao 12º que já sabia com toda a convicção a profissão que queria ter e a é a única que realmente poderia ter e que me faz feliz a maior parte dos dias Sorriso, mas nunca pensei muito no meu futuro noutras vertentes, se seria casada ou se teria filhos. Acho que pensava nisso tudo como se fosse tudo muito distante (e do alto dos meus 15 anos, se calhar até era!), mas sempre soube que as coisas aconteceriam quando fizessem sentido e realmente olhando 15 anos para trás, tudo parece encaixar para chegar onde estou hoje. Nunca fui daquelas raparigas que idealiza o homem dos seus sonhos, o dia do casamento ou a primeira gravidez e tenho sido bastante surpreendida nesta viagem de 30 anos e meio que já levo nesta vida.
Esta conversa toda para dizer que quando pensámos em engravidar, foi uma decisão consciente de ambas as partes e não houve palpites nem opiniões de ninguém sobre o que devíamos ou não fazer. Afinal, apesar de os bebés terem avós, tios, padrinhos, primos e demais família, os pais são os maiores responsáveis pelo cuidado e educação dos filhos, principalmente se os pais viverem longe da família (bem, há irmãos nossos por perto, mas os avós estão todos em Portugal). A família não podia ter ficado mais contente e se há coisas que lamento na decisão de ter vindo viver para a Suíça é realmente os nossos pais e os meus avós não puderem assistir mais de perto a esta gravidez e daqui a algumas semanas acompanharem o crescimento do bebé.
Os dias e as noites têm passado devagar, principalmente desde que estou de baixa, mas as semanas têm passado a correr entre o trabalho (apesar de estar de baixa, tenho tido coisas para fazer em casa – quem nos mandou fazer mudanças de casa na reta final da gravidez!? - e ainda tarefas pendentes do trabalho), as consultas médicas e a preparação para a chegada do bebé.
Agora dou por mim a sentir-me cada vez mais cansada (acho que não estou cansada de estar grávida, mas sinto-me cansada de ter os pés inchados e dores nas articulações, das milhentas vezes que tenho de ir à casa de banho e do sono pouco repousante e dos sonhos que tenho quase todas as noites) e ansiosa por conhecer o bebé. Sei que é tudo normal e que daqui a algum tempo vou ter saudades desta fase!
cute baby
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Semana 31 - Ousar ser devia ser obrigatório!

don't be afraid
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Não ache que seja melhor ou pior do que ninguém (apesar de numa prova psicotécnica à pergunta: 'já se sentiu superior a alguém?' ter respondido que sim sem sequer ter pensado muito) mas para dizer a verdade a falsa modéstia irrita-me um bocado. Portanto, aqui vai uma limpeza da alma!
Tenho muitas qualidades e sei disso. Valorizo-me enquanto pessoa e sei qual é o meu valor (se bem que nem sempre ache que seja suficientemente capaz para muitas coisas), mas caramba, gosto de ir à luta. Ahhhh se gosto!
Adoro sentir a adrenalina da 'luta' a envolver o meu corpo e sentir que serei capaz. Depois de saber que fui efetivamente capaz de dar à volta às coisas e por conseguir ver sempre o lado positivo ainda me fico a sentir melhor, principalmente se isso depender só de mim.
Sei que fraquejei e que fracassei neste meu positivismo no ano passado quando toda a minha vida me parecia difícil de aguentar. Não é fácil lidar com a morte de alguém num acidente sendo nós a pessoa que esteve no sítio errado na hora completamente errada. Nunca me conformei com isso, mas infelizmente não é nada que eu consiga resolver...
Os problemas não desapareceram, acho que até pelo contrário, mas se já fui capaz de viver por 3 vezes no estrangeiro e começar a minha vida do zero, hei de ser capaz de muita outras coisas! Pelo menos a minha mãe tem uma confiança absoluta nisso e reforça-me a ideia de todas as vezes que falamos ao telefone, que nos últimos tem sido mais do que eu esperava!
Sei bem que em Erasmus o tempo é contado e que em 2011 a experiência foi de 4 meses e meio, mas não sei se assim não custará até mais, saber que ao fim de uns tempos tudo o que investimos vai ter um fim. Desta vez parti de coração aberto e sinto-me para ficar. E com isso sinto-me bastante livre mentalmente.

Há dias horríveis, claro que há, e já falei disso por aqui, mas parece-me que há outros dias em que por mais normaizinhas que sejam as coisas me sinto a crescer. Conhecem aquelas dores de ossos que os médicos dizem que são de crescimento? Pois, há dias que sinto que a alma me dói mas é exatamente por isso. Que todas estas experiências me vão levar longe.
Nunca me senti muito de planos, porque acho que fui percebendo que a vida tem umas estranhas maneiras de nos mostrar que não somos nós que mandamos. Vou-me adaptando, mas nunca parto (com tudo o que isso tem de mau), porque quero muito que a minha essência não se perca, só se enriqueça com os muitos momentos que vou colecionando. E que boa coleção que vou tendo já!



domingo, 6 de outubro de 2013

Semana 30 - Dia do Professor

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Hoje comentei com os meus alunos que era o Dia do Professor e eles reviraram os olhos...achei sintomático daquilo que as pessoas em geral e os alunos em particular acham de nós - um mal necessário... Não fiquei lá muito contente, mas a aula lá continuou no ritmo que era suposto ter e falámos sobre a implantação da República. De 18 miúdos dentro da sala só dois é que puseram o braço no ar quando perguntei se sabiam que dia era hoje!Dá-me que pensar saber que os miúdos são portugueses mas não vivem em Portugal e por isso mesmo não sabem muitas informações importantes sobre o seu país [eu tenho uma opinião sobre isto, mas há de ficar para outro post, porque se prende com outras circunstâncias...], mas sinto que é para isso mesmo que aqui estou.

