Beauty is more than flesh
Acho que os espelhos hoje estão contra mim! É verdade que não tenho ido ao ginásio e nem sei bem porquê – quer dizer, saber até sei, a falta de vontade e de motivação têm sido soberanas e as desculpas esfarrapadas sucedem-se umas às outras – e hoje, como resultado disso, fiquei com sentimentos ambíguos.
Gostei muito de fazer a aula, como sempre (só me acho estúpida por não ir mais vezes ao ginásio, sabendo eu que vou gostar tanto depois de lá estar!!), e suei muitas calorias, mas houve alturas em que olhava para o espelho só para me ver descoordenada e cabisbaixa. O espelho do ginásio teimou em me mostrar uma pessoa que não reconheci. Fiquei com vontade de chorar, porque sei que a culpa é minha.
Tenho sempre a melhor das intenções, mas falho demasiadas vezes na concretização. E estar sozinha também não ajuda. Como o que calha, quando calha. E sei perfeitamente que podia fazer mais por isso, ainda para mais tendo tempo livre. Sei o que comer – verduras, frutas, peixe, carne e laticínios com moderação-, como cozinhar – cozidos, estufados e assados no forno- e quando comer – de 2/2 ou de 3/3 horas no máximo, mas pôr tudo isto em prática é que fica tão difícil…
Também sei muito bem que apesar de lá em casa eu e o maridão não comermos sempre comida saudável, havia refeições a horas relativamente certas e o frigorífico tinha sempre fruta e legumes frescos. Comíamos carne ou peixe regularmente, tentado sempre variar. Aqui nunca me apetece cozinhar e vou comendo vezes demais comida meio rápida, quer dizer, quando cozinho em casa anda sempre tudo dentro do género massa/arroz com mais qualquer coisa, ou então salada do que houver no frigorífico. Resumindo, quase sempre um concentrado de coisas pouco ou nada saudáveis.
Embora também saiba que o meu maior problema nem é tanto às refeições . Também é, mas passa principalmente pela dificuldade que tenho em gerir os intervalos entre as refeições. Desde sempre, em todas as pseudo-dietas que fiz (já li em qualquer lado e subscrevo que 'fazer dieta é fácil....eu já comecei tantas vezes'), que me queixo sempre do mesmo, e ainda assim é o que continua a ser mais difícil. Em Portugal passava horas sem comer, o que não é nada bom para o metabolismo.
Aqui, o meu metabolismo ressente-se com o açúcar. O meu maior pecado por terras alemã é gostar demasiado de me sentar em qualquer lado a beber um cappuccino ou um chocolate quente, que vêm normalmente acompanhados de um qualquer bolo saído diretamente de uma das pastelarias alemãs. (E detesto gostar tanto dos bolos daqui!!)
Também acontece muito vir das aulas e comer qualquer coisa no comboio, normalmente alguma daquelas coisas que já falei acima, cheias de açúcar que me fazem tanto mal, mas que me acalmam os nervos depois das aulas! Teoria da compensação a funcionar em pleno! Quando chego a casa com fome e lancho, acabo por jantar tarde e a más horas, até mesmo para os padrões portugueses. 10 da noite costuma ser a hora normal, o que em termos alimentares é um crime, se bem que só me deite lá para a 1 ou 2 da manhã.
Como hoje fiquei um bocadinho neurótica com a história da aparência, achei que podia ser relaxante ir espreitar as montras. Almocei uma salada e uma pêra, apanhei o comboio e lá fui eu a Bielefeld, que tem uma rua enorme de lojas e lojinhas. Umas conhecidas, outras nem tanto. Tenho agora a certeza que foi uma péssima ideia. Não encontrei quase nada de que gostasse e experimentei umas calças que não me serviram. Se já estava aborrecida, fiquei chateada.
Eu sei que não gosto menos da pessoa que sou por ter uns quilos a mais. Não me sinto mais burra ou menos competente, interessante ou feminina por isso. Não deixo que isso afete a minha vida, nem a alegria com vivo todos os dias, mas há dias em que me culpo por isso – e iria culpar quem?
A desculpa mais frequente é que engordo só com o ar. Pois, lembrando-me eu das bases de química, o ar é um composto de oxigénio com dióxido de carbono, sendo que nenhum deles engorda.
Bem, para prevenir o melhor é mesmo fechar a boca!

