segunda-feira, 27 de junho de 2011

Semana 10 – Vamos?


As viagens levam-nos onde o coração deixa. O sítio a que chamamos casa pode ser ao virar da esquina ou do outro lado do mundo. De pouco importa quando aquilo que nos define lá está.
Gosto de sair de casa. Stop. Gosto de ficar em hotéis. Stop. Gosto de ir. Stop. Gosto de viajar. Stop. Mas gosto muito de chegar. Stop. A qualquer lado. Stop.

Se isto fosse um telegrama seria o que eu diria. Resumindo, gosto acima de tudo de ir, daquela sensação boa que é ter um objetivo, um destino marcado e saber logo na casa da partida que vai ser divertido.

Viajar é em primeiro lugar os arrepios no estômago quando a viagem está a ser planeada. Aqueles tempos em que ainda reina a indecisão. Vou ou não vou? Vamos ou não vamos? E quando a decisão é sim, os arrepios passam a entusiasmo. E é o entusiasmo que me move quando começo a pensar naquelas coisas importantes para além do destino que já está decidido. Onde é que ficamos? E quantos dias? O que vou visitar? Será que o tempo vai estar bom?

Com todos os pormenores relativamente bem pensados e já ponderados e discutidos, o tempo começa a ser cada vez mais curto, até que chega o dia. Mala no carro ou às costas, conforme o tipo de viagem e agora vamos lá.

Primeiro a viagem – as últimas têm sido longas e cansativas - e  só depois a chegada. Só o alívio da chegada ao hotel – ou ao hostel, no caso desta – é comparável em grandeza ao desejo de ir. Na última ida, 8 horas de autocarro numa viagem chatinha e demorada, mas que podia ter sido pior. Não enjoei, o que, tendo em conta o histórico, já não foi nada mau.

Na chegada ao destino, mesmo que esteja de rastos, fico felicíssima, porque já sei que vou enriquecer um bocadinho mais a minha bagagem cultural, nem que esta viagem seja já uma 2ª visita. Há sempre sítios novos a visitar ou podemos visitar os mesmos, mas iremos com certeza experienciar novas sensações e sentimentos. E é tão bom matar saudades.

E quando acordo pela primeira vez numa cama diferente da do costume, num sítio novo já tenho pensado: ’Caramba, tenho tanta sorte!’ E sei que tenho sorte por poder estar a fazer uma das minhas atividades preferidas, que é sair da minha concha e misturar-me com as pessoas. Ser mais uma a poder dizer: Estive aqui. Fiz parte da vida deste sítio. Saboreei o que é viver aqui. E agora quero mais…

Não um querer egocêntrico, mas aquela vontade de coração aberto, de querer crescer, viver sempre mais, conhecer mais, pertencer a algum sítio, mesmo que esse sítio esteja em vários lugares. E mesmo que o coração comece a ficar muito repartido, em vez de abrir fendas, vai ficando cada vez maior.

E pertencer a algum sítio é pôr-se os pés fora da cama e desejar que o dia corra bem, mesmo que chova, mesmo que esteja um calor abrasador, mesmo que se ande no metro sem pagar bilhete, mesmo que por pouco não se tenha de dormir fora do quarto, mesmo que doam os pés. As coisas menos boas são sempre as que dão as melhores histórias.

Ser viajante é isso. É poder ir onde se quer, ver e conhecer o que é importante, ou então onde os nossos pés nos levam, tirar as fotos da praxe, ou de outros ângulos diferentes ou absurdos.  É perder-se nas distâncias e andar quilómetros a pé só porque não apetece apanhar o próximo transporte. É apanhar 2 molhas no mesmo dia. Estar lá e viver a vida noutro sítio. Deixar a rotina em casa e voltar a não ter horas com prazos de validade.

É simples. É querer e ir. Stop

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Semana 9 - Abster-se não significa que irá melhorar!

vote via

 Abstenção atinge valor recorde na história das legislativas no Público

Não era nada que já não se esperasse, mas ainda assim fiquei surpreendida pela negativa. O valor mais elevado de sempre?! Estando o país em crise profunda a vários níveis, com a troika BCE/Comissão Europeia/ FMI a governar resolver os problemas do país nos próximos anos e depois de tantas manifestações, protestos, críticas e descontentamento, acho que não se justifica isto!!