Não sei em que circunstâncias decidi tornar-me professora, mas sei, com toda a certeza, que nunca quis ser outra coisa, mas nem todos os dias acordo com a certeza absoluta de que sei o que estou a fazer da minha vida! Faço o que gosto, claro que sim e quando os alunos ultrapassam dificuldades e dão aquele salto qualitativo que é perceptível por toda a gente, principalmente pelos pais, fico felicíssima e reitero a decisão, mas no início das aulas tudo me parece aterradoramente difícil e  só ter de pensar como é que vou dar a volta às turmas quase me tira o sono…
Realmente tenho dormido mal nos últimos dias, mas não deve ser disso! Em termos gerais, ter de vir dar aulas para o estrangeiro e para isso ter deixado toda a família e todos os amigos em Portugal não é nada fácil. Foco-me no mais importante no presente -  os alunos - e preocupo-me com tudo o resto fora do tempo das aulas. Nem sempre é fácil separar as águas, sabendo eu que a minha disposição influencia o trabalho da sala e o contrário também é verídico!
Sendo então os alunos a minha prioridade é normal que me preocupe com todos em geral e com os alunos do Secundário em particular. Estes têm aulas todos os juntos (os 3 anos e 2 níveis de Português diferentes, sendo que o 12º vai fazer exame no fim do ano...) e eu queria separar a turma. Não foi fácil convencer os miúdos a mudarem o horário, mas acho que até correu melhor do que eu pensei. Lá reclamaram que às 6as ao fim do dia estão cansados e não lhe apetece, mas consegui organizar-me com eles e passam uns a ter aula às 6as das 6.30 às 8.30 (nem quero pensar quando chegar o inverno e a neve…) e outros aos sábados às 8.30 de la matin!
Só é pena é que para estas mudanças vou abdicar de um dos meus dias de folga e vou acrescentar mais duas horas (não pagas) ao horário. Os miúdos não sabem nada disto e tenho cá a sensação que 2 horas de aulas a mais por semana não vão ser nada fáceis, mas assim até me sinto um bocado mais em consonância com as 40 horas de trabalho dos funcionários públicos em Portugal. Pois é que lá por estar aqui, também sou funcionária público e o meu salário também sofreu cortes e não foram nada pequenos!!

Voltando ao alunos, eu só espero que compense a alteração e que realmente eles aproveitem melhor as aulas, já que vai exigir esforço da minha parte. Eu não me importo, até porque quem corre por gosto não cansa, mas gostava era depois de colher os frutos disso! Que os conhecimentos dos alunos fossem desenvolvidos e explorados e que no fim do ano não me digam o que me disseram na primeira aula: ‘stôra, no ano passado não aprendemos nada!’

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

semana 29 - E vivam as reviravoltas!

E a história repete-se, mas agora com confirmação oficial :) Eu vou voltar a trabalhar no estrangeiro!
Já é tempo de contar as boas novas que por aqui vão, porque me sinto um bocadinho angustiada e ansiosa com tudo isto e assim ponho por escrito e pode ser que a coisa se acalme.
Pois que em março de 2011 concorri a um posto de professora de Português e fui colocada na Alemanha. Este ano, sem esperar, o concurso para 2013-2014 abriu com algumas vagas para os professores que prestaram provas no ano passado. Quando soube disto e vi o meu nome na lista nem quis acreditar. Fiquei boquiaberta e nem sabia se havia de rir ou de chorar e com uma boa proposta de trabalho numa escola a começar em setembro ainda hesitei por momentos (uns poucos segundos...). Chamei o marido e a minha pergunta foi:  too busy
- 'E agora, o que é que eu faço?'  - 'Então, mas estás à espera de quê para enviar esse email?'

Nem tive grande hipótese de pensar e de ponderar nos prós e nos contras. Já se sabe que isso fica para depois (que chegou agora por estes dias de espera!). Eu que sou pelo ir, pelo fazer, pela ação!


Mail enviado e depois uma semana e meia de espera. Nome na lista com o horário escolhido em primeiro lugar à frente e serei mais uma a procurar uma vida lá fora, embora a trabalhar para o governo português. Fiquei meio histérica e o meu coração deu um salto. Apeteceu-me ligar a toda a gente, mas para além de nós dois mais ninguém sabia de nada disto. Mantivemos segredo para não agoirar, por isso foi uma surpresa para todos, incluindo a família (à exceção da minha mãe).

Houve notícias dadas via facebook e por telefone, mas a maioria foi ao vivo e a cores. Quase ninguém sabia que tinha concorrido, por isso foram apanhados de surpresa e houve incredulidade e algum choque por ir novamente sozinha desta vez por um ano.


