sexta-feira, 1 de abril de 2011

Semana 2 - Pelo gosto de cozinhar, ou será de comer?

Eu não sou daquelas pessoas que adora cozinhar e que é feliz na cozinha. Sinto-me mais do género tem-dias, mas acho que até tenho algum jeito, se me sentir inspirada porque não outros dias não funciono lá muito bem. Quanto aos cozinhados pelo menos nunca ninguém reclamou (falta de sal não é defeito, é feitio) e os nossos jantares lá em casa têm feito sucesso. Agora ter de cozinhar só para um, não é mesmo para mim.
Chateia-me ter de pensar o que me apetece comer e depois ter de preparar as coisas só para mim. Em Portugal comia muitas vezes pão com qualquer coisa, ou iogurte com cereais só para não ter de ir para a cozinha. Aqui vou pelo mesmo caminho, mas ao almoço pelo menos faço um esforço, porque uma pessoa não se alimenta como deve ser só à base de iogurtes, pão e cereais. Hoje por exemplo, fui às compras de manhã e trouxe uma embalagem de carne de vaca para goulash (que é como chamam aqui à carne de vaca para guisar) e fiz carne guisada com fusilli. Obviamente que fiquei muito contente comigo mesma, primeiro porque estava óptimo e porque agora tenho mais 2 refeições prontas. E mesmo que me apeteça outra coisa, já está a jeito para a próxima refeição.
Aqui em casa só me chateia não haver micro-ondas e ter de aquecer a comida no forno ou no tacho. Deve ser por isso que as minhas roommates não cozinham. Quer dizer, eu nunca vi nada ao lume nem senti o cheirinho bom da comida a cozinhar. Parece-me que às vezes lá fazem umas massas e outras coisas assim do género, mas agora fazer uma refeição como deve ser, ainda não me apercebi. Sustentam-se a chá, café e chocolate, deve ser isso.
Aqui na Alemanha, as pessoas realmente não parecem cultivar muito o hábito de cozinhar. Apesar de haver imensas variedades de vegetais e de haver mercados semanais em vários locais da cidade. O problema parece-me tem mais a ver com a oferta.
Há imensos sítios onde se pode comer fora e não são só restaurantes onde nos podemos sentar e almoçar. Aqui podemos falar principalmente de italianos e gregos. Pelo menos aqui é o que tenho visto mais. Há também muitos imbiss, que são sítios de comida rápida onde se pode comer de pé, ou então trazer take-away. Estes sítios vendem todo o tipo de comida: turca, chinesa, italiana, hambúrgueres, cachorros e batatas fritas, filetes de peixe e camarões panados (também há sandes e saladas neste sítio).
Já não para não falar dos cafés e bistrots e padarias que estão por todo o lado e vendem bolos e pão (algumas das imensas variedades de pão alemão) e também servem bebidas, os tais cappuccinos e latte machiatos e chocolates quentes e por aí fora. Estes sítios são sempre muito movimentados a qualquer hora e principalmente as padarias abrem muito cedo. Em frente à minha casa há uma padaria que abre às 6 da manhã para as pessoas poderem ter sempre pão fresco de manhã. 
Incluo-me definitivamente neste grupo e enquanto em Portugal se queria pãozinho fresco de manhã tinha de me contentar com o pão feito na máquina de fazer pão, que até é uma bela invenção mas que não satisfaz assim tanto, aqui tenho sempre a opção de ir à padaria à hora que acordar comprar umas bolinhas de cereais. Pão com cereais e uma caneca de leite com café, haverá melhor despertar?

quinta-feira, 24 de março de 2011

Semana 1 - Será este o país que queremos?

emigrar
Foto daqui
Vi este cartaz nas imagens que passaram na televisão acerca da manifestação e achei que esta frase de ordem faz todo o sentido, mas no que toca aos nossos interesses cada um sabe de si. Eu não fui à manifestação por vários motivos (que dão assunto para outro texto) e não sou extremista ao ponto de achar que só no nosso país é que estamos bem.
Obviamente que não vamos todos emigrar, porque assim ficaríamos sem país (o que não seria muito difícil, visto já estarmos sem governo) e não é isso que as pessoas querem. O que todos querem é melhores condições de vida e de trabalho, segurança para poderem fazer planos sustentados para o futuro, estabilidade financeira e um governo consciente. Nenhuma destas premissas tem estado nos patamares mínimos e as pessoas revoltam-se e manifestam-se, como se viu a 12 de Março.
Tenho a certeza absoluta que só emigra quem está mesmo no limite e não consegue as condições que acha mínimas para viver em Portugal. Os que não emigram acabam por (sobre)viver com os mínimos possíveis, muitas vezes com enormes sacrifícios, como se tem vindo a perceber nas reportagens que se vão vendo nos meios de comunicação social. A grande maioria das pessoas não quer emigrar, quer que o país melhore. Seria quase certo que se o país proporcionasse às pessoas boas condições os nossos emigrantes poderiam voltar, principalmente os nossos ‘cérebros’ que estão noutros países a trabalhar para instituições estrangeiras conceituadas. Como isso não acontece, vamos ficando cada vez mais pobres, com as pessoas capazes de mudar alguma coisa a viver no estrangeiro.
Eu adoro o meu país onde vivi 26 anos (sem estar a contar com os seis meses que já estive a viver como aluna Erasmus aqui na Alemanha), mas achei que neste momento da minha vida a melhor decisão que podia tomar seria vir viver para outro país. Em termos profissionais não havia muito que eu pudesse esperar. A trabalhar a recibos verdes em três sítios diferentes e a ganhar pouco mais que o ordenado mínimo, sem qualquer tipo de segurança, que tipo de planos para o futuro é que eu podia fazer? Ter um filho estava e ainda está completamente fora de questão.
Claro que Portugal tem muitas coisas boas e são essas coisas que quero conseguir valorizar quando regressar. Não é só a beleza do país que importa, nem a hospitalidade e a simpatia do nosso povo. Isso interessa muito para o turismo, que até se está a tornar um dos pilares da nossa economia, mas se não organizarmos primeiro a nossa sociedade, os turistas deixarão de nos visitar, porque as condições de vida do povo ainda deixam muito a desejar, comparando com os nossos vizinhos da Europa.
Há muito que se pode fazer, e não estou a dizer para tirarmos a papel químico o que se faz na Europa, mas perceber o que melhor se faz noutros países para podermos adaptar à nossa sociedade e sairmos deste poço cada vez mais fundo em que estamos. Se continuarmos neste jogo do empurra sem se chegar a nenhuma conclusão nem solução nunca mais nos endireitamos. E aí nem as nossas coisas boas nos safam…

terça-feira, 22 de março de 2011

Semana 0

Logo eu que ando sempre a tentar que a minha mãe não descubra o meu blog, dei por mim a seguir um dos  conselhos mais loucos dela. Achando que sou muito criativa e que agora na Alemanha iria ter muito tempo livre disse-me que uma ideia a pensar seria escrever um livro. 'Um livro??' pensei eu, acho que não tenho estofo para nada com essa envergadura. Crónicas talvez, mas nada de muito estruturado.
Vou escrevendo o que me apetece, como sempre faço ao ir observando o que me rodeia.