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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Semana 34 - Do Amor e da rotina e all in between…

love
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‘Queres casar comigo?’ foi uma das perguntas a que já respondi uma vez e não me via a responder novamente que sim. Não é que o namorado não merecesse a resposta, mas estando nós tão bem e já a viver juntos achei que não fazia muito sentido. Mas na vida tudo muda, não é?
E como mudou a minha vida nos últimos 2 anos!? Há 24 meses ainda nem conhecia o meu marido e agora cá estou eu a escrever este texto com a minha filha nos braços, literalmente falando, porque hoje ela tem estado murchinha e tem sido dia de mimo. Estão a ver aqueles filmes em fast forward em que a ação acontece muito rapidamente e os frames vão passando uns atrás dos outros numa cadência acelerada? Pronto, aqui estão os últimos dois anos da minha vida!

Nunca me tinha acontecida tal coisa de me sentir a levitar de felicidade e a sentir a paixão em todos os poros e foi maravilhoso! Continua a ser maravilhoso, e embora agora a paixão esteja mais calma e a desgraçada da rotina leve a melhor na maioria dos dias e das noites, continua tudo a ser intensíssimo, o amor, as zangas, os beijos e não há nada que me acalme mais do que os abraços do meu marido e até durmo melhor de conchinha (e eu odiava dormir com alguém colado a mim!).
Sabem aquela ideia de casar, ir morar juntos, juntar dinheiro e ter filhos? Já tentei uma vez e não resultou… por isso é mito urbano que resulte com toda a gente e aliás, cada pessoa e cada casal tem a sua própria história e a nossa é esta-. Ainda fico com os batimentos acelerados sempre que penso naquele domingo, 24 de novembro de 2013 em que supostamente íamos tomar um café para nos conhecermos (o meu marido é primo do marido da minha irmã e eu vim viver para a Suíça sem conhecer ninguém e deu-se o acaso de vivermos a poucos quilómetros de distância e sempre ia apanhar ar e conhecer pessoas novas, que era o que mais precisava naquela altura da minha vida, em processo de separação). Fomos tomar café e falámos imenso de muitas coisas, das nossas vidas, de acontecimentos felizes e outros menos felizes, de música e eu sei lá.
Só sei que houve uma química que ainda hoje não consigo explicar e quando ele me deixou na vila onde eu morava, já não conseguia pensar em mais nada a não ser em vê-lo outra vez. E vi-o outra vez ainda nesse dia depois do jantar, no dia seguinte e todos os dias dessa semana até ir de ferias para Portugal. De vez em quando ele pergunta-me: ‘tiveste saudades minhas quando estive em Portugal?’ e eu, que tenho sempre resposta para tudo, mudo de assunto ou respondo qualquer coisa meio parva. A verdade é que não sei. Sei que queria que voltássemos a estar juntos. E estamos juntos todos os dias desde então e a viver na mesma casa desde dia 15 de dezembro de 2013. Já mudámos 2 vezes de casa e aí pelo meio decidimos ter filhos.
‘Queres ser mãe de um filho meu?’ eu sabia que a resposta era sim, sem sombra de dúvida, mas achei que era muito precipitado porque estávamos juntos há pouco mais de 6 meses! Depois de muito pensar, achei que afinal não é o tempo de relação que diz se duas pessoas estão preparadas para ser pais!

4 meses depois desta pergunta engravidei e sou uma pessoa muito mais feliz e uma mulher realizada com a chegada da nossa filhota que nasceu no fim de junho. Tem sido muito melhor do que eu estava à espera e felizmente tem corrido tudo bem com a nossa adaptação a ela e ela a nós e com o crescimento da pequena princesa que veio tornar ainda mais cheia a nossa vida e trouxe outro sentido completamente diferente àquilo que pensávamos ser a nossa família.
E como tem sido tudo em modo acelerado, desde o início do ano fomos falando em casamento, mas se estávamos tão bem assim, porque raio é que teríamos de assinar um papel? Só se fosse por causa da pequena, porque aqui na Suíça a união de facto não funciona como em Portugal e dá muito mais trabalho e é chato irmos registar o bebé e tratar dos assuntos relativos a ela sem sermos casados. Ora então a coisa passou-se mais ou menos assim:
Ele: ‘Olha, podias ligar para a conservatória para saber como é isso do casamento?’Eu: ‘Está bem, mas sabes que vamos de férias na semana que vem e tem de ser nessa altura, certo?’Ele: ‘Liga lá e depois logo se vê!’Eu liguei no fim de abril e ficaram de confirmar à minha mãe no dia seguinte se seria possível a celebração do casamento civil na semana a seguir. No dia seguinte falei com a minha irmã, que estava em Portugal, e perguntei-lhe se ela já sabia de alguma coisa. Resposta no whatsapp:
‘Já. A mãe já ligou para lá e o casamento é na próxima 3ª feira às 14.30 na conservatória. Traz um vestido bonito!’ E eu li a confirmação do meu próprio casamento numa mensagem de telemóvel! Foi um momento histórico e histérico! E por mais curioso que possa parecer, já tínhamos marcado uma sessão fotográfica pré-natal para esse dia, da parte da tarde e assim acabámos por ter uma sessão fotográfica gira, só nós os dois, no dia do nosso casamento. Fui uma noiva num um vestido de verão vermelho às bolinhas brancas e o noivo casou de calças de ganga azuis escuras e camisa e o jantar foi uma churrascada com a família e a seguir uma viagem de 2 horas e meio até casa dos meus sogros com umas quantas paragens pelo caminho devido à minha bexiga apertadinha de grávida. Cada vez tenho mais a certeza de que todas essas peripécias tornaram o dia ainda mais especial, exatamente como devia ser!
Não mudou nada sermos marido e mulher, mas parece que houve uma reafirmação do amor que sentimos um pelo outro e tornou o vínculo mais apertado quando nasceu a bebé. Agora somos uma família!
Opá e a escrever este texto e a ouvir esta música do Diogo Piçarra? Maravilhoso <3