Ainda não sei a data da partida, mas sei que será no início do meu mês, já daqui a um par de semanas*. O que sei é que tenho coisas para resolver e listas de items é o que não falta por estes dias em cima da minha secretária: listas de produtos de beleza a comprar para que a bolsa vá composta e não seja precisa alguma coisa de última hora e depois não dê jeito (bem, não vou para o fim do mundo, mas gosto sempre de ir prevenida com as coisas que uso); o mesmo se passa com o material escolar. Já tinha comentado aqui que teria de renovar e agora que vou ser professora lá fora apetece-me levar a mala do trabalho já pronta a ter as primeiras aulas.  A propósito de me and youlistas, há uma lista que não chegou ao papel, mas está a ser bem cumprida (e comprida também…) que é a lista das arrumações e dos afazeres cá em casa. Já tinha pensado em fazer umas limpezas enquanto estou de férias, mas agora com esta mudança toda, as limpezas e arrumações são mesmo necessárias. Há coisas para pôr na mala e levar, outras que já tiveram o seu tempo e vão juntar-se aos sacos no sótão, que estão só à espera que os leve para o contentor da Humana. Ando a destralhar e a arrumar direitinho e sinto-me mais leve, porque vai sendo uma coisa de cada vez, como eu tanto gosto.

Ando cheia de vontade de ir buscar a mala e começar a pôr a roupa e os meus objetos essenciais lá dentro para ter tudo pronto no fim do mês, mas enquanto a mala estiver por arrumar vou continuar naquela zona cinzenta em que tudo isto parece um sonho e eu estou prestes a acordar. Quando começar a empacotar as coisas já não há mesmo volta a dar!
E eu gosto tanto deste nervosismo que antecede a partida, mas sabe-me sempre a tempo pouco gozado. Só penso como vai ser? E o sítio será que é bonito? Vejo fotos e acalmo um pouco da ansiedade, mas é sempre diferente quando estou prestes a embarcar com coração na boca para mais uma aventura.
Como sempre na nossa vida, Eu vou, tu ficas, mas venha o que vier e seremos sempre nós!

*Entretanto já sei que vou já domingo, já daqui a 3 dias! Escrevi este texto em meados de agosto, mas nunca pensei que pelo meio destas semanas todas tivesse tanto tempo para pensar!

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Semana 26 - Como o tempo [ou então não…]

change takes time
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É que dar ouvidos à tristeza pode trazer-nos coisas boas. Ela vai entrando na nossa vida com pezinhos de lã, guardando como objectivo combater o nosso impulso natural para a felicidade.
Há dias em que não consigo explicar esta tristeza que sinto e que me impede de andar para a frente. Em sentido metafórico, mas também literal, porque não raros dias dou por mim a não querer sair de casa e com ainda menos vontade de ver alguém…

Já me conhecendo há 28 anos e uns meses, dou por mim com a certeza de que isto em mim não é normal. Eu, a pessoa mais alegre e dinâmica que conheço, sempre cheia de energia, de coisas para fazer, de planos e de ideias, com vontade de estar em casa e de não sair?? Nestes dias recordo o que me trouxe até aqui e por mais que me foque em situações, pessoas e acontecimentos, sei que não valerá a pena esse exercício. Parece-me irrelevante querer saber o porquê das coisas. Sinto que o que preciso é de virar a cara à luta e ir em frente. A minha personalidade alegre não se sente bem em estar assim, mas sei que preciso de perceber o que é realmente importante para mim e passar a valorizar mais essas pequenas-grandes coisas.

Tenho escrito muito sobre isso aí ao lado (aqui, aqui, aqui e aqui), durante o verão fiz um exercício de valorização desses pequenos momentos que se transformam em coisas importantes (esse exercício tem-se mantido, mas não de uma forma tão contínua) e muitas vezes consigo olhar para a minha vida e ver que consegui torná-la algo de louvável e estou grata por isso. Fiz o balanço do ano passado e houve muitas coisas más, mas houve outras muito boas que me têm dado ânimo nos dias maus.

Sei que o que sinto não tem a ver com o estado do tempo. Desejei o verão aqui, mas não seria o verão em si. Gosto muito do calor, mas o que desejava mesmo era poder fechar-me na minha concha e ficar por casa entregue às minhas coisas. E depois vejo frases assim e penso: ‘Mas porque raio é que me sinto assim?’
courage3
Descobri o que gosto de fazer [desde sempre é isto e é muito bom! Os sorrisos dos meus meninos é mesmo o melhor da profissão que me escolheu, apesar de haver dias em que não me apetece muito vê-los à frente…], ter oportunidade de o fazer e esforçar-me para isso. Infelizmente o reconhecimento do esforço nem sempre chega no final de cada dia e tenho-me sentido desmotivada, parece que o meu entusiasmo vai ficando em pedaços cada vez mais pequenos. Pode ser uma analogia muito estúpida, mas sinto-me como os sabonetes que vão sendo gastos de cada vez que são usados. De cada vez que dou uma aula, sinto que uma parte de mim fica lá, nos meus alunos, na dedicação que lhes dou, e se por um lado é recompensador, por outro mostra-me que o desgaste psíquico é uma caraterística da classe. Ainda não tinha pensado nisso assim.

