sábado, 17 de setembro de 2011

Semana 15 – Do hoje e do agora. Podiam ser aborrecidos, mas…

i don't know where i'm going, but won't be boringlife is a sequence os moments called now
Since life and experience is a matter of trial-and-error, there’s no need to take choosing – or life itself – too seriously.
Soren Lauritzen

Tentanto e errando, muitas vezes, fazendo muitos erros e aprendendo com eles, ou até continuando a bater com a cabeça na parede até realmente aprender alguma coisa de útil com isso. Costuma ser assim que vou percebendo como é que as coisas se fazem.

Houve uma altura da minha vida em que o que eu queria mais era ter alguém, tipo um guia ou um 'mestre' que me indicasse que caminho escolher e que decisões tomar. Como é óbvio, essa pessoa nunca apareceu e tive de começar a trilhar o meu caminho sozinha, muitas vezes com a ajuda de pessoas que foram aparecendo na minha vida e que me foram dando bons conselhos e agora sei que não seria a pessoa que sou hoje se tivesse tido um tutor a decidir por mim!
Quando chegamos a adultos tomamos consciência de muitas coisas que nos permitem crescer como pessoas, mas que, por mais que queiramos, são intransmissíveis e só com a experiência é que toda a gente lá chega, por isso se os meus pais me tivessem dito o que é ser adulto, tenho a certeza de que não iria usufruir em pleno de todas as experiências e conhecimentos que ganhei.~

Ganho em coisas feitas, sítios visitados, experiências vividas, pessoas conhecidas, dias cheios e uma vida preenchida. Uns anos depois de achar que precisava de ser guiada, tenho a certeza que tenho levado a minha vida da maneira que melhor se adapta a mim. Todas as pessoas que tenho conhecido apareceram na altura certa. E por mais que às vezes pense que tudo corre mal e que há dias em que não me apetece fazer nada, nem ver ninguém, tenho tido sempre vontade de me levantar da cama e quebrar esse ciclo de pensamentos negativos. Olho para trás e vejo que a minha vida tem sido boa. Rica em pessoas e momentos. Bem, muitas vezes as pessoas e os momentos deixam-me sem espaço para pensar. Mas ajudam-me a não errar, ou pelo menos a levantar-me quando caio e também não me deixam levar-me demasiado a sério.

Acho que escrevo mais quando tenho tempo para pensar no que vai acontecendo na minha vida. Desde que regressei da Alemanha tenho andado numa lufa-lufa entre amigos, família, marido, a casa e as gatas e por causa disso tem havido alturas em tenho saído muito e outras em que me parece que não saio de casa. No meio de tanta coisa, o tempo para pensar não tem sido muito, logo o tempo para escrever também não, e coisas com muito sentido ainda menos. Por um lado ainda bem, porque significa que vou vivendo mais e planeando menos. Por outro, não racionalizo e acabo por perder raciocínios e por não organizar as ideias e os planos. Não se pode ter tudo.

Por estes dias, ando a sentir-me com falta de adrenalina. Quero e preciso de sentir que o meu ‘agora’ faz parte de um plano que tracei para a minha vida, coisa que não tem acontecido muito, porque tenho aproveitado o correr dos dias, em vez de traçar grandes planos. Por isto mesmo ando a precisar de receber uma boa notícia que faça o meu mundo começar a girar outra vez a altas rotações. Gosto de ter tempo para estar com as pessoas de quem gosto muito e para fazer coisas que me dão prazer sem horários, mas sinto que o meu tempo livre se está a tornar demasiado. A falta de atividade cansa-me e não é decididamente o que quero para mim. Quero energia, alegria, movimento. Tudo menos aborrecimento!

terça-feira, 26 de julho de 2011

Semana 14 – Os dias da família deviam ser todos os dias!

grandparentsi'm missing my grandparents
Estivesse eu ainda por terras alemãs e a segunda frase podia ser o tema do telefonema para os avós para lhes desejar um dia feliz. Ainda para mais hoje, que é Dia dos Avós. Lembro-me tantas, tantas vezes deles seja porque os visito pouco e devia passar lá mais tempo, seja pelas ausências ‘forçadas’ noutro país, seja porque às vezes me passam pela cabeças coisas que se passaram há vários anos.

Eu adoro os meus avós. Acho que são pessoas espetaculares, que já passaram por muito, mas que continuam sempre com um sorriso quando os netos aparecem para dar um olá e um beijinho. Desde que casei admito que o tempo que passo com eles diminuiu drasticamente e vejo a sombra das saudades nos olhos deles quando apareço.