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Semana 32 - Será que o dinheiro não traz felicidade?*

luis salário
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Uma pessoa acorda de manhã com o barulho das obras no prédio e ainda se sente cansada por causa da festa do dia anterior, mas pensa que o dia não há de piorar, porque afinal o tempo está bom e está um sol radioso. Pois, acabou de piorar… Acabei de perceber que o meu salário levou ainda mais um corte. Bem, eu já sabia que isso ia acontecer, mas normalmente sou como São Tomé, só acredito quando vejo, ou seja, quando o ordenado me entra na conta ou recebo a folha do vencimento. Tenho de começar a pensar que isto de dar aulas no estrangeiro é só para quem corre por gosto, já que não pode de maneira nenhuma ser por causa do salário…
Aqui na Suíça não há salário mínimo (aliás, os suíços recusaram ainda há poucos meses a instituição de um salário mínimo nacional), em vez disso há um salário médio para cada função e que pode variar de cantão para cantão tendo em conta os contratos coletivos de trabalho nas empresas. Esse salário continua a ser muito elevado tendo em conta os padrões de Portugal, mas não os da Suíça 'apenas 9% dos trabalhadores recebem abaixo dessa fasquia (4000 francos)', e embora 4000 francos sejam aproximadamente 3300 euros, a vida aqui é muito cara em termos de bens essenciais sejam eles compras de supermercado ou renda de casa. Aqui nos Alpes (região de turismo de neve por excelência), um estúdio pode custar 1000 francos, que é como quem diz quase 830 euros (!!!) e um apartamento de tipologia T2, com 2 quartos facilmente chega aos 2500 francos, portanto uma realidade completamente diferente de Portugal.
E se pensarmos que aqui não há serviços de saúde públicos como em Portugal, a relação entre o salário e as despesas que se tem ainda é pior. A Suíça não tem um regime de Segurança Social em que os trabalhadores descontam uma percentagem do seu salário para a saúde e para as contribuições com a 3ª idade e com a infância (entre outras coisas), por isso todos os trabalhadores na Suíça (sejam nacionais ou estrangeiros) têm de ter um seguro privado por sua conta. Eu não tenho esse seguro porque sou abrangida por um regime especial, tendo em conta que sou funcionária pública portuguesa (nunca esta designação me soou tão mal!!), por isso tenho um seguro base fruto de um protocolo entre os governos português e suíço que me equipara a um cidadão suíço mas que não me facilita muito as idas ao médico, porque até posso não pagar na altura as despesas, mas hão de me chegar a casa, como de resto aconteceu na semana passada (relativo às anginas que tive em agosto e foram o motivo de ter ido 3 vezes ao médico, muito bem tratada por sinal com um rigor e uma preocupação diferentes de Portugal) e apesar de estar à espera de um valor alto, não consegui evitar ficar chocada com o valor de mais de 300 francos para pagar!
Depois de todos estes factos, resta-me focar-me no óbvio, que será diminuir ainda mais os gastos (que já são só os indispensáveis) e tentar pensar noutras coisas que não no salário, mas é difícil ser uma professora motivada se se ganha cada vez menos….

*respondendo à pergunta do título, costumo dizer que até de graça trabalhava se não tivesse contas para pagar, por isso para mim o dinheiro é SÓ um meio de obter bens que necessito para viver não algo que tenha de ter em excesso!

domingo, 6 de outubro de 2013

Semana 30 - Dia do Professor

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Hoje comentei com os meus alunos que era o Dia do Professor e eles reviraram os olhos...achei sintomático daquilo que as pessoas em geral e os alunos em particular acham de nós - um mal necessário... Não fiquei lá muito contente, mas a aula lá continuou no ritmo que era suposto ter e falámos sobre a implantação da República. De 18 miúdos dentro da sala só dois é que puseram o braço no ar quando perguntei se sabiam que dia era hoje!Dá-me que pensar saber que os miúdos são portugueses mas não vivem em Portugal e por isso mesmo não sabem muitas informações importantes sobre o seu país [eu tenho uma opinião sobre isto, mas há de ficar para outro post, porque se prende com outras circunstâncias...], mas sinto que é para isso mesmo que aqui estou.

Não sei em que circunstâncias decidi tornar-me professora, mas sei, com toda a certeza, que nunca quis ser outra coisa, mas nem todos os dias acordo com a certeza absoluta de que sei o que estou a fazer da minha vida! Faço o que gosto, claro que sim e quando os alunos ultrapassam dificuldades e dão aquele salto qualitativo que é perceptível por toda a gente, principalmente pelos pais, fico felicíssima e reitero a decisão, mas no início das aulas tudo me parece aterradoramente difícil e  só ter de pensar como é que vou dar a volta às turmas quase me tira o sono…
Realmente tenho dormido mal nos últimos dias, mas não deve ser disso! Em termos gerais, ter de vir dar aulas para o estrangeiro e para isso ter deixado toda a família e todos os amigos em Portugal não é nada fácil. Foco-me no mais importante no presente -  os alunos - e preocupo-me com tudo o resto fora do tempo das aulas. Nem sempre é fácil separar as águas, sabendo eu que a minha disposição influencia o trabalho da sala e o contrário também é verídico!
Sendo então os alunos a minha prioridade é normal que me preocupe com todos em geral e com os alunos do Secundário em particular. Estes têm aulas todos os juntos (os 3 anos e 2 níveis de Português diferentes, sendo que o 12º vai fazer exame no fim do ano...) e eu queria separar a turma. Não foi fácil convencer os miúdos a mudarem o horário, mas acho que até correu melhor do que eu pensei. Lá reclamaram que às 6as ao fim do dia estão cansados e não lhe apetece, mas consegui organizar-me com eles e passam uns a ter aula às 6as das 6.30 às 8.30 (nem quero pensar quando chegar o inverno e a neve…) e outros aos sábados às 8.30 de la matin!
Só é pena é que para estas mudanças vou abdicar de um dos meus dias de folga e vou acrescentar mais duas horas (não pagas) ao horário. Os miúdos não sabem nada disto e tenho cá a sensação que 2 horas de aulas a mais por semana não vão ser nada fáceis, mas assim até me sinto um bocado mais em consonância com as 40 horas de trabalho dos funcionários públicos em Portugal. Pois é que lá por estar aqui, também sou funcionária público e o meu salário também sofreu cortes e não foram nada pequenos!!

Voltando ao alunos, eu só espero que compense a alteração e que realmente eles aproveitem melhor as aulas, já que vai exigir esforço da minha parte. Eu não me importo, até porque quem corre por gosto não cansa, mas gostava era depois de colher os frutos disso! Que os conhecimentos dos alunos fossem desenvolvidos e explorados e que no fim do ano não me digam o que me disseram na primeira aula: ‘stôra, no ano passado não aprendemos nada!’

sábado, 16 de março de 2013

Semana 28 - Inspira, expira

some days
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Quem for hoje aqui ao blog ali ao lado deve pensar, e com muita razão, que sou bipolar! Ontem agendei o post sobre a felicidade porque me fez continua a fazer todo o sentido, mas para isso é preciso que as coisas se proporcionem, e se encaixem nos sítios certos. E nem sempre isso acontece.