E quando li este texto do Valter Hugo Mãe, ainda percebi isso melhor. Então, espaço a quem consegue conhecer a profissão do lado de fora, enquanto alguém que se sentiu ‘grande’ depois de aulas brilhantes.
“Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões.”
Sei que a minha vida é um trabalho sempre inacabado para atingir uma melhor versão de mim mesma e se isso passa por momentos de reflexão e de ‘hibernação’ social, que seja. Só espero é que a felicidade da mudança e dos pequenos momentos não se perca pelo caminho. 
Quero ser uma versão de mim, mas uma versão mais feliz.

domingo, 7 de outubro de 2012

Semana 23 - Tamanho acima

weight realityUm dia destes falava com uma amiga sobre a importância dos tamanhos para o bem-estar das mulher e foi uma lufada de ar fresco ler o artigo da Activa de setembro sobre as modelos XL. Nem todas são somos esqueléticas nem queremos ser, mas parece-me que as lojas de roupa ainda não perceberam isso. Fazem roupa pequena para mulheres que têm a anca larga, peito grande e não vestem o 38 e depois é todo um acumular de frustração ao longo de anos e anos.

Sei que muitas vezes saí do shopping frustrada por não encontrar nada de jeito. Umas vezes a cor, outra o formato, mas na maioria o tamanho. Quase que me sinto obrigada a ser magra por causa das roupas que gosto. Continuo a não gostar muito de ir às compras porque não tenho gostado de nada e acho que é tudo demasiado caro. Dar 30€ por uma camisola acho um absurdo! E se ainda por cima fica justa ou tem um corte que só favorece quem tem menos peito, pior.

fluvia lacerda
É verdade que estou uns quilos mais magra e sinto-me melhor com o meu corpo, mas não deixei de te ter curvas, bastantes por sinal, as ancas continuam bem redondas e o peito também se mantém. Também sei que nunca vou conseguir vestir o 36 nem o 38! E ainda bem!

Só tenho a dizer que não percebo nada de design de roupas, mas acho que seria uma ótima ideia haver lojas em que os tamanhos se adequassem às mulheres reais? Acho que as empresas iam definitivamente ganhar mais dinheiro com isso, já que a maioria das mulheres não se encaixa nos números mais pequenos. 

A Zara tem os tamanhos cada vez mais pequenos e os preços cada vez mais altos, na Stradivarius e na Bershka só até ao L e mesmo assim são pequenos. Vá lá que a Mango tem baixado ligeiramente os preços, mas para quem vista o 44 a oferta não é muita, verdade se diga. Sei que na H&M os tamanhos são grandes e na coleção normal há até ao 46, e depois há a coleção tamanhos grandes que começa no 44 e termina no 60, se não me engano. O problema é que as roupas da coleção plus size não são muito do agrado das pessoas.

Lá porque uma pessoa tem peso a mais não significa que não seja feminina, certo? Vejam-se as fotos da Tara Lynn, candice huffineda Fluvia Lacerda, da Candice Huffine ou da Robyn Lawley, que são a prova provada de que os mulherões existem mesmo!

Bem, esta última ligeiramente mais magra, mas ainda assim veste o 44 e isso não a impediu de fazer uma campanha para a Ralph Lauren e de ser capa de várias revistas, como por exemplo da Vogue italiana ou da Elle francesa. É verdade que antes de a escolher para ser a cara da marca, a Ralph Lauren despediu uma modelo – Filippa Hamilton - por ter excesso de peso e não se coadunar nos parâmetros da marca. Se há coisas que não compreendo, uma delas é esta! Não acho nada mal contratarem uma modelo plus size para as campanhas da marca, só é condenável o terem feito depois de considerarem outra modelo com demasiado peso para as campanhas. Não me faz muito sentido…


size
Já escrevi sobre isto aqui, e continua a parecer-me muito bem que se valorizem as curvas femininas, que são isso que nos transformam naquilo que somos – femininas. Há vários tipos de corpo, obviamente, com mais ou menos curvas e há quem goste mais ou menos de se ver com as curvas que tem, mas a mim parece-me que se nos compararmos com quem é diferente de nós, só servirá para nos sentirmos inferiores. É óbvio que há sempre alguma coisa que podemos mudar no nosso corpo, não fosse o sexo feminino conhecido pela insatisfação natural, mas a comparação não nos torna mais felizes.

Se achamos que ter uns quilos a menos nos vai fazer mais felizes, porque não? Se nos sentimos felizes com os quilos que temos e com todas as bonitas curvas que temos, porque não? Eu acho que cada uma deve ser feliz à sua maneira, porque ser feminina depende principalmente da atitude que se tem para com o corpo que se tem.


É uma atitude confiante que nos torna atraentes, não é a quantidade de curvas. Até porque segundo consta: a curva mais bonita de uma mulher é o sorriso’ e isso é válido para qualquer uma de nós, desde que o sorriso seja confiante e convincente!

Quanto à tal atitude confiante acabei de ler isto: 'O espelho não mostra o que somos, só mostra o que queremos. O que é uma pena, porque às vezes (no peso e noutras coisas mais importantes) somos muito melhores do que o que vemos no espelho e do que pensamos' no blog da Divine Shape e não podia deixar de escrever aqui, porque resumo de uma forma sublime tudo o que quis dizer!
Com banda sonora a condizer e tudo! 

Something 'bout the way the hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
Without my hand behind it


'Your body is a wonderland' John Mayer

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Semana 22 - Setembro ou estação da calma

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blurry days

via

Chega setembro, bem devagar, depois de um agosto terrível. Eu sei que não costumo gostar dos agostos e cada vez mais sinto isso bem cá dentro do peito. Este ano não foi exceção. Felizmente setembro chegou e este ano apareceu ao fim de semana, que é sempre coisa para alegrar uma pessoa.