A minha avó materna vive em casa dos pais desde que o meu avô morreu, há coisa de 15 anos, se não me engano, e em todos os anos em que vivi 24/7 com a minha avó criaram-se hábitos ótimos. Sei que a minha avó gostava e eu, então, adorava tomar o pequeno almoço com ela quando tinha tempo. E mesmo depois de casada quando é possível passo por lá para me sentar com ela à mesa a comer uma fatia de pão com queijo e um caneca de leite com Mokambo. É um cheirinho maravilhoso da minha infância - a repetir em breve. Também me lembro perfeitamente quando a minha avó se mudou para lá e ainda não havia um quarto só para ela. Eu e a minha irmã andávamos ao despique para ver quem é que dava a cama à avó para a avó não dormir na sala. Bem, não era assim uma razão muito altruísta, porque quem dormisse na sala podia ouvir música, estando o sofá-cama ao lado da aparelhagem, mas assim a avó também ficava mais confortável e podia conversar com a neta que estivesse lá no quarto.

Quando a minha irmã foi estudar para o Algarve, passei horas com a minha avó a ver as novelas, que ela me explicava desde o princípio com tanto gosto, que eu comecei a conhecer as personagens todas e não me envergonho nada disso. Diz-se que o tempo com a família deve ser de qualidade, certo? Nos intervalos íamos falando das nossas vidas, dos namorados, das amigas, das coisas da vida, da vida da mana lá pelos algarves, ‘então, a tua irmã vem este fim de semana a casa?’.Foi a minha avó a ajudante oficial das mudanças para a casa nova e é a pessoa que lá vai mais vezes. ‘Ó vó, anda lá, o R. vai trabalhar e nós duas podemos ir passear, vês as novelas na mesma e vais arejar! Sim, podes levar o Nino.’ Estes eram os meus argumentos quando a queria convencer a ir lá dormir a casa. Com as gatas a coisa ficou mais difícil, ela vai mas fica a pensar no cãozinho que deixa nos meus pais.
Com os meus avós paternos a coisa já é um bocadinho diferente. Gosto muito deles na mesma, mas há assim uma ‘embirraçãozinha’ mútua entre a minha mãe e a minha avó. Coisas de nora e de sogra (no meu caso não é nada assim…) que eu e a minha irmã fomos percebendo ao longo do tempo e que não veio beneficiar em nada a nossa adoração pela nossa avó. E quando eram os meus primos que faziam asneiras e eu pagava as favas também não era bonito. Hei de ser sempre a culpada de ter partido a televisão dos meus avós sendo que não tenho culpa nenhuma no assunto. Bem, mas também era fresca e ficou em cacos a mesa de vidro que estava no meio da sala e pela qual a minha avó tinha tanta estima. De todas essas vezes lá veio a minha mãe toda enervada e catrapaz, uma estalada para aprenderes…

Com os anos, comecei a perceber melhor os meus avós e aquilo que achava que era embirração não é mais do que uma estranha maneira de gostar. A minha avó é orgulhosa demais para admitir que a minha mãe é a melhor nora que podia ter e por isso andam as duas sempre às cabeçadas. A minha mãe também não dá o braço a torcer, mas derrete-se-lhe o coração quando o meu avô fala com ela e lhe transmite o orgulho que tem nela e na família que ela e o meu pai construíram.

Não somos uma família disfuncional. Damo-nos lindamente (felizmente muito melhor desde que eu e a mana casámos) e contamos uns com os outros para tudo. Segredos não há e quando há problemas todos sabem. Os meus avós têm opinião para tudo e o meu avô ainda faz valer a sua posição de patriarca apesar dos já muito vividos 80 anos. Sou orgulhosa de muita coisa e os meus avós são uma delas. E só espero ser capaz de construir uma família tão bonita como a nossa. 

E por isso faz-me tanta confusão ler isto. Os meus avós têm tido uma vida dura, mas deram tudo pelos filhos, e tenho a certeza que os idosos que são maltratados também. Filhos e netos ingratos que devem pensar que nunca irão ser velhos. Mas toca a todos e infelizmente sempre se disse '
Espera de teus filhos o que a teus pais fizeres'.

imagens: weheartit.com

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Semana 13 - Ser anónimo…

the city is full of ghostsannonymous in the city
Se estiver sozinha tanto faz ser nesta cidade, na vila onde moro em Portugal, ou num hostel em Berlim. Sou só mais uma anónima no meio dos 7 mil milhões de pessoas que habitam este planeta. Por isso não será assim muito absurdo se eu disser que até gosto disso, pois não?