Há dias em que acordo assim a pôr tudo em causa, em que estou só por estar, e a cabeça anda perdida noutro sítio qualquer. Penso num milhão de coisas e nada me faz sentido. Não me sinto deprimida nem nada que se pareça (bye-bye antidepressivos desde meados de fevereiro!), mas fico meio embirrada com a vida e com as partidas que nos prega e com as coisas que se alteram em menos de nada.

Não percebo porque é que por mais cedo que acorde chego sempre atrasada à primeira aula da manhã. Sei que me perco a fazer trabalho útil (ou talvez a agendar posts, porque me dá prazer!) e a imprimir fichas e a enviar mails para os formandos com o material das aulas.  Não percebo o que é isso tem a ver com esta ansiedade que nunca me larga. Não atino com o motivo porque é que quando ando stressada me dá um desejo incontrolável de comer chocolates e outras porcarias altamente calóricas (a química explica, I guess!) e que depois se revela em não me sentir tão bem como gostaria no corpo que tenho.

Não compreendo esta vontade de fazer tudo bem que se torna destrutiva e me faz andar sempre com a angústia de mão dada com a adrenalina. Gosto de ter tudo nos eixos, mas nem sempre a minha vida depende só de mim e quando não depende e tenho de desculpar os erros e as faltas de organização de terceiros, ainda fico a sentir-me mais irritada.

Há dias, como hoje, em que sinto que a minha cabeça vai explodir tal o ritmo dos pensamentos que por aqui vai. Espiral supersónica que nem com um cappucino acalmou. [No meio de todo este rebuliço, tento respirar fundo e manter a calma.]

Penso no meu avô que com 81 anos e sempre cheio de saúde e de força tem estado mais dias internado nos últimos meses do que no resto dos seus anos de vida. Penso nesta injustiça que é a vida e as doenças que nos traz. E do sofrimento que nos causa a todos. Aos que sofrem na pele os problemas, e aos que se sentem impotentes para aliviar os que amamos.

Lembro-me de todas as coisas boas que já me aconteceram e por mais estúpido que possa parecer, só me dá vontade de chorar. Penso em tudo o que gostava de fazer na vida e que, mesmo por serem coisas realizáveis, vão ficando sempre para segundo plano. Ainda para mais sabendo que há momentos importantes que daqui a uns anos vão ser lembrados com nostalgia mas com a sensação de terem passado rápido demais.

Penso no pouco tempo que passo com a minha família supostamente por causa do trabalho (que também me realiza), mas que não pode ser a ‘desculpa’ para tudo. Quando estou com eles fisicamente, a minha cabeça está normalmente focada no que vem a seguir, no que tenho para fazer dali a umas horas, mas quando não estou apercebo-me dos dias a passar e sinto que fico sem tempo e sem conseguir imortalizar aqueles momentos preciosos em que o meu sobrinho já balbucia algo mais que umas letras e o meu nome já soa quase, quase completo.

Vejo e leio as notícias na diagonal e dá-me um aperto no coração com estes acontecimentos. Caramba para estas coisas que acontecem a quem menos espera e que vê a sua vida levar uma reviravolta e fugir-lhe a esperança. É por estas e por outras, que vou desabafando por aqui o que me acontece, mas não me queixo.

Dias melhores virão, de certeza!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Semana 27 - Coisas estúpidas

stupid things
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Aqui há uns tempos surgiu uma polémica enorme na net acerca do comportamento das crianças, se são hiperativas ou mal-educadas a partir de uma crónica do Henrique Raposo. E eu fiquei a pensar se não vivemos todos numa sociedade demasiado permissiva e desculpabilizadora dos comportamentos dos infantes?

Quando li o artigo concordei (e agora ainda concordo mais!) porque há por aí muitos pais que decidem pôr crianças no mundo e depois se ‘esquecem’ do mais importante que é dotá-las de regras de convivência social. Há muita má-educação a grassar por esse país fora e alastra-se como fogo em mato seco, e chega uma altura que os pais deixam de ter poder para controlar. Noutras situações, os pais pegam no lado errado na questão e isso é muitíssimo frustrante! Sei que há muitas crianças hiperativas e tive alunos a tomarem medicação e muitas vezes a situação torna-se muito difícil de gerir, porque as crianças não são passíveis de serem amestradas, nem é isso que se pretende, mas concordo com o artigo principalmente na referência à falta de regras que vemos todos os dias basta sair à rua.

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Vamos imaginar a seguinte situação: escola com ótimas condições, professora de Inglês nas AECs dedicada e empenhada que se esforça por fazer aulas interessantes e motivadoras para os alunos, mas tem alunos que não se calam e se portam mal* - não respeitam a autoridade da professora nem demonstram ter o mínimo de conhecimento das regras da boa educação na sala de aula, que nem com recados, castigos e cópias de frases ’Tenho de me portar bem’ encaixam as ditas regras. Há um diálogo constante com os colegas titulares das turmas e ainda assim o comportamento dos alunos não melhora, mesmo depois de uma reunião com o responsável da associação de pais da turma mais problemática.

O que acham que acontece com um turma de 23 alunos? Há reuniões de pais com todos os professores envolvidos (neste caso eu e os colegas titulares) para se perceber porque é que os alunos se portam assim e encontrar-se medidas corretivas adequadas? Ou dispensa-se a professora? Um prémio para quem adivinhar!

Pois é, ganhou a hipótese B! Fui dispensada da escola onde gostava tanto de trabalhar por causa do comportamento do miúdos (achava eu que seria por causa dos problemas com essa turma, mas afinal houve queixas de indisciplina nas minhas aulas em 3 turmas diferentes, que eu ainda estou para perceber de onde vieram…) e mesmo estando agora mais conformada com a situação, fiquei indignada com a reles consideração que tiveram por mim. Não fiquei com ressentimentos contra ninguém, até porque eu não sou assim, mas quando há responsáveis de escolas que preferem o lado dos pais (já que são eles que providenciam muitas vezes os materiais necessários, exemplo disso – os quadros interativos) ao trabalho dos professores, acho que há um ponto importante que se perdeu no caminho! Sempre me disseram naquela escola que o meu trabalho pedagógico era ótimo -  as atividades com os miúdos, as fichas que preparava, as organização das aulas e a dedicação – o que ainda torna a situação mais surreal! Então se o meu trabalho é bom e são os miúdos que se portam mal, sou eu que sou dispensada?