Sei e sinto que não sou de me queixar. Gosto de andar para a frente enfrentando o que futuro me vai trazendo, mas nos últimos tempos não tem sido fácil e por isso estou tão contente por ter chegado o meu mês. Acordo com mais vontade, com mais ganas de fazer coisas. A letargia vai ficando para trás quando se começam a desenrolar propostas de trabalho e planos para os próximos tempos. É disto que eu gosto em setembro.

Aqui no bairro já se nota algum rebuliço por causa do início das aulas, veem-se mais pessoas na rua, ouve-se mais barulho, arrumam-se as salas e embeleza-se a escola para os novos alunos que aí vêm. Todos os anos há alunos novos que vão construindo o seu futuro entre as paredes de uma escola.
Todos os anos é a mesma adrenalina que me sobe no peito. Durante 18 anos enquanto aluna, adorava o mês de setembro. Voltar à rotina depois de tantos dias de brincadeira, de descanso e de alguma ajuda aos meus pais (pois, porque menina mimada é epíteto que não me assenta!) e voltar a ver os amigos e os professores. Tive a sorte de ter estudado numa boa escola _ pública, como acho que deve ser! –, por isso sinto que esta nostalgia do início do ano vem daí. Agora como professora, como diz a Duchess, também eu faço o balanço dos primeiros dias e das minhas memórias. Já não consigo destrinçar muito bem o meu eu enquanto aluna e a parte da professora, porque tenho aprendido tanto agora deste lado.

E quando chega setembro, a minha vida muda para melhor. Muito melhor. Agosto parece-me uma infinidade de dias sem qualquer história, dias que foi preciso ultrapassar para chegar ao meu mês preferido. Gosto de fazer com que a minha vida valha a pena e todo esse entusiasmo chega em setembro. E não é esta coisa que me foi diagnosticada que me vai mudar os planos.

Sei que para muitos, setembro é só mais um mês que aproxima o fim do ano e o Natal, mas para mim sempre foi especial e sinto que eclipsa todas as coisas menos boas que têm acontecido. No dia 13 de julho, fiz pela primeira vez uma coisa nova – consulta com o neurologista – que me diagnosticou uma depressão reativa, porque estou a reagir a todos os problemas que tenho tido: o fracasso da empresa, a instabilidade profissional (o meu trabalho faz-me feliz, mas é instável. Ainda assim, acho que são melhores os momentos bons do que os menos bons!) e principalmente o acidente. Como é que se ultrapassa uma situação grave, em que não tivemos culpa, mas que causou a morte a uma pessoa? Eu não tenho resposta para isso, embora perceba que em muitos dias foi o trabalho que me permitiu andar de cabeça para cima sem parar para pensar nisso. E o verão e o pouco trabalho trouxeram tudo isso de volta… Por isso vieram os calmantes, os anti-depressivos, que por bons que sejam a longo prazo (que são!) também trouxeram muita letargia, muita necessidade de dormir, muito efeito-zombie, muita apatia nos primeiros tempos.
Agora que finalmente já me sinto eu, começa o meu mês. E eu gosto tanto destes recomeços! Ainda não dei a despedida da praia, mas já não deve faltar muito, já que sinto setembro como mês de criar novos hábitos, novas rotinas, voltar ao ativo a fazer o que gosto tanto. É um mês de calma porque se me acalmam os nervos e a ansiedade de voltar ao trabalho, que está em fase de organização e de estruturação de horários, de conhecer novos alunos e afins. 

Quando chegar a fase da adrenalina com as milhentas coisas para fazer e os muitos sítios para ir, serei mais feliz. Todos os anos é assim! E espero que os setembros continuem a ser especiais!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Semana 19 – Balanços e recomeços

christmas tree
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      “Cheers to a new year and another chance for us to get it right.” Oprah Winfrey
Para o ano que terminou, eu tinha estabelecido algumas metas a cumprir e em maio deitei contas aos primeiros meses e foram mais que positivos. Dezembro chegou e partiu e eu não tive tempo para pensar no que consegui cumprir. Hoje ao desmontar a árvore de Natal estive a pensar em tudo o que me propus e fiquei muito contente porque o balanço não podia ser melhor.

Houve dois acontecimentos muito importantes no ano de 2011 que vão continuar a marcar a minha vida. Fui novamente viver durante uns meses para a Alemanha e soube que a minha irmã gémea vai ser mãe (está quase, quase e eu estou muito entusiasmada com a chegada do pequenito!)

Para além disso, no blogue atingi a marca dos 1000 posts e 81 seguidores. Tentei escrever alguma coisa todos os dias. Tarefa muito facilitada por ter mudado de país. Obviamente que com esta mudança consegui passear e viajar mais. Conheci novas pessoas e muitas coisas novas. Também teve aspetos menos bons, porque obviamente que não consegui passar tempo com a minha família porque não estive em Portugal. No regresso tentei recuperar o tempo perdido com toda a gente, incluindo com as minhas amigas, por isso o mês de agosto também foi um marco na minha vida, com todas  as coisas giras e divertidas que fiz e os sítios novos que conheci. Também consegui manter um ótimo volume de leitura e acrescentei bastantes livros à minha biblioteca de livros lidos, o que se encaixa perfeitamente na minha vontade de continuar a desenvolver o meu hobbie preferido ao longo do tempo.