Cada um de nós é uma gota num oceano imenso de pessoas, mas cada um tem também a sua própria direção, seguindo muitas vezes a corrente arrastada pelo fluxo dos que o rodeiam -  a sua família, os conhecidos, os amigos e outras tantas pessoas que vão aparecendo – só porque normalmente é mais fácil, mais lógico, com menos obstáculos. Mas se cada um fizer valer as suas ideias sem ter em conta nada que possa aprender com os outros, continuará tão só como se estivesse sozinho no mundo.

Estar sozinho não é ser anónimo. Ser anónimo é simplesmente não ser reconhecido por ninguém. É estar só com os os seus pensamentos captando a essência dos locais, sentir a ‘alma’ dos que habitam ou habitaram aquelas ruas, que viveram aquele ambiente, que deixaram uma parte de si por lá, ou que construíram o seu espírito com partes da cidade. Já me senti assim muitas vezes, como se estivesse a absorver a vida de outras pessoas, de outros tempos, outras eras. Sinto que estar sozinha até é uma benesse, porque não me distraio tanto.

Gosto de ser anónima, de passar despercebida, de ser eu no meio de outros. No entanto, esse anonimato acaba por quebrar-se estando algum tempo no mesmo lugar e aí a vida começa a rolar. Quando os desconhecidos começam a tornar-se conhecidos vamos começando a nossa história e deixamos de ser anónimos. Passamos a seguir o nosso caminho menos sozinhos, com gente que gosta de nós e nos vai acompanhando em pedaços do nosso caminho. Os conhecidos passam a ser amigos e vão integrando o o leque de pessoas que também nos transformam e nos criam como pessoas.

E eu sei que gosto muito de pessoas, das suas histórias, de conhecer as suas vidas, os seus fracassos, sucessos, emoções, o que as move e o que é importante para as fazer acordar todos os dias de manhã. Se possível gosto de saber isso ao vivo, ouvir os sons das palavras a serem ditas, e as emoções a aparecerem ao canto da boca e na curvatura das pestanas. Gosto das entoações, das pausas, dos silêncios que dizem tudo e dos olhares embargados ou eufóricos que mesmo sem palavras, falam ao coração. Mesmo que as conversas não sejam comigo.

Quando ando por aí sozinha, se é verdade que normalmente ando metida com os meus pensamentos e de música na cabeça, também gosto quando tiro os phones dos ouvidos. Sabe-me melhor sentir os ruídos da cidade e já tenho ouvido um ‘Hallo’ ocasional de pessoas que me vão reconhecendo. Vou deixando de ser anónima por aqui. Isto aconteceu em 4 meses e só tenho pena que na minha urbanização em Portugal já lá more há quase 3 anos e não haja uma alminha que me diga ‘Olá’ na rua.

Continuo a ser anónima, mas lá já não acho muito coerente. No fim de contas é o meu país e não devia ser só mais uma. E eu não quero viver num sítio em que diga que só lá vou dormir. É a pior maneira de se ser anónimo. É que para além de não se ser reconhecido é nem sequer conseguir reconhecer o sítio onde se vive.

imagens: pinterest.com

domingo, 10 de julho de 2011

Semana 12: Diz-se que a carne é fraca e é verdade…

beauty
Beauty is more than flesh

Acho que os espelhos hoje estão contra mim! É verdade que não tenho ido ao ginásio e nem sei bem porquê – quer dizer, saber até sei, a falta de vontade e de motivação têm sido soberanas e as desculpas esfarrapadas sucedem-se umas às outras – e hoje, como resultado disso, fiquei com sentimentos ambíguos.

Gostei muito de fazer a aula, como sempre (só me acho estúpida por não ir mais vezes ao ginásio, sabendo eu que vou gostar tanto depois de lá estar!!), e suei muitas calorias, mas houve alturas em que olhava para o espelho só para me ver descoordenada e cabisbaixa. O espelho do ginásio teimou em me mostrar uma pessoa que não reconheci. Fiquei com vontade de chorar, porque sei que a culpa é minha.