Isto faz algum sentido?? Para mim definitivamente não! Aqui se vê que os comportamentos menos próprios e a falta de regras não são exclusivos de estratos sociais mais baixos. Do que tenho percebido, os pais com mais dinheiros mostram mais tendência mais desculpabilizar os filhos, porque a culpa não pode ser das crianças. Têm tudo o que querem e ainda se portam mal? Não pode ser!

actionsAhhh! Pois, se calhar o problema está na postura da professora, que não tem empatia suficiente com os meninos ou tem um energia um pouco agressiva. Mas é o quê? É óbvio que a empatia se tem ou não se tem, não conseguimos agradar a toda a gente e tudo isso influencia a relação que temos com as pessoas e delas connosco, mas se os miúdos vêm ter comigo no intervalo e falam comigo alegre e espontaneamente e gritam pela ‘teacher’ quando me veem no pátio, será que isso quer dizer que não gostam de mim? Devo ter os sensores da perceção avariados, então.

Eu não sei o que dizer mais, a não ser que foi uma conjugação infeliz de vários fatores e que culminou na minha saída de lá. Até parece que fui o bode expiatório de alguma coisa e eu até pensava que janeiro não estava a começar mal e até estava contente com os resultados do desafio 'Berra-me Baixo'! Esta 4ª feira fui lá organizar a papelada nos dossiers das turmas e ainda trouxe 2 para casa para acabar de pôr os trabalhos dos miúdos bem organizados para a colega que me vai substituir e fiquei a pensar no dinheiro que gastei: dossiers, separadores, resmas de papel, tinteiros e que obviamente nunca me foi pago. Gastei porque quis, para ter as coisas à minha maneira e organizar as aulas sem estar dependente do plafond das fotocópias (100 alunos não se torna fácil de gerir também a esse nível, porque mesmo que só quisesse 2 cópias por semana por turma no final do mês seriam 800 cópias e isso multiplicado por outros tantos professores não ia ser fácil, mas até isso eu compreendo) e no fim vejo-me a preencher avaliações intercalares de alunos que já não vou ter mais e ainda tenho de preencher avaliações finais para facilitar a vida à colega e para haver documentação do mês de janeiro.

No meio de tudo isto, o que é que se responde quando há um miúdo que vem ter comigo no pátio e me pergunta ‘teacher, quando é que voltas?’ Balbuciei qualquer coisa e virei-lhe as costas com o coração apertado e uma revolta enorme dentro do peito! O valor da dedicação realmente já não é o que era…

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* [há comportamentos muito piores e mais violentos, mas irritava-me solenemente não conseguir dizer mais do que duas frases seguidas sem ter de interromper e mandá-los calar!! Felizmente nunca tive de separar ninguém, porque não se agrediam, nem subiam mesas nem cadeiras, mas atiravam material escolar uns aos outros e passavam as aulas a cochichar!]

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Semana 26 - Como o tempo [ou então não…]

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É que dar ouvidos à tristeza pode trazer-nos coisas boas. Ela vai entrando na nossa vida com pezinhos de lã, guardando como objectivo combater o nosso impulso natural para a felicidade.
Há dias em que não consigo explicar esta tristeza que sinto e que me impede de andar para a frente. Em sentido metafórico, mas também literal, porque não raros dias dou por mim a não querer sair de casa e com ainda menos vontade de ver alguém…

Já me conhecendo há 28 anos e uns meses, dou por mim com a certeza de que isto em mim não é normal. Eu, a pessoa mais alegre e dinâmica que conheço, sempre cheia de energia, de coisas para fazer, de planos e de ideias, com vontade de estar em casa e de não sair?? Nestes dias recordo o que me trouxe até aqui e por mais que me foque em situações, pessoas e acontecimentos, sei que não valerá a pena esse exercício. Parece-me irrelevante querer saber o porquê das coisas. Sinto que o que preciso é de virar a cara à luta e ir em frente. A minha personalidade alegre não se sente bem em estar assim, mas sei que preciso de perceber o que é realmente importante para mim e passar a valorizar mais essas pequenas-grandes coisas.

Tenho escrito muito sobre isso aí ao lado (aqui, aqui, aqui e aqui), durante o verão fiz um exercício de valorização desses pequenos momentos que se transformam em coisas importantes (esse exercício tem-se mantido, mas não de uma forma tão contínua) e muitas vezes consigo olhar para a minha vida e ver que consegui torná-la algo de louvável e estou grata por isso. Fiz o balanço do ano passado e houve muitas coisas más, mas houve outras muito boas que me têm dado ânimo nos dias maus.

Sei que o que sinto não tem a ver com o estado do tempo. Desejei o verão aqui, mas não seria o verão em si. Gosto muito do calor, mas o que desejava mesmo era poder fechar-me na minha concha e ficar por casa entregue às minhas coisas. E depois vejo frases assim e penso: ‘Mas porque raio é que me sinto assim?’
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Descobri o que gosto de fazer [desde sempre é isto e é muito bom! Os sorrisos dos meus meninos é mesmo o melhor da profissão que me escolheu, apesar de haver dias em que não me apetece muito vê-los à frente…], ter oportunidade de o fazer e esforçar-me para isso. Infelizmente o reconhecimento do esforço nem sempre chega no final de cada dia e tenho-me sentido desmotivada, parece que o meu entusiasmo vai ficando em pedaços cada vez mais pequenos. Pode ser uma analogia muito estúpida, mas sinto-me como os sabonetes que vão sendo gastos de cada vez que são usados. De cada vez que dou uma aula, sinto que uma parte de mim fica lá, nos meus alunos, na dedicação que lhes dou, e se por um lado é recompensador, por outro mostra-me que o desgaste psíquico é uma caraterística da classe. Ainda não tinha pensado nisso assim.

E quando li este texto do Valter Hugo Mãe, ainda percebi isso melhor. Então, espaço a quem consegue conhecer a profissão do lado de fora, enquanto alguém que se sentiu ‘grande’ depois de aulas brilhantes.
“Mas sei, e disso não tenho dúvida, que há quem saiba transmitir conhecimentos e que transmitir conhecimentos é como criar de novo aquele que os recebe. Os alunos nascem diante dos professores, uma e outra vez. Surgem de dentro de si mesmos a partir do entusiasmo e das palavras dos professores que os transformam em melhores versões.”
Sei que a minha vida é um trabalho sempre inacabado para atingir uma melhor versão de mim mesma e se isso passa por momentos de reflexão e de ‘hibernação’ social, que seja. Só espero é que a felicidade da mudança e dos pequenos momentos não se perca pelo caminho. 
Quero ser uma versão de mim, mas uma versão mais feliz.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Semana 24 - Portugal ao contrário

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Sou pessimista porque sou lúcido, disse Manuel Cavaco em entrevista no Alta Definição e na altura, apesar de não concordar muito, guardei a frase porque podia vir a fazer sentido. Tinha razão.