Em termos profissionais, vou-me sentido muito satisfeita com o rumo que tenho traçado, principalmente porque as melhores coisas não têm sido planeadas, no entanto a tão desejada estabilidade está difícil de aparecer. Tenho trabalhado muito a organização nas várias vertentes da minha vida e sinto-me feliz com tudo o que já consegui melhorar. Sei que muitas vezes pareço um bocadinho ‘estranha’ aos olhos das outras pessoas com tanta organização, mas se consigo gerir a minha vida assim e me sinto produtiva, acho que já encontrei a fórmula certa. A organização também já chegou às limpezas cá de casa e sinto que temos conseguido manter tudo mais arrumado e mais limpo e nem tem sido preciso muito esforço. Só uma melhor gestão. Esta palavra parece-me estar na moda!

Quanto a saúde, contam-se umas constipaçõezitas e fiquei rouca algumas vezes mas nada de grave. Consegui fazer o check up tantas vezes adiado e confirmei que está tudo ok. Também participei numa colheita de sangue e só tenho pena que não tenha sido mais vezes.

No tópico poupanças não houve alterações, infelizmente, porque a palavra crise que soa a toda a hora na televisão e aparece em letras garrafais nos jornais e nas revistas também tem reflexos cá em casa. Trabalha-se a gestão das despesas e tenta-se cortar em tudo o que é supérfluo, mas não é possível poupar. Haja saúde e trabalho que tudo se compõe, como costumo dizer. Felizmente não falta cá em casa nenhuma dessas, por isso é continuar a batalhar.

Para 2012, que tudo se mantenha como estava no final de 2011 e já será um bom ano! Obviamente que havendo um novo ano a recomeçar há tantos tópicos a melhorar, se possível. É só querer!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Semana 17 – Carta de motivação

work by steve jobs
via
Cara chefe,
Eu sei que não tenho dedicado muito tempo a pensar nas razões que me levam a trabalhar nestes moldes, e se o fizesse só me perguntaria para quê? Tenho a certeza absoluta de que isto foi sempre o que quis fazer. Percebo perfeitamente o sr. Jobs quando afirma que só se fazendo o que se gosta é que se viverá satisfeito.

Bem, a minha felicidade passa em grande parte por saber que as minhas competências se encaixam entre o ser social e o ser responsável e trabalhador que se empenha o máximo em todas as tarefas. Podia ser a pessoa mais organizada e metódica do mundo (que não sou) e depois não ter a sensibilidade suficiente para lidar com alunos de anos tão diferentes entre si como o 1º ou o 12º, já para não falar na formação.

Gosto deste equilíbrio entre a técnica e os conhecimentos e o desenvolvimento da vertente da comunicação que este trabalho permite. Gosto particularmente de conseguir aplicar na minha vida a máxima perfeita de Confúcio: ‘Choose a job you love, and you’ll never have to work a day in your life’, porque muitas vezes sinto que não devia receber por estar a fazer algo que gosto tanto.

E não deixa de ser verdade que há dias difíceis neste trabalho que escolhi, mas é bom ter a certeza que todos os dias faço o meu melhor para conseguir responder a todas as solicitações dos alunos. Gosto de chegar a casa cansada, mas com a sensação que não havia mais nada que pudesse fazer para que tudo corresse bem. Muitas vezes acontece ter de pensar rápido para conseguir resolver as situações, mas isso faz parte do pacote com que saímos da faculdade. Ou então não, porque me sinto a melhorar todos os dias e não houve ninguém a ensinar-me a pensar rápido na faculdade.

Pensar rápido implica muita coisa, desde ralhetes até improvisar situações novas de aprendizagem, passando por resolver a falta de fotocópias, imaginar flashcards, ter presença de espírito em todas as situações dentro e fora da sala para não haver atitudes demasiado extremas com os alunos e para se manter uma boa relação com os colegas. Pensar rápido também quer dizer não deprimir quando se recebe o ordenado e se percebe que uma parte do que estamos a receber não é nossa.

Não, claro que não nos foi pago dinheiro a mais. É só aquela percentagem que temos de pagar ao estado em descontos, nada de surpreendente, portanto. Felizmente, e por vários motivos, ainda não comecei a pagar isso, mas quando começar espero não me vir a arrepender de ter este regime de trabalho.

Este regime de trabalho tem as vantagens de me permitir ser independente e gerir o próprio tempo. E se na parte de gerir o meu tempo não há problema nenhum, porque todas as atividades que estou a desempenhar estão bem encaixadas no meu horário, o facto de ser independente também é uma mais-valia porque não estou dependente de nenhuma empresa. Posso trabalhar em vários sítios a fazer várias coisas, o que só vai beneficiar o meu currículo. E consigo ter algum tempo para almoçar com a minha família ou às vezes com as amigas. Não há muito tempo livre, mas o que há é bem aproveitado.

Então à primeira vez parece-me que não há nenhuma desvantagem. Ganho mais do que ganharia a trabalhar só numa empresa, tenho um horário de trabalho flexível, não tenho um trabalho monótono nem rotineiro, conheço muitas pessoas e vários métodos de trabalho. Até aqui tudo ótimo. As desvantagens só aparecem no fim. Do mês e dos trimestres.

No fim do mês porque há um sem-fim de recibos para preencher para as várias entidades com que trabalho, o que significa se não tiver trabalhado é claro que não recebo. Não há subsídio de doença que me valha se tiver de ficar em casa por motivo de doença por um período inferior a 30 dias. Se pensar em ter um filho, neste momento já receberia subsídio, nem sei bem em que moldes, mas como também não está previsto não é problemático. E também há o pagamento à Segurança Social que me permitirá receber estes subsídios, caso seja necessário.