Eu não votei por razões logísticas. Cheguei cá à Alemanha em meados de Março e com tantas coisas para resolver nem me lembrei disso. Quando comecei a pensar que para votar me deveria recensear aqui, já não podia porque isso deveria ter sido feito até ao dia 6 de Abril. Desde que tenho cartão de eleitora só não votei uma vez e também porque estava aqui na Alemanha na altura.

Se estivesse em Portugal claro que teria ido votar, as usual na escola primária ao lado da minha casa e teria sido menos uma a contribuir para a abstenção. Que para não variar foi a vencedora destas eleições. Apesar de se saber que não há nunca nenhum candidato ideal - e no panorama atual ainda se torna mais difícil que isso aconteça - é sempre mais fácil assobiar para o lado e fingir que não é nada connosco, do que se tomar uma atitude. Mais que não seja para depois se poder reclamar com razão. Eu acho uma falta de respeito e de responsabilidade cívica para com o país (que no fim de contas é composto por todos nós) as pessoas só reclamarem e não fazerem nada para mudar isso. Tenho consciência que muito provavelmente o PSD iria ter mais votos, mas os partidos menos representativos também, o que ajudaria a equilibrar mais as contas.

Pelo menos há unanimidade numa coisa: a demissão do ex-primeiro-ministro da liderança do PS. Admito que noutras eleições votei nele, esperando que fizesse alguma coisa pelo país, visto que seria um rosto menos conhecido e menos permeável aos ‘amiguismos’. Afinal a personalidade e postura arrogantes, nunca admitindo erros e metendo os pés pelas mãos em várias circunstâncias não beneficiaram o país. Com certeza que houve coisas que devem ter sido bem feitas, mas muitas vezes as polémicas abafaram tudo isso.

Fico contente por saber que saiu do poder, mas como diz a Cocó também estou céptica quanto a este primeiro-ministro. No início da campanha parecia uma coisa, mas ao longo do tempo também tem dado calinadas e feito alguns erros. Estou expectante para ver como vai conseguir gerir o país nestas condições, e principalmente para ver se não vai cair nos mesmos erros do PS. E preocupa-me haver um primeiro-ministro e um presidente da República da mesma cor política.

Quanto à abstenção, acredito que com esta percentagem de não-votantes se deveria era começar a refletir sobre o ato de votar como obrigação. A meu ver, a solução, que já não é nova, passaria por instituir o voto obrigatório* e com multa caso não fosse cumprido. Se as pessoas não cumprem os seus direitos, pelos menos assim seria uma democracia mais justa, com mais participação política.

* A prática do voto obrigatório remonta à Grécia Antiga, quando o legislador ateniense Sólon fez aprovar uma lei específica obrigando os cidadãos a escolher um dos partidos, caso não quisessem perder seus direitos de cidadãos. by Wikipedia

terça-feira, 31 de maio de 2011

Semana 8 - Crónica de um domingo que se previa triste

girl in bus boho-chic

“There are no foreign lands. It is the traveler only who is foreign.”
Robert Louis Stevenson

O coração não pára quando deixo de ver quem amo do outro lado do vidro. Nem a vida deixa de rolar. Mas a tensão sobe-me ao peito porque ainda há 5 minutos estávamos a falar e agora estou novamente entregue aos meus pensamentos.

E para não me deprimir começo a pensar: ‘e agora como é que eu saio daqui?’ Estou a falar mesmo literalmente, porque isto de andar por sítios que não se conhece tem estes inconvenientes. Mas como já disse algumas vezes nos últimos 15 dias: ‘Eu nunca perdi nenhum autocarro nem nenhum avião por terras alemãs, não vou começar hoje’. E ainda não foi desta.

Pela primeira vez no aeroporto de Hannover, sei que o S-Bahn não está a funcionar e não há placa a anunciar autocarros à vista. (Costuma haver ligação direta estação-aeroporto, mas no domingo estava parada, por isso fomos de táxi para lá.) Portanto, primeira coisa a fazer: ir ao posto de informações saber onde são os autocarros. Relativamente perto e até está um na paragem. Pergunto ao motorista se passa pela estação. ‘Não, mas passa pelo centro da cidade mais próxima e lá pode apanhar o S1 para a estação. Um segundo para decidir. Ok, óptimo. Eu já sei que nem sempre a maneira mais direta é a mais rápida. E isto aplica-se a tudo na vida. Com pequenos desvios também se chega ao destino e muitas vezes conhecem-se pessoas interessantes. Como hoje, por exemplo.