Não é que me tenha transformado em pessimista, mas acho que esta crise veio fazer-nos olhar para as nossas vidas de uma forma mais crua. Eliminam-se os excessos, corta-se o supérfluo, perde-se o brilho no olhar, mas continuamos a viver neste país que é o nosso, pelo menos até perdermos toda e qualquer esperança que ainda nos reste na alma. A quem acontece isso, resta-lhe o sonho de que noutro lado será mais feliz do que neste país que parece que não nos quer cá. A nós jovens, ou até aos mais velhos que deixaram de acreditar no seu país e que muitas vezes saem de Portugal sem saber que condições vão encontrar! Agora lembrei-me que já tinha escrito sobre isso aqui, a propósito da manifestação de março do ano passado. E continuo a achar o mesmo!

Há umas semanas na formação profissional que estou a dar (a pessoas que estão desempregadas) discutiram-se os direitos adquiridos que desapareceram, a quantidade de burocracia existente em tudo o que é serviço público e toda uma série de problema que existem no nosso país e que só complicam a vida das pessoas. Eu só olhava para os meus formandos com um misto de compreensão e perplexidade. Em parte eu percebo a angústia das pessoas porque se sentem completamente devastadas com a perda dos direitos adquiridos e com o mau funcionamento das coisas em Portugal, principalmente com a facilidade dos despedimentos e o fraco ou inexistente controlo dessas situações por parte do Estado. Os ricos continuam a ficar cada vez mais ricos à custa dos contribuintes, que estão cada vez mais pobres e desempregados, porque o desemprego já atinge cerca de 15% da população ativa.

Os direitos pelos quais as pessoas lutaram e continuam a lutar estão a desvanecer-se num mar de medidas supostamente anti-crise que tornam cada vez mais difíceis as vidas das famílias. Já somos mais papistas que o Papa a apertar um cinto que já não tem mais buracos por onde apertar. As pessoas perdem o emprego, muitas famílias perdem as casas, a vida económica do país está a estagnar sem nada podermos fazer porque votámos neste governo e em todos os últimos governos que nos puseram nesta situação!

As pessoas manifestam-se com grande alarido ou
com um silêncio assustador contra tudo o que está a acontecer no país. Há greves, há marchas do povo que enchem as ruas de Lisboa e de várias cidades pelo país contra a Troika a instigar o regresso das vidas anteriores à crise, há imagens que marcam essas manifestações que não são mais do que uma tentativa de tornar mais humanas e mais racionais essas demonstrações do sentimento de revolta do povo português. Há quem abrace polícias ou quem lhe entregue cravos a relembrar uma outra revolução que mudou o país. Escreveu-se sobre isso na blogosfera a contar como foi quem lá esteve, viram-se reportagens durante toda a semana a contar o que aconteceu no dia 15 de setembro e ainda há referências a esse sábado como um dos mais marcantes dos últimos meses.

Depois há o outro lado. O sentimento da inevitabilidade do fado português. A vida é assim e não podemos fazer nada para a mudar, o que me irrita sobremaneira. Sei que muitas das pessoas que vão às manifestações e fazem greve, estão cansadas e queixam-se com razão, mas de que lhes vale queixarem-se e manifestarem-se se é só isso que fazem e não dão o seu contributo para que as coisas melhorem? O desemprego aumenta, mas quem ainda tem trabalho deve esforçar-se para que o seu trabalho importe e sirva de alguma coisa. Não é só a queixarmo-nos que as coisas se resolvem. É a trabalhar, é a dar o nosso melhor, é a tentar ver a vida por outro prisma, de outra perspetiva que podemos melhorar o nosso país. Há quem ‘invente’ T-shirts contra a Troika, quem faça contas à vida e tome opções mais coerentes com as condições atuais, quem se torne adepto do low-cost para conseguir continuar a fazer o que goste e a gastar muito menos.

z povinhoO governo devia aprender com as pessoas que uma logística equilibrada é feita de maior receita e menor despesa e por isso devia primeiro eliminar o que está a mais (despesas pesadas na máquina do estado que são os contribuintes que pagam: carros, luxos, assistentes, secretários e por aí fora…), e logo aí ser veria que não seria necessário aumentar tanto os impostos, porque a balança ia começar a ficar mais equilibrada. Ou então também pôr os olhos em medidas que se tomam lá fora que não prejudicam tanto as pessoas ou pelo menos atenuam as medidas de austeridade que nos são impostas todos os dias. 

bandeira matilde
Para além disso, devia ter-se mais atenção e respeitar a república, já que não se tem respeitado as pessoas. Ter uma bandeira ao contrário na comemoração do aniversário da instituição da República é grave e a meu ver sintomático do que se passa com o país! Já ouvi dizer que não vivemos num estado de direito, vivemos num ‘estado de sítio’.  Temos de levar as coisas com ironia, sim senhor (Já não há pachorra para tanta metáfora que envolve a bandeira ao contrário. Estamos tão sensíveis aos símbolos nacionais. Agora só falta todos aprendermos a cantar o hino. Ah, e votar!!!), mas também temos a obrigação de pensar no futuro do nosso país de uma forma séria, já que estamos a ficar sem esperança. O que mais se vê por estes dias em Portugal é gente sem esperança, sem fé no futuro. Gente que já não acredita num amanhã melhor.

Infelizmente não é só de gente crescida que estou a falar. Cada vez há maior dificuldade em explicar às crianças o porquê da crise. Porque é que têm de deixar de fazer as suas atividades preferidas ou porque é que têm de estudar se não sabem se vão ter emprego, ou porque é que o pai ou a mãe não tem trabalho ou porque é que as coisas em casa estão tão diferentes. Já há livros que explicam a crise às crianças, mas eu acho que as crianças precisam é de poder sonhar e não de estarem preocupadas com coisas que não compreendem.

Para mim, as crianças são o que de melhor um país tem, porque são elas que nos irão governar, por isso devem ter a sua infância resguardada dos problemas e aprender a crescer e a pensar. Se tiverem de crescer com meia dúzia de brinquedos em vez de terem um quarto cheio, concordo. Se tiverem de aprender a não serem esquisito com a comida, com a roupa ou com as brincadeiras, apoio a 100%. Se não puderem ir para a natação, podem ir correr para o jardim com os pais. E muitas outras variantes para o mesmo tema.

Há tempo para tudo, e neste tempo em que vivemos, também concordo que as crianças devem ser imunes o máximo possível a esta crise, mas tendo consciência de que os tempos em que vivemos são difíceis. Só assim conseguiram valorizar as coisas boas que têm. Aí também podemos aprender com elas. A valorizar as coisas boas que ainda temos, porque a nossa vida não pode ser só esta crise de que falamos todos os dias! Neste momento continuo um pouco otimista, mas muito mais lúcida! 

domingo, 7 de outubro de 2012

Semana 23 - Tamanho acima

weight realityUm dia destes falava com uma amiga sobre a importância dos tamanhos para o bem-estar das mulher e foi uma lufada de ar fresco ler o artigo da Activa de setembro sobre as modelos XL. Nem todas são somos esqueléticas nem queremos ser, mas parece-me que as lojas de roupa ainda não perceberam isso. Fazem roupa pequena para mulheres que têm a anca larga, peito grande e não vestem o 38 e depois é todo um acumular de frustração ao longo de anos e anos.