No final dos trimestres também há o pagamento do IVA e a retenção na fonte, que representam uma fatia generosa do que recebemos. Percebo que se ganhe mais como trabalhador independente porque as despesas são inúmeras e a organização tem de ser muito maior. Temos de ter um registo apertado para sabermos sempre em que ponto está a situação fiscal para não haver surpresas. Já não basta cada aula ser sempre diferente, apesar de planeada, quanto mais ainda haver surpresas desagradáveis relacionadas com dinheiro.

Obviamente que mesmo tudo somado, adoro o que faço. Sou professora, claro! E não saberia ser outra coisa!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Semana 13 - Ser anónimo…

the city is full of ghostsannonymous in the city
Se estiver sozinha tanto faz ser nesta cidade, na vila onde moro em Portugal, ou num hostel em Berlim. Sou só mais uma anónima no meio dos 7 mil milhões de pessoas que habitam este planeta. Por isso não será assim muito absurdo se eu disser que até gosto disso, pois não?

Cada um de nós é uma gota num oceano imenso de pessoas, mas cada um tem também a sua própria direção, seguindo muitas vezes a corrente arrastada pelo fluxo dos que o rodeiam -  a sua família, os conhecidos, os amigos e outras tantas pessoas que vão aparecendo – só porque normalmente é mais fácil, mais lógico, com menos obstáculos. Mas se cada um fizer valer as suas ideias sem ter em conta nada que possa aprender com os outros, continuará tão só como se estivesse sozinho no mundo.

Estar sozinho não é ser anónimo. Ser anónimo é simplesmente não ser reconhecido por ninguém. É estar só com os os seus pensamentos captando a essência dos locais, sentir a ‘alma’ dos que habitam ou habitaram aquelas ruas, que viveram aquele ambiente, que deixaram uma parte de si por lá, ou que construíram o seu espírito com partes da cidade. Já me senti assim muitas vezes, como se estivesse a absorver a vida de outras pessoas, de outros tempos, outras eras. Sinto que estar sozinha até é uma benesse, porque não me distraio tanto.

Gosto de ser anónima, de passar despercebida, de ser eu no meio de outros. No entanto, esse anonimato acaba por quebrar-se estando algum tempo no mesmo lugar e aí a vida começa a rolar. Quando os desconhecidos começam a tornar-se conhecidos vamos começando a nossa história e deixamos de ser anónimos. Passamos a seguir o nosso caminho menos sozinhos, com gente que gosta de nós e nos vai acompanhando em pedaços do nosso caminho. Os conhecidos passam a ser amigos e vão integrando o o leque de pessoas que também nos transformam e nos criam como pessoas.

E eu sei que gosto muito de pessoas, das suas histórias, de conhecer as suas vidas, os seus fracassos, sucessos, emoções, o que as move e o que é importante para as fazer acordar todos os dias de manhã. Se possível gosto de saber isso ao vivo, ouvir os sons das palavras a serem ditas, e as emoções a aparecerem ao canto da boca e na curvatura das pestanas. Gosto das entoações, das pausas, dos silêncios que dizem tudo e dos olhares embargados ou eufóricos que mesmo sem palavras, falam ao coração. Mesmo que as conversas não sejam comigo.

Quando ando por aí sozinha, se é verdade que normalmente ando metida com os meus pensamentos e de música na cabeça, também gosto quando tiro os phones dos ouvidos. Sabe-me melhor sentir os ruídos da cidade e já tenho ouvido um ‘Hallo’ ocasional de pessoas que me vão reconhecendo. Vou deixando de ser anónima por aqui. Isto aconteceu em 4 meses e só tenho pena que na minha urbanização em Portugal já lá more há quase 3 anos e não haja uma alminha que me diga ‘Olá’ na rua.

Continuo a ser anónima, mas lá já não acho muito coerente. No fim de contas é o meu país e não devia ser só mais uma. E eu não quero viver num sítio em que diga que só lá vou dormir. É a pior maneira de se ser anónimo. É que para além de não se ser reconhecido é nem sequer conseguir reconhecer o sítio onde se vive.

imagens: pinterest.com

terça-feira, 5 de julho de 2011

Semana 11 – Here or there isn’t it the same?

distance in a relationship
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O dia está lindo e quando acordo assim, com os meus olhos a despertarem para um sol brilhante, apetece-me sempre pegar no telemóvel e ligar a alguma das 'minhas' pessoas, só para dizer: ‘Olá, bom dia. O dia está lindo e é maravilhoso ter-te na minha vida!’ Sounds lame, não é? Pois, eu sei que sim, mas estar a viver à distância deixa-me mais sensível que o costume, embora tente que isso não perturbe demasiado a minha vida.

Há dias em Berlim percebi que devo ser um caso estranho por não ligar para casa todos os dias. Apesar de gostar muito de estar em contato com os que amo não consigo ligar todos os dias, nem quero me liguem. Acabo por achar que muitas vezes só fazemos conversa de circunstância, embora noutras alturas me pareça que sei mais da vida de quem está do outro lado do telefone em 10 minutos de conversa do que quando nos encontramos ao vivo e a cores. A conversa fica mais concentrada e passamos do ‘olá, tudo bem?’ para assuntos realmente importantes, notícias espetaculares ou tristes (obviamente soube via telefone que a minha mana está grávida e que o meu primo se vai casar no próximo ano. Em 2005 também soube a notícia da morte de um familiar e um divórcio) e muitos planos para o futuro.