Tenho sempre a melhor das intenções, mas falho demasiadas vezes na concretização. E estar sozinha também não ajuda. Como o que calha, quando calha. E sei perfeitamente que podia fazer mais por isso, ainda para mais tendo tempo livre. Sei o que comer – verduras, frutas, peixe, carne e laticínios com moderação-, como cozinhar – cozidos, estufados e assados no forno- e quando comer – de 2/2 ou de 3/3 horas no máximo, mas pôr tudo isto em prática é que fica tão difícil…

Também sei muito bem que apesar de lá em casa eu e o maridão não comermos sempre comida saudável, havia refeições a horas relativamente certas e o frigorífico tinha sempre fruta e legumes frescos. Comíamos carne ou peixe regularmente, tentado sempre variar. Aqui nunca me apetece cozinhar e vou comendo vezes demais comida meio rápida, quer dizer, quando cozinho em casa anda sempre tudo dentro do género massa/arroz com mais qualquer coisa, ou então salada do que houver no frigorífico. Resumindo, quase sempre um concentrado de coisas pouco ou nada saudáveis.

Embora também saiba que o meu maior problema nem é tanto às refeições . Também é, mas passa principalmente pela dificuldade que tenho em gerir os intervalos entre as refeições. Desde sempre, em todas as pseudo-dietas  que fiz (já li em qualquer lado e subscrevo que 'fazer dieta é fácil....eu já comecei tantas vezes'), que me queixo sempre do mesmo, e ainda assim é o que continua a ser mais difícil. Em Portugal passava horas sem comer, o que não é nada bom para o metabolismo.

Aqui, o meu metabolismo ressente-se com o açúcar. O meu maior pecado por terras alemã é gostar demasiado de me sentar em qualquer lado a beber um cappuccino ou um chocolate quente, que vêm normalmente acompanhados de um qualquer bolo saído diretamente de uma das pastelarias alemãs. (E detesto gostar tanto dos bolos daqui!!) 

Também acontece muito vir das aulas e comer qualquer coisa no comboio, normalmente alguma daquelas coisas que já falei acima, cheias de açúcar que me fazem tanto mal, mas que me acalmam os nervos depois das aulas! Teoria da compensação a funcionar em pleno! Quando chego a casa com fome e lancho, acabo por jantar tarde e a más horas, até mesmo para os padrões portugueses. 10 da noite costuma ser a hora normal, o que em termos alimentares é um crime, se bem que só me deite lá para a 1 ou 2 da manhã.

Como hoje fiquei um bocadinho neurótica com a história da aparência, achei que podia ser relaxante ir espreitar as montras. Almocei uma salada e uma pêra, apanhei o comboio e lá fui eu a Bielefeld, que tem uma rua enorme de lojas e lojinhas. Umas conhecidas, outras nem tanto. Tenho agora a certeza que foi uma péssima ideia. Não encontrei quase nada de que gostasse e experimentei umas calças que não me serviram. Se já estava aborrecida, fiquei chateada.

Eu sei que não gosto menos da pessoa que sou por ter uns quilos a mais. Não me sinto mais burra ou menos competente, interessante ou feminina por isso. Não deixo que isso afete a minha vida, nem a alegria com vivo todos os dias, mas há dias em que me culpo por isso – e iria culpar quem?

A desculpa mais frequente é que engordo só com o ar. Pois, lembrando-me eu das bases de química, o ar é um composto de oxigénio com dióxido de carbono, sendo que nenhum deles engorda.
Bem, para prevenir o melhor é mesmo fechar a boca!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Semana 11 – Here or there isn’t it the same?

distance in a relationship
via
O dia está lindo e quando acordo assim, com os meus olhos a despertarem para um sol brilhante, apetece-me sempre pegar no telemóvel e ligar a alguma das 'minhas' pessoas, só para dizer: ‘Olá, bom dia. O dia está lindo e é maravilhoso ter-te na minha vida!’ Sounds lame, não é? Pois, eu sei que sim, mas estar a viver à distância deixa-me mais sensível que o costume, embora tente que isso não perturbe demasiado a minha vida.

Há dias em Berlim percebi que devo ser um caso estranho por não ligar para casa todos os dias. Apesar de gostar muito de estar em contato com os que amo não consigo ligar todos os dias, nem quero me liguem. Acabo por achar que muitas vezes só fazemos conversa de circunstância, embora noutras alturas me pareça que sei mais da vida de quem está do outro lado do telefone em 10 minutos de conversa do que quando nos encontramos ao vivo e a cores. A conversa fica mais concentrada e passamos do ‘olá, tudo bem?’ para assuntos realmente importantes, notícias espetaculares ou tristes (obviamente soube via telefone que a minha mana está grávida e que o meu primo se vai casar no próximo ano. Em 2005 também soube a notícia da morte de um familiar e um divórcio) e muitos planos para o futuro.