Entro no S, sento-me e à minha frente sentam-se duas raparigas pouco mais velhas que eu a conversar em inglês. Uma, a loira, explicava um mapa à outra, morena, magrita, de óculos e de cabelo comprido com uma mala de porão vermelha. Percebo que o mapa será de Hannover e começo a ler o meu livro. Em português, claro.

Quando me levanto para sair à chegada à estação, a rapariga morena está ao meu lado já sozinha, nem me apercebi que a loira já tinha saído entretanto, esta distração só pode ser por causa do livro, e pergunta-me ‘Mora aqui?’ em bom português. Bem, português com sotaque brasileiro, para não faltar à verdade, o que me faz sorrir surpreendida. Respondo-lhe e falamos um pouco. Fico a saber que a moça era brasileira de São Paulo e que estava em Hannover para uma feira de móveis que estaria a decorrer na cidade. Ainda a convido para um café, mas ainda tinha ‘treinamento’ e já não deu. Fiquei com pena, porque me pareceu que estava a precisar de companhia. Tinha uns olhos tristes.

Então comprei um heiβe Schokolade, phones nos ouvidos e apanho o comboio.  Uma hora e outro tanto de viagem até casa, que me apetecia interminável. Sol na janela, um bom livro, música e lembranças de sorrisos. Estas viagens assim costumam fazer-me bem e esta não foi exceção.
Apesar de ter ido deixar o mais-que-tudo ao aeroporto, mentalizo-me que a vida é muito mais que tristezas. 


(escrito domingo, dia 29 de Maio)

sábado, 21 de maio de 2011

Semana 7 - Breaking the reality

blog
Amigas tenho muito poucas. As da vida real contam-se pelos dedos de uma mão. Agora conhecidos tenho imensos. Daqui, dali e de além. Da infância, da escola, do sítio onde morei quase toda a vida, dos trabalhos e várias ocupações que tenho tido, as amigas do marido e por aí fora. E de há uns anos a esta parte, também entram nesta categoria os conhecidos da blogosfera. E o mais engraçado é que para além de conhecer centenas de pessoas e não haver ninguém de quem eu diga: ‘odeio esta pessoa’, também são poucas aquelas em quem posso confiar cegamente, ou com quem possa contar para as coisas realmente importantes.

Claro que a vida real é uma coisa e a vida virtual outra completamente diferente. E é óbvio que eu sei que não posso contar com ninguém da blogosfera para coisas que impliquem presença física, porque só há uma pessoa que conheço fisicamente e já era minha amiga antes de ambas termos blogs. Mas em termos de relações humanas, acho que a blogosfera consegue ser um mundo mais verdadeiro do que a vida real. (Eu não estou a falar naqueles blogs que se denominam hate blogs nem naqueles blogs de sátira. Cá me parece que quem se dedica a isso não deve ter mais nada que fazer na vida. E deve ter sido taxidermista noutra encarnação, visto que agora se dedique a dissecar a vida dos bloggers. A mim parece-me tudo muito simples: não gosta, não lê, não comenta e não chateia. Ponto final.)

Como na maioria dos casos não conhecemos as pessoas pessoalmente haverá, penso eu, mais tendência para só dizermos de nossa justiça e comentarmos o que tem mesmo a ver connosco. Aqui se nota que não sou adepta do eu-sigo-o-te-blog-e-tu-segues-o-meu. Eu tenho mais de 100 blogs no Google Reader e à exceção de uns muito conhecidos: como o da Pipoca mais Doce ou o da Pólo Norte que já sigo há muito tempo eu que me divertem, como a tantas outras pessoas, mas que raramente comento (apesar de já ter enviado algumas fotos a dizer I love Pólo Norte para o Quadripolaridades); os outros blogs todos posso considerá-los um bocadinho blogs de proximidade.

Mas é o quê? Pois, sinto-me próxima das pessoas porque em determinada altura me identifiquei com a vida de quem escreve, com alguns acontecimentos ou situações que descreve, com as fotos, as músicas ou as frases que vão publicando. Nestes casos vou deixando sempre alguns comentários, quando aquilo que leio reflecte de certa forma a minha vida.

E depois há os outros, aqueles que eu gosto muito, onde sou comentadora assídua, porque me sinto em casa por lá e porque encontro muito de mim nas palavras de outros. Muito provavelmente na vida real não teremos nada em comum, mas o meu instinto não me tem falhado. E acho muito giro quando quem escreve nos blogs que sigo e comento também me comenta. Não sei se identificam com o que escrevo ou se aquilo que escrevo fará algum sentido, mas a verdade é que me sinto acarinhada por haver gente que se dá ao trabalho de ‘me’ ler e comentar o que escrevo, mesmo não me conhecendo pessoalmente.