Sei que muitas vezes saí do shopping frustrada por não encontrar nada de jeito. Umas vezes a cor, outra o formato, mas na maioria o tamanho. Quase que me sinto obrigada a ser magra por causa das roupas que gosto. Continuo a não gostar muito de ir às compras porque não tenho gostado de nada e acho que é tudo demasiado caro. Dar 30€ por uma camisola acho um absurdo! E se ainda por cima fica justa ou tem um corte que só favorece quem tem menos peito, pior.

fluvia lacerda
É verdade que estou uns quilos mais magra e sinto-me melhor com o meu corpo, mas não deixei de te ter curvas, bastantes por sinal, as ancas continuam bem redondas e o peito também se mantém. Também sei que nunca vou conseguir vestir o 36 nem o 38! E ainda bem!

Só tenho a dizer que não percebo nada de design de roupas, mas acho que seria uma ótima ideia haver lojas em que os tamanhos se adequassem às mulheres reais? Acho que as empresas iam definitivamente ganhar mais dinheiro com isso, já que a maioria das mulheres não se encaixa nos números mais pequenos. 

A Zara tem os tamanhos cada vez mais pequenos e os preços cada vez mais altos, na Stradivarius e na Bershka só até ao L e mesmo assim são pequenos. Vá lá que a Mango tem baixado ligeiramente os preços, mas para quem vista o 44 a oferta não é muita, verdade se diga. Sei que na H&M os tamanhos são grandes e na coleção normal há até ao 46, e depois há a coleção tamanhos grandes que começa no 44 e termina no 60, se não me engano. O problema é que as roupas da coleção plus size não são muito do agrado das pessoas.

Lá porque uma pessoa tem peso a mais não significa que não seja feminina, certo? Vejam-se as fotos da Tara Lynn, candice huffineda Fluvia Lacerda, da Candice Huffine ou da Robyn Lawley, que são a prova provada de que os mulherões existem mesmo!

Bem, esta última ligeiramente mais magra, mas ainda assim veste o 44 e isso não a impediu de fazer uma campanha para a Ralph Lauren e de ser capa de várias revistas, como por exemplo da Vogue italiana ou da Elle francesa. É verdade que antes de a escolher para ser a cara da marca, a Ralph Lauren despediu uma modelo – Filippa Hamilton - por ter excesso de peso e não se coadunar nos parâmetros da marca. Se há coisas que não compreendo, uma delas é esta! Não acho nada mal contratarem uma modelo plus size para as campanhas da marca, só é condenável o terem feito depois de considerarem outra modelo com demasiado peso para as campanhas. Não me faz muito sentido…


size
Já escrevi sobre isto aqui, e continua a parecer-me muito bem que se valorizem as curvas femininas, que são isso que nos transformam naquilo que somos – femininas. Há vários tipos de corpo, obviamente, com mais ou menos curvas e há quem goste mais ou menos de se ver com as curvas que tem, mas a mim parece-me que se nos compararmos com quem é diferente de nós, só servirá para nos sentirmos inferiores. É óbvio que há sempre alguma coisa que podemos mudar no nosso corpo, não fosse o sexo feminino conhecido pela insatisfação natural, mas a comparação não nos torna mais felizes.

Se achamos que ter uns quilos a menos nos vai fazer mais felizes, porque não? Se nos sentimos felizes com os quilos que temos e com todas as bonitas curvas que temos, porque não? Eu acho que cada uma deve ser feliz à sua maneira, porque ser feminina depende principalmente da atitude que se tem para com o corpo que se tem.


É uma atitude confiante que nos torna atraentes, não é a quantidade de curvas. Até porque segundo consta: a curva mais bonita de uma mulher é o sorriso’ e isso é válido para qualquer uma de nós, desde que o sorriso seja confiante e convincente!

Quanto à tal atitude confiante acabei de ler isto: 'O espelho não mostra o que somos, só mostra o que queremos. O que é uma pena, porque às vezes (no peso e noutras coisas mais importantes) somos muito melhores do que o que vemos no espelho e do que pensamos' no blog da Divine Shape e não podia deixar de escrever aqui, porque resumo de uma forma sublime tudo o que quis dizer!
Com banda sonora a condizer e tudo! 

Something 'bout the way the hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
Without my hand behind it


'Your body is a wonderland' John Mayer

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Semana 20 - Das decisões ou da falta de poder de escolha

girls in library
via
A par do crescimento do desemprego, da agudização da crise em que o país mergulha, aumenta, a cada dia, o número de jovens que abandona o ensino superior por falta de dinheiro.
Já há quem nem chegue a candidatar-se. 