Acho sinceramente que ligar todos os dias seria um desperdício de dinheiro (malvado roaming…em 2005, a 1ª fatura de telemóvel foi de 600€!!!! acabou-se logo a vontade de falar todos os dias. 1 vez por semana começou a ser mais normal!) e para além disso, se com os meus pais já não falava todos os dias em Portugal (em 2005 ainda vivia lá em casa, por isso a maior preocupação era compreensível), agora que estou longe não vejo qual é a necessidade de mudar isso. Com o marido é que é mais estranho, porque durante 2 anos e meio de casamento (até ao dia 15 de março deste ano)  para além de nos vermos todos os dias, mesmo que muitas vezes fosse só à hora de ir dormir, trocávamos várias mensagens por dia. Tem lógica, uma vida em conjunto pressupõe uma rotina em que ambos temos uma parte essencial. Comigo aqui esse laço quebrou-se.

Claro que ‘falamos’ todos os dias, ou quase, mais que não seja uma mensagem escrita em que dê para eu ir sabendo dos planos que ele vai fazendo sozinho em casa ou com os amigos, assim como vou sempre contando sobre a minha vida aqui. Ficou mais engraçado desde que me veio visitar, porque assim já conhece os sítios de que falo.

E embora falemos com alguma regularidade, é muito mais natural que eu escreva no blogue (ali ao lado como já sabem). É mais fácil para mim, não estou limitada em termos de tempo, porque quando o marido está a trabalhar não podemos falar, obviously, e ainda para mais, permite mais carateres. E nestas coisas das relações à distância, e aqui não falo só de relações amorosas, o Facebook e o Skype também são ferramentas ótimas e sempre não se gasta tanto dinheiro.

Eu não preciso de ouvir a voz dos que amo para saber que estão bem. Se eles estão bem, eu também estou, estando no mesmo país, ou a não sei quantos quilómetros de distância. 
Se bem que às vezes um abraço fosse muito bem vindo!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Semana 10 – Vamos?


As viagens levam-nos onde o coração deixa. O sítio a que chamamos casa pode ser ao virar da esquina ou do outro lado do mundo. De pouco importa quando aquilo que nos define lá está.
Gosto de sair de casa. Stop. Gosto de ficar em hotéis. Stop. Gosto de ir. Stop. Gosto de viajar. Stop. Mas gosto muito de chegar. Stop. A qualquer lado. Stop.

Se isto fosse um telegrama seria o que eu diria. Resumindo, gosto acima de tudo de ir, daquela sensação boa que é ter um objetivo, um destino marcado e saber logo na casa da partida que vai ser divertido.

Viajar é em primeiro lugar os arrepios no estômago quando a viagem está a ser planeada. Aqueles tempos em que ainda reina a indecisão. Vou ou não vou? Vamos ou não vamos? E quando a decisão é sim, os arrepios passam a entusiasmo. E é o entusiasmo que me move quando começo a pensar naquelas coisas importantes para além do destino que já está decidido. Onde é que ficamos? E quantos dias? O que vou visitar? Será que o tempo vai estar bom?

Com todos os pormenores relativamente bem pensados e já ponderados e discutidos, o tempo começa a ser cada vez mais curto, até que chega o dia. Mala no carro ou às costas, conforme o tipo de viagem e agora vamos lá.

Primeiro a viagem – as últimas têm sido longas e cansativas - e  só depois a chegada. Só o alívio da chegada ao hotel – ou ao hostel, no caso desta – é comparável em grandeza ao desejo de ir. Na última ida, 8 horas de autocarro numa viagem chatinha e demorada, mas que podia ter sido pior. Não enjoei, o que, tendo em conta o histórico, já não foi nada mau.

Na chegada ao destino, mesmo que esteja de rastos, fico felicíssima, porque já sei que vou enriquecer um bocadinho mais a minha bagagem cultural, nem que esta viagem seja já uma 2ª visita. Há sempre sítios novos a visitar ou podemos visitar os mesmos, mas iremos com certeza experienciar novas sensações e sentimentos. E é tão bom matar saudades.

E quando acordo pela primeira vez numa cama diferente da do costume, num sítio novo já tenho pensado: ’Caramba, tenho tanta sorte!’ E sei que tenho sorte por poder estar a fazer uma das minhas atividades preferidas, que é sair da minha concha e misturar-me com as pessoas. Ser mais uma a poder dizer: Estive aqui. Fiz parte da vida deste sítio. Saboreei o que é viver aqui. E agora quero mais…

Não um querer egocêntrico, mas aquela vontade de coração aberto, de querer crescer, viver sempre mais, conhecer mais, pertencer a algum sítio, mesmo que esse sítio esteja em vários lugares. E mesmo que o coração comece a ficar muito repartido, em vez de abrir fendas, vai ficando cada vez maior.