Essa será uma das razões pelas quais acho que a blogosfera não tem comparação possível com a vida real, porque não conhecendo as pessoas ao vivo, seremos ‘fãs’ daquilo que escreve. Bem, aqui poderia pegar naquilo que tanto se fala, que é o ‘marketing pessoal’. Eu não empolo situações que aconteceram na minha vida nem ando a fazer-me passar por quem não sou, só para alimentar o ego. Quem me conhece pessoalmente encontra no blog um espelho de mim. E muitas vezes tenho receio de me expor demais. Mas ao contrário de mim, tenho a certeza de que haverá por aí muita gente que tenta ser mais do que é só para preencher uma vida vazia. Adiante…

Não será também possível equiparar a blogosfera à vida real, porque na vida real não andamos a meter conversa com as pessoas – eu pelo menos não ando –, enquanto que por aqui podemos comentar os blogs que gostamos e se houver empatia recíproca, acabamos por ter bastante interação com as pessoas, podendo extrapolar da vida virtual para a vida real.

Da minha parte, gosto muito de conhecer a cara e os olhos de quem escreve o que gosto de ler. E não me parece que seja assim uma coisa tão transcendente tornarmo-nos amigos das pessoas no facebook. Eu acho graça a conhecer um bocadinho mais das pessoas através dos estados do facebook. Quem nunca teve um amigo ou amiga no Mirc com quem gostasse de se encontrar pessoalmente? Ou com quem trocasse sms? Pois, é a mesma coisa. A tecnologia é que vai evoluindo…

terça-feira, 10 de maio de 2011

Semana 6 - To teach or not to teach...

teach
O senhor Galileu até pode ter muita razão, mas como é que nós vamos fazer ver à criançada que tem tanta coisa para descobrir por si própria, se os miúdos não conseguem estar 5 minutos calados? Estou em crer que estou a pagar penitência pelos inúmeros ralhetes dos professores durante os 12 anos de escolaridade ‘obrigatória’.

É que uma coisa é haver burburinho na sala, outra coisa bem diferente é não fazerem nada a não ser conversar. Eu sei que sempre fui faladora demais e que muitas vezes tinha de ser chamada a atenção, mas quando era para trabalhar, trabalhava e se era para estar calada também não havia problema. E o que mais me envergonhava era que os professores dissessem o meu nome na aula e a seguir um ‘Calada!’ bem alto. Ficava coradíssima e enquanto me lembrasse disso, não abria a boca! Ao contrário dos alunos de agora, que não se importam nada de ser chamados à atenção e ainda gozam a situação e aproveitam para se rir e conversar mais um bocado. Quando começam assim, só me apetece pregar-lhes um calduço para ver se aprendem a fechar a matraca!

À parte de ainda ser nova nisto de ser professora e ter de preparar aulas e organizar materiais e tal, o que me chateia mais é mesmo o comportamento dos miúdos. Se eu ainda ando a ‘apalpar terreno’ na organização das aulas, os miúdos estarem sempre a falar e com pouca atenção também não ajuda muito. Pois, é que ter de preparar as aulas e os materiais e as fichas e a sequência das actividades já não é nada fácil, tendo em conta que temos de tentar sempre motivar os alunos para que não dispersem a atenção e gostem do que estão a fazer, então fazer isso e gerir as atitudes e os comportamentos deles numa sala em que tenho 3 níveis diferentes é assim uma coisinha gira, gira! Ontem foi a primeira aula em que senti que tínhamos conseguido cumprir os objectivos, embora haja ‘criaturas’ que me continuem a irritar.

Sim, porque seria injusta se dissesse que não há alunos que gosto mais do que outros, mas para ser politicamente correcta nós dizemos que gostamos de todos por igual, embora haja alguns que nos dão ‘pica’, porque querem saber mais e fazer mais e aprender tudo o que há para aprender. - Eu acho que fui uma aluna assim –. E depois há os outros, os que vão às aulas porque são obrigados, mas que preferiam estar noutro sítio qualquer a fazer outra coisa. Os que têm como divertimento preferido nas aulas chatear os professores. Uma vez disse a um miúdo do 10º ano ‘Se não estás aqui a fazer nada e só estás a perturbar a aula, faz o favor de sair!’ e o miúdo saiu mesmo! Depois eu fiquei a sentir-me um bocadinho angustiada, porque tinha de justificar à Directora de Ano aquela falta, mas ela disse que eu fiz muito bem e realmente ele começou a portar-se melhor!