Acho sinceramente que ligar todos os dias seria um desperdício de dinheiro (malvado roaming…em 2005, a 1ª fatura de telemóvel foi de 600€!!!! acabou-se logo a vontade de falar todos os dias. 1 vez por semana começou a ser mais normal!) e para além disso, se com os meus pais já não falava todos os dias em Portugal (em 2005 ainda vivia lá em casa, por isso a maior preocupação era compreensível), agora que estou longe não vejo qual é a necessidade de mudar isso. Com o marido é que é mais estranho, porque durante 2 anos e meio de casamento (até ao dia 15 de março deste ano)  para além de nos vermos todos os dias, mesmo que muitas vezes fosse só à hora de ir dormir, trocávamos várias mensagens por dia. Tem lógica, uma vida em conjunto pressupõe uma rotina em que ambos temos uma parte essencial. Comigo aqui esse laço quebrou-se.

Claro que ‘falamos’ todos os dias, ou quase, mais que não seja uma mensagem escrita em que dê para eu ir sabendo dos planos que ele vai fazendo sozinho em casa ou com os amigos, assim como vou sempre contando sobre a minha vida aqui. Ficou mais engraçado desde que me veio visitar, porque assim já conhece os sítios de que falo.

E embora falemos com alguma regularidade, é muito mais natural que eu escreva no blogue (ali ao lado como já sabem). É mais fácil para mim, não estou limitada em termos de tempo, porque quando o marido está a trabalhar não podemos falar, obviously, e ainda para mais, permite mais carateres. E nestas coisas das relações à distância, e aqui não falo só de relações amorosas, o Facebook e o Skype também são ferramentas ótimas e sempre não se gasta tanto dinheiro.

Eu não preciso de ouvir a voz dos que amo para saber que estão bem. Se eles estão bem, eu também estou, estando no mesmo país, ou a não sei quantos quilómetros de distância. 
Se bem que às vezes um abraço fosse muito bem vindo!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Semana 5 - Já não é nada como antigamente

shut computer, meet someone
Uma das actividades a que me tenho dedicado mais nos últimos tempos é a surfar na internet. Passo horas online e muitas vezes sinto que em vez de perder horas de vida, ganho nas pessoas que conheço, nas vidas que se vão cruzando com a minha. Isso vale o que vale, porque não se chega a conhecer realmente as pessoas, se todo o contacto é via comentários, posts, emails e estados do facebook. Uma pequena parte de nós que passa para o outro lado do monitor.
Com este tipo de interacção sinto que falamos demais de nós e de menos dos outros. Trocamos ideias sobre tudo e mais alguma coisa com pessoas em quem nunca pusemos a vista em cima e que muito provavelmente nunca se cruzariam no meridiano da nossa vida real. Lemos opiniões díspares sobre milhares de assuntos e vamos deixando as nossas opiniões e comentários também espalhados aqui e ali, o que não é lá muito propício à criação e manutenção de amizades, ainda que virtuais. Há aquelas pessoas que se vão tornando mais constantes na nossa vida virtual, mas ainda assim, não há nada como conhecer as pessoas frente a frente, olhos nos olhos. E não é claramente sentados em frente de um monitor que a coisa vai acontecer.
Isto é o que torna a realidade virtual isso mesmo, virtual. E o verbo sofalizar possível. As novas tecnologias vieram permitir situações impossíveis há alguns anos. O telemóvel mantém-nos sempre em contacto, ainda que muitas vezes seja irritante e inconveniente, a internet facilita-nos as pesquisas sobre qualquer assunto e permite-nos encontrar pessoas há muito desaparecidas das nossas vidas – tenho reservas quanto a isto, por isso tenho 20 pedidos de amizade pendentes –, e encontrar outras tantas fora do nosso círculo de amigos, do nosso país ou até do nosso continente. Acredito muito mais nas potencialidades da internet quanto aos contactos com pessoas com quem nos identificamos, mas que não moram perto de nós, do que nos reatamentos de relações que tiveram o seu lugar no passado e era lá que deviam continuar. Nisto o facebook veio trazer problemas onde eles antes não existiam.
Embora o facebook tenha também uma função mais positiva, que é a de almofada de embate contra a rejeição. Pois, porque se antes as pessoas se conheciam das maneiras ditas ‘normais’: os grupos de amigos ou de colegas da escola, as actividades lúdicas ou desportivas em comum, de há uns anos a esta parte conhecem-se pessoas na internet, primeiro nos chats, depois no hi5 (me-do) e agora no facebook. E sendo mais fácil meter conversa, ‘ai que és tão gira e tal, queres ser minha amiga no facebook, para podermos trocar umas ideias e uns gifts do farmville’, o risco da rejeição não é tão evidente. Se a pessoa não gosta, ignora em vez de ter de fazer aqueles sorrisos amarelos como já todos fizemos: ‘Ahhh, pois sim, tu és muito fofo e tal, mas só me fazes lembrar o Manel Jaquim e credo, que feio que o gajo era. E veio a descobrir-se ainda se tornou modelo’ .
É por estas e por outras que mais dia menos dia, mais coisa menos coisa, gosto de combinar coisas in person com aquelas pessoas que realmente me dizem algo e com quem me identifico. Para tirar as teimas e ver se são mesmo aquilo que escrevem, ou se me identifiquei com um avatar. Também podia ser, mas essa história já é mais que conhecida e prefiro passar ao lado.