E pertencer a algum sítio é pôr-se os pés fora da cama e desejar que o dia corra bem, mesmo que chova, mesmo que esteja um calor abrasador, mesmo que se ande no metro sem pagar bilhete, mesmo que por pouco não se tenha de dormir fora do quarto, mesmo que doam os pés. As coisas menos boas são sempre as que dão as melhores histórias.

Ser viajante é isso. É poder ir onde se quer, ver e conhecer o que é importante, ou então onde os nossos pés nos levam, tirar as fotos da praxe, ou de outros ângulos diferentes ou absurdos.  É perder-se nas distâncias e andar quilómetros a pé só porque não apetece apanhar o próximo transporte. É apanhar 2 molhas no mesmo dia. Estar lá e viver a vida noutro sítio. Deixar a rotina em casa e voltar a não ter horas com prazos de validade.

É simples. É querer e ir. Stop

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Semana 9 - Abster-se não significa que irá melhorar!

vote via

 Abstenção atinge valor recorde na história das legislativas no Público

Não era nada que já não se esperasse, mas ainda assim fiquei surpreendida pela negativa. O valor mais elevado de sempre?! Estando o país em crise profunda a vários níveis, com a troika BCE/Comissão Europeia/ FMI a governar resolver os problemas do país nos próximos anos e depois de tantas manifestações, protestos, críticas e descontentamento, acho que não se justifica isto!!

Eu não votei por razões logísticas. Cheguei cá à Alemanha em meados de Março e com tantas coisas para resolver nem me lembrei disso. Quando comecei a pensar que para votar me deveria recensear aqui, já não podia porque isso deveria ter sido feito até ao dia 6 de Abril. Desde que tenho cartão de eleitora só não votei uma vez e também porque estava aqui na Alemanha na altura.

Se estivesse em Portugal claro que teria ido votar, as usual na escola primária ao lado da minha casa e teria sido menos uma a contribuir para a abstenção. Que para não variar foi a vencedora destas eleições. Apesar de se saber que não há nunca nenhum candidato ideal - e no panorama atual ainda se torna mais difícil que isso aconteça - é sempre mais fácil assobiar para o lado e fingir que não é nada connosco, do que se tomar uma atitude. Mais que não seja para depois se poder reclamar com razão. Eu acho uma falta de respeito e de responsabilidade cívica para com o país (que no fim de contas é composto por todos nós) as pessoas só reclamarem e não fazerem nada para mudar isso. Tenho consciência que muito provavelmente o PSD iria ter mais votos, mas os partidos menos representativos também, o que ajudaria a equilibrar mais as contas.

Pelo menos há unanimidade numa coisa: a demissão do ex-primeiro-ministro da liderança do PS. Admito que noutras eleições votei nele, esperando que fizesse alguma coisa pelo país, visto que seria um rosto menos conhecido e menos permeável aos ‘amiguismos’. Afinal a personalidade e postura arrogantes, nunca admitindo erros e metendo os pés pelas mãos em várias circunstâncias não beneficiaram o país. Com certeza que houve coisas que devem ter sido bem feitas, mas muitas vezes as polémicas abafaram tudo isso.

Fico contente por saber que saiu do poder, mas como diz a Cocó também estou céptica quanto a este primeiro-ministro. No início da campanha parecia uma coisa, mas ao longo do tempo também tem dado calinadas e feito alguns erros. Estou expectante para ver como vai conseguir gerir o país nestas condições, e principalmente para ver se não vai cair nos mesmos erros do PS. E preocupa-me haver um primeiro-ministro e um presidente da República da mesma cor política.

Quanto à abstenção, acredito que com esta percentagem de não-votantes se deveria era começar a refletir sobre o ato de votar como obrigação. A meu ver, a solução, que já não é nova, passaria por instituir o voto obrigatório* e com multa caso não fosse cumprido. Se as pessoas não cumprem os seus direitos, pelos menos assim seria uma democracia mais justa, com mais participação política.

* A prática do voto obrigatório remonta à Grécia Antiga, quando o legislador ateniense Sólon fez aprovar uma lei específica obrigando os cidadãos a escolher um dos partidos, caso não quisessem perder seus direitos de cidadãos. by Wikipedia