Acho que percebeu que tinha esticado a corda ao máximo e lhe tinha corrido mal. Mas o que fazer quando eu sou a única responsável pela gestão dos conflitos, ou melhor dizendo, sou a responsável para o bem e para o mal, pelas aulas, pela gestão dos horários e das turmas e de tudo o que acontece relativamente aos cursos? Há dias em que me sinto a navegar num barco à vela sem sair do mesmo sítio e sem qualquer ajuda possível. Bem, eu sei que tenho um coordenador, mas passam-se semanas sem falar com ele e já percebi que é suposto as coisas seguirem com normalidade e sem haver muita interação.

Nas escolas portuguesas, apesar de todas as queixas e problemas, quando há algum dúvida ou situação para resolver há sempre alguém a quem recorrer. Aqui resta-me organizar tudo o melhor possível para que não haja dias em que me apeteça pregar uma estalada em algum cachopo. Diz que é anti-pedagógico e que as crianças ficam traumatizadas! Eu até não sou apologista da violência, mas há vezes em que me parece que há 30 anos era melhor, porque os miúdos tinham mais respeito aos professores. Não sei se seria por causa das reguadas ou se a escola realmente teria maior importância na vida das famílias.

O que eu sei é que a minha mãe só fez a primária e foi a melhor aluna do 4º ano e o meu pai (apesar de ter chumbado no 8º ano) conseguiu completar o 11º ano e nenhum ficou traumatizado com reguadas ou castigos e souberam transmitir a importância dos estudos. Está a parecer-me é que tenho de ir saber como é que isso se faz, porque há dias em que me apetece tudo menos dar aulas a miúdos que não têm muita vontade de aprender!

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Semana 5 - Já não é nada como antigamente

shut computer, meet someone
Uma das actividades a que me tenho dedicado mais nos últimos tempos é a surfar na internet. Passo horas online e muitas vezes sinto que em vez de perder horas de vida, ganho nas pessoas que conheço, nas vidas que se vão cruzando com a minha. Isso vale o que vale, porque não se chega a conhecer realmente as pessoas, se todo o contacto é via comentários, posts, emails e estados do facebook. Uma pequena parte de nós que passa para o outro lado do monitor.
Com este tipo de interacção sinto que falamos demais de nós e de menos dos outros. Trocamos ideias sobre tudo e mais alguma coisa com pessoas em quem nunca pusemos a vista em cima e que muito provavelmente nunca se cruzariam no meridiano da nossa vida real. Lemos opiniões díspares sobre milhares de assuntos e vamos deixando as nossas opiniões e comentários também espalhados aqui e ali, o que não é lá muito propício à criação e manutenção de amizades, ainda que virtuais. Há aquelas pessoas que se vão tornando mais constantes na nossa vida virtual, mas ainda assim, não há nada como conhecer as pessoas frente a frente, olhos nos olhos. E não é claramente sentados em frente de um monitor que a coisa vai acontecer.
Isto é o que torna a realidade virtual isso mesmo, virtual. E o verbo sofalizar possível. As novas tecnologias vieram permitir situações impossíveis há alguns anos. O telemóvel mantém-nos sempre em contacto, ainda que muitas vezes seja irritante e inconveniente, a internet facilita-nos as pesquisas sobre qualquer assunto e permite-nos encontrar pessoas há muito desaparecidas das nossas vidas – tenho reservas quanto a isto, por isso tenho 20 pedidos de amizade pendentes –, e encontrar outras tantas fora do nosso círculo de amigos, do nosso país ou até do nosso continente. Acredito muito mais nas potencialidades da internet quanto aos contactos com pessoas com quem nos identificamos, mas que não moram perto de nós, do que nos reatamentos de relações que tiveram o seu lugar no passado e era lá que deviam continuar. Nisto o facebook veio trazer problemas onde eles antes não existiam.
Embora o facebook tenha também uma função mais positiva, que é a de almofada de embate contra a rejeição. Pois, porque se antes as pessoas se conheciam das maneiras ditas ‘normais’: os grupos de amigos ou de colegas da escola, as actividades lúdicas ou desportivas em comum, de há uns anos a esta parte conhecem-se pessoas na internet, primeiro nos chats, depois no hi5 (me-do) e agora no facebook. E sendo mais fácil meter conversa, ‘ai que és tão gira e tal, queres ser minha amiga no facebook, para podermos trocar umas ideias e uns gifts do farmville’, o risco da rejeição não é tão evidente. Se a pessoa não gosta, ignora em vez de ter de fazer aqueles sorrisos amarelos como já todos fizemos: ‘Ahhh, pois sim, tu és muito fofo e tal, mas só me fazes lembrar o Manel Jaquim e credo, que feio que o gajo era. E veio a descobrir-se ainda se tornou modelo’ .
É por estas e por outras que mais dia menos dia, mais coisa menos coisa, gosto de combinar coisas in person com aquelas pessoas que realmente me dizem algo e com quem me identifico. Para tirar as teimas e ver se são mesmo aquilo que escrevem, ou se me identifiquei com um avatar. Também podia ser, mas essa história já é mais que conhecida e prefiro passar ao lado.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Semana 4 - E o que é que fazemos com o tempo?*