Parte dos que arriscam, está a deixar o ano lectivo a meio.
A reportagem é sobre o abandono escolar no Ensino Superior, coisa em que eu nunca tinha pensado a sério até ter ouvido a apresentação da reportagem como som de fundo na tv. Bem, eu sei que há imensas pessoas que desistem da faculdade por imensos motivos, mas realmente nunca tinha associado isso à crise. No entanto, como primeira análise, parece-me bastante redutor que na reportagem só tenham aparecido os casos dos alunos cujos pais deixaram de ter como pagar as despesas de um curso universitário. Há tantos outras situações que podiam ter sido referidas, mas como sempre, vamos falar da crise e como é um espinho na vida dos cidadãos.
Quem já passou pela vida universitária (e nem sequer estou a considerar estar-se deslocado noutra cidade!) tem a perfeita noção de que se gasta um balúrdio de dinheiro em fotocópias e livros e refeições e transporte, já para não falar das propinas. Sei que os valores chegam a ser assustadores (no ano em que entrei paguei 375€ anuais de propinas e 5 anos depois paguei 1000€!!!), e há bastantes pessoas que são trabalhadores-estudantes para conseguirem ter um pé de meia para os gastos, mas não houve nenhum caso assim retratado na reportagem. No meu caso, só trabalhei no último ano da faculdade e não foi propriamente para pagar as despesas universitárias, mas mesmo assim sempre ajudou a baixar o encargo dos meus pais porque passei a ter dinheiro para as minhas coisas. O meu marido começou a trabalhar em simultâneo com o 2º ano da faculdade e não está nada arrependido e também não foi porque os pais lhe tivessem pedido.
Admito que a minha primeira reação à reportagem foi de pena, ao ver nos olhares de alguns dos jovens entrevistados uma tristeza infinita por não ter possibilidade imediata de concretizarem o sonho de tirarem um curso superior. É verdade que ter um curso é importante, mas não me parece que deva ser o concretizar de um sonho. Deve ser, sim, um meio para atingirmos os nossos sonhos e nos realizarmos como profissionais talentosos e dedicados.
Quando a reportagem terminou senti que estes jovens que estão na universidade precisam mais de rumo do que de dinheiro. Se os pais não os podem ajudar, têm de ser eles a fazer pela vida, coisa que não me parece que muitos estejam habituados! Uma das entrevistadas dizia que lhe custa muito pensar em emigrar, mas a mim parece-me que, nas circunstâncias atuais, isso nem deveria ser um obstáculo. Em Portugal pensa-se sempre muito que os problemas que nos acontecem são catastróficos e vamos andando à volta do rabo, como os gatos, até estarmos ainda mais perdidos e desencorajados, em vez de se pensar que afinal as dificuldades atuais até podem ser um ponto de viragem. Não defendo que devamos todos abandonar o país, mas devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para melhorarmos a nossa própria vida!
Eu não sou a pessoa mais indicada para louvar as vantagens da universidade, porque para mim foi exatamente um meio para atingir a profissão que sempre quis ter, não foi uma época de festas e de diversão e de fazer amigos. Nunca fui de sair à noite, nem de grandes borgas, preferia estar na biblioteca do que no bar, tentava ter os trabalhos prontos a horas e esforçava-me por tirar notas razoáveis, tentava não me baldar. Portanto, como foram 6 anos de trabalho intenso não posso dizer que tenha sido a melhor época da minha vida. 
Foi bom? Sim. Cresci como pessoa? Sim. Melhorou a minha vida? Claro que sim. Deu-me a oportunidade de viver no estrangeiro e de moldar um dos meus sonhos, e só por isso já valeu a pena. Sei que seria uma pessoa diferente se não tivesse estudado ao nível superior, mas nunca é tarde para quem não tem possibilidade agora. Há cada vez mais possibilidades de se ingressar na faculdade sem ser no percurso ‘normal’ ao sair da escola. Não me parece o fim do mundo, mas não deixo de ficar pensativa sobre isto e sinto que é muito triste os pais não poderem ajudar os seus filhos…
No dia 23 foi Dia do Livro e ontem foi Dia da Liberdade, portanto só me ocorre dizer: 'Bolas para a crise que impede os nossos jovens de terem a liberdade de escolher se querem ou não traçar o seu futuro através de um curso superior!’

terça-feira, 5 de julho de 2011

Semana 11 – Here or there isn’t it the same?

distance in a relationship
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O dia está lindo e quando acordo assim, com os meus olhos a despertarem para um sol brilhante, apetece-me sempre pegar no telemóvel e ligar a alguma das 'minhas' pessoas, só para dizer: ‘Olá, bom dia. O dia está lindo e é maravilhoso ter-te na minha vida!’ Sounds lame, não é? Pois, eu sei que sim, mas estar a viver à distância deixa-me mais sensível que o costume, embora tente que isso não perturbe demasiado a minha vida.

Há dias em Berlim percebi que devo ser um caso estranho por não ligar para casa todos os dias. Apesar de gostar muito de estar em contato com os que amo não consigo ligar todos os dias, nem quero me liguem. Acabo por achar que muitas vezes só fazemos conversa de circunstância, embora noutras alturas me pareça que sei mais da vida de quem está do outro lado do telefone em 10 minutos de conversa do que quando nos encontramos ao vivo e a cores. A conversa fica mais concentrada e passamos do ‘olá, tudo bem?’ para assuntos realmente importantes, notícias espetaculares ou tristes (obviamente soube via telefone que a minha mana está grávida e que o meu primo se vai casar no próximo ano. Em 2005 também soube a notícia da morte de um familiar e um divórcio) e muitos planos para o futuro.

Acho sinceramente que ligar todos os dias seria um desperdício de dinheiro (malvado roaming…em 2005, a 1ª fatura de telemóvel foi de 600€!!!! acabou-se logo a vontade de falar todos os dias. 1 vez por semana começou a ser mais normal!) e para além disso, se com os meus pais já não falava todos os dias em Portugal (em 2005 ainda vivia lá em casa, por isso a maior preocupação era compreensível), agora que estou longe não vejo qual é a necessidade de mudar isso. Com o marido é que é mais estranho, porque durante 2 anos e meio de casamento (até ao dia 15 de março deste ano)  para além de nos vermos todos os dias, mesmo que muitas vezes fosse só à hora de ir dormir, trocávamos várias mensagens por dia. Tem lógica, uma vida em conjunto pressupõe uma rotina em que ambos temos uma parte essencial. Comigo aqui esse laço quebrou-se.

Claro que ‘falamos’ todos os dias, ou quase, mais que não seja uma mensagem escrita em que dê para eu ir sabendo dos planos que ele vai fazendo sozinho em casa ou com os amigos, assim como vou sempre contando sobre a minha vida aqui. Ficou mais engraçado desde que me veio visitar, porque assim já conhece os sítios de que falo.

E embora falemos com alguma regularidade, é muito mais natural que eu escreva no blogue (ali ao lado como já sabem). É mais fácil para mim, não estou limitada em termos de tempo, porque quando o marido está a trabalhar não podemos falar, obviously, e ainda para mais, permite mais carateres. E nestas coisas das relações à distância, e aqui não falo só de relações amorosas, o Facebook e o Skype também são ferramentas ótimas e sempre não se gasta tanto dinheiro.

Eu não preciso de ouvir a voz dos que amo para saber que estão bem. Se eles estão bem, eu também estou, estando no mesmo país, ou a não sei quantos quilómetros de distância. 
Se bem que às vezes um abraço fosse muito bem vindo!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Semana 10 – Vamos?


As viagens levam-nos onde o coração deixa. O sítio a que chamamos casa pode ser ao virar da esquina ou do outro lado do mundo. De pouco importa quando aquilo que nos define lá está.
Gosto de sair de casa. Stop. Gosto de ficar em hotéis. Stop. Gosto de ir. Stop. Gosto de viajar. Stop. Mas gosto muito de chegar. Stop. A qualquer lado. Stop.

Se isto fosse um telegrama seria o que eu diria. Resumindo, gosto acima de tudo de ir, daquela sensação boa que é ter um objetivo, um destino marcado e saber logo na casa da partida que vai ser divertido.