Time is the coin of your life. It is the only coin you have, and only you can determine how it will be spent. Be careful lest you let other people spend it for you.
Carl Sandburg (1878 - 1967)
Bem, na equação de 24 horas/3 = 8 horas de sono + 8 horas de trabalho + 8 horas de (suposto) lazer parece haver muito tempo para aproveitar da melhor maneira. Normalmente só parece, porque ao fim e ao cabo nunca ninguém está satisfeito a 100% com o rumo que dá ao seu tempo livre.

Por mim falo. Aqui, que tenho muito tempo livre, não tenho amigos nem família com quem sair e passear. Já tenho conhecido muita gente com quem tem dado para conviver, mas por mais queridos que todos sejam, as minhas pessoas são as minhas pessoas. E por causa disso mesmo acabo por passar muito tempo (às vezes demasiado) à frente do computador - que foi sempre uma das minhas actividades indoors preferidas - a escrever e ler emails, no facebook, a passear pela blogosfera e a dedicar-me aos meus blogues, não só porque adoro escrever aqui, mas também porque é mais uma maneira de partilhar a minha vida com os meus amigos e família (apesar de haver poucas pessoas na vida real que conhecem esta minha vida virtual).

Gosto imenso desta nova rotina que já criei aqui e que agora também inclui o ginásio. Ao início é sempre difícil habituarmo-nos a novas situações, mas já ultrapassei isso. E acho que tenho conseguido aproveitar o tempo da melhor maneira e sinto-me feliz com isso, mas compreendo perfeitamente que também tem a ver com o facto de não trabalhar com horário completo.

A minha querida Anna queixa-se que o tempo não dá para tudo e eu percebo-a perfeitamente. Pensamos sempre que são só 8 horas de trabalho, mas se virmos bem, acabam por ser muito mais, porque desde a hora a que acordamos de manhã até à hora a que chegamos finalmente a casa normalmente passam entre 10 a 12 horas, contando com o tempo até sairmos de casa, as deslocações e a hora de almoço. Obviamente que o tempo depois de chegarmos a casa não é assim tanto até irmos dormir. Ou perdemos horas de sono para fazermos o que gostamos, ou então não o fazemos. Parece muito simples, mas eu, que já estive dos dois lados, achei sempre muito difícil de equilibrar isso.

Para fazermos o que gostamos e perdermos horas de sono, ao fim de uns dias a dormir pouco, o corpo ressente-se. Eu que cheguei a dormir só 4 horas por noite para estar com amigos e na festarola, acordava irritadíssima e passava uns dias muito maus para quem tinha de lidar comigo. Houve outras alturas muito chatas, em que não era mesmo possível sair, e eu tinha de ficar em casa, e obviamente ao fim de uns tempos começava a ressacar as saídas e andar triste e depré por me sentir meio ‘orfã’ de amigos.

Por isso é que digo que nunca estamos contentes. O ideal seria dormirmos o tal sono de beleza (nas horas ideais para cada um) para acordarmos bem-dispostos, e depois trabalhar naquilo que nos dá prazer num sítio porreiro com colegas pelo menos simpáticos e se possível perto de casa para demorarmos pouco tempo nas viagens. E ao chegarmos a casa termos planos para fazer alguma daquelas coisas que gostamos muito (sair e tomar um café com amigos ou cinema, ou ler, ou qualquer outra coisa) que não se prolongasse pela noite dentro, para conseguirmos repetir tudo no dia seguinte.

Isto era o que eu gostava que fosse possível para mim. Durmo bem, o meu trabalho é perto e porreiro. Falta só tudo o resto

* pergunta retórica da melhor amiga