Viajar é em primeiro lugar os arrepios no estômago quando a viagem está a ser planeada. Aqueles tempos em que ainda reina a indecisão. Vou ou não vou? Vamos ou não vamos? E quando a decisão é sim, os arrepios passam a entusiasmo. E é o entusiasmo que me move quando começo a pensar naquelas coisas importantes para além do destino que já está decidido. Onde é que ficamos? E quantos dias? O que vou visitar? Será que o tempo vai estar bom?

Com todos os pormenores relativamente bem pensados e já ponderados e discutidos, o tempo começa a ser cada vez mais curto, até que chega o dia. Mala no carro ou às costas, conforme o tipo de viagem e agora vamos lá.

Primeiro a viagem – as últimas têm sido longas e cansativas - e  só depois a chegada. Só o alívio da chegada ao hotel – ou ao hostel, no caso desta – é comparável em grandeza ao desejo de ir. Na última ida, 8 horas de autocarro numa viagem chatinha e demorada, mas que podia ter sido pior. Não enjoei, o que, tendo em conta o histórico, já não foi nada mau.

Na chegada ao destino, mesmo que esteja de rastos, fico felicíssima, porque já sei que vou enriquecer um bocadinho mais a minha bagagem cultural, nem que esta viagem seja já uma 2ª visita. Há sempre sítios novos a visitar ou podemos visitar os mesmos, mas iremos com certeza experienciar novas sensações e sentimentos. E é tão bom matar saudades.

E quando acordo pela primeira vez numa cama diferente da do costume, num sítio novo já tenho pensado: ’Caramba, tenho tanta sorte!’ E sei que tenho sorte por poder estar a fazer uma das minhas atividades preferidas, que é sair da minha concha e misturar-me com as pessoas. Ser mais uma a poder dizer: Estive aqui. Fiz parte da vida deste sítio. Saboreei o que é viver aqui. E agora quero mais…

Não um querer egocêntrico, mas aquela vontade de coração aberto, de querer crescer, viver sempre mais, conhecer mais, pertencer a algum sítio, mesmo que esse sítio esteja em vários lugares. E mesmo que o coração comece a ficar muito repartido, em vez de abrir fendas, vai ficando cada vez maior.

E pertencer a algum sítio é pôr-se os pés fora da cama e desejar que o dia corra bem, mesmo que chova, mesmo que esteja um calor abrasador, mesmo que se ande no metro sem pagar bilhete, mesmo que por pouco não se tenha de dormir fora do quarto, mesmo que doam os pés. As coisas menos boas são sempre as que dão as melhores histórias.

Ser viajante é isso. É poder ir onde se quer, ver e conhecer o que é importante, ou então onde os nossos pés nos levam, tirar as fotos da praxe, ou de outros ângulos diferentes ou absurdos.  É perder-se nas distâncias e andar quilómetros a pé só porque não apetece apanhar o próximo transporte. É apanhar 2 molhas no mesmo dia. Estar lá e viver a vida noutro sítio. Deixar a rotina em casa e voltar a não ter horas com prazos de validade.

É simples. É querer e ir. Stop

terça-feira, 19 de abril de 2011

Semana 4 - E o que é que fazemos com o tempo?*


Time is the coin of your life. It is the only coin you have, and only you can determine how it will be spent. Be careful lest you let other people spend it for you.
Carl Sandburg (1878 - 1967)
Bem, na equação de 24 horas/3 = 8 horas de sono + 8 horas de trabalho + 8 horas de (suposto) lazer parece haver muito tempo para aproveitar da melhor maneira. Normalmente só parece, porque ao fim e ao cabo nunca ninguém está satisfeito a 100% com o rumo que dá ao seu tempo livre.

Por mim falo. Aqui, que tenho muito tempo livre, não tenho amigos nem família com quem sair e passear. Já tenho conhecido muita gente com quem tem dado para conviver, mas por mais queridos que todos sejam, as minhas pessoas são as minhas pessoas. E por causa disso mesmo acabo por passar muito tempo (às vezes demasiado) à frente do computador - que foi sempre uma das minhas actividades indoors preferidas - a escrever e ler emails, no facebook, a passear pela blogosfera e a dedicar-me aos meus blogues, não só porque adoro escrever aqui, mas também porque é mais uma maneira de partilhar a minha vida com os meus amigos e família (apesar de haver poucas pessoas na vida real que conhecem esta minha vida virtual).

Gosto imenso desta nova rotina que já criei aqui e que agora também inclui o ginásio. Ao início é sempre difícil habituarmo-nos a novas situações, mas já ultrapassei isso. E acho que tenho conseguido aproveitar o tempo da melhor maneira e sinto-me feliz com isso, mas compreendo perfeitamente que também tem a ver com o facto de não trabalhar com horário completo.

A minha querida Anna queixa-se que o tempo não dá para tudo e eu percebo-a perfeitamente. Pensamos sempre que são só 8 horas de trabalho, mas se virmos bem, acabam por ser muito mais, porque desde a hora a que acordamos de manhã até à hora a que chegamos finalmente a casa normalmente passam entre 10 a 12 horas, contando com o tempo até sairmos de casa, as deslocações e a hora de almoço. Obviamente que o tempo depois de chegarmos a casa não é assim tanto até irmos dormir. Ou perdemos horas de sono para fazermos o que gostamos, ou então não o fazemos. Parece muito simples, mas eu, que já estive dos dois lados, achei sempre muito difícil de equilibrar isso.

Para fazermos o que gostamos e perdermos horas de sono, ao fim de uns dias a dormir pouco, o corpo ressente-se. Eu que cheguei a dormir só 4 horas por noite para estar com amigos e na festarola, acordava irritadíssima e passava uns dias muito maus para quem tinha de lidar comigo. Houve outras alturas muito chatas, em que não era mesmo possível sair, e eu tinha de ficar em casa, e obviamente ao fim de uns tempos começava a ressacar as saídas e andar triste e depré por me sentir meio ‘orfã’ de amigos.

Por isso é que digo que nunca estamos contentes. O ideal seria dormirmos o tal sono de beleza (nas horas ideais para cada um) para acordarmos bem-dispostos, e depois trabalhar naquilo que nos dá prazer num sítio porreiro com colegas pelo menos simpáticos e se possível perto de casa para demorarmos pouco tempo nas viagens. E ao chegarmos a casa termos planos para fazer alguma daquelas coisas que gostamos muito (sair e tomar um café com amigos ou cinema, ou ler, ou qualquer outra coisa) que não se prolongasse pela noite dentro, para conseguirmos repetir tudo no dia seguinte.

Isto era o que eu gostava que fosse possível para mim. Durmo bem, o meu trabalho é perto e porreiro. Falta só tudo o resto

* pergunta retórica da melhor amiga