domingo, 7 de outubro de 2012

Semana 23 - Tamanho acima

weight realityUm dia destes falava com uma amiga sobre a importância dos tamanhos para o bem-estar das mulher e foi uma lufada de ar fresco ler o artigo da Activa de setembro sobre as modelos XL. Nem todas são somos esqueléticas nem queremos ser, mas parece-me que as lojas de roupa ainda não perceberam isso. Fazem roupa pequena para mulheres que têm a anca larga, peito grande e não vestem o 38 e depois é todo um acumular de frustração ao longo de anos e anos.

Sei que muitas vezes saí do shopping frustrada por não encontrar nada de jeito. Umas vezes a cor, outra o formato, mas na maioria o tamanho. Quase que me sinto obrigada a ser magra por causa das roupas que gosto. Continuo a não gostar muito de ir às compras porque não tenho gostado de nada e acho que é tudo demasiado caro. Dar 30€ por uma camisola acho um absurdo! E se ainda por cima fica justa ou tem um corte que só favorece quem tem menos peito, pior.

fluvia lacerda
É verdade que estou uns quilos mais magra e sinto-me melhor com o meu corpo, mas não deixei de te ter curvas, bastantes por sinal, as ancas continuam bem redondas e o peito também se mantém. Também sei que nunca vou conseguir vestir o 36 nem o 38! E ainda bem!

Só tenho a dizer que não percebo nada de design de roupas, mas acho que seria uma ótima ideia haver lojas em que os tamanhos se adequassem às mulheres reais? Acho que as empresas iam definitivamente ganhar mais dinheiro com isso, já que a maioria das mulheres não se encaixa nos números mais pequenos. 

A Zara tem os tamanhos cada vez mais pequenos e os preços cada vez mais altos, na Stradivarius e na Bershka só até ao L e mesmo assim são pequenos. Vá lá que a Mango tem baixado ligeiramente os preços, mas para quem vista o 44 a oferta não é muita, verdade se diga. Sei que na H&M os tamanhos são grandes e na coleção normal há até ao 46, e depois há a coleção tamanhos grandes que começa no 44 e termina no 60, se não me engano. O problema é que as roupas da coleção plus size não são muito do agrado das pessoas.

Lá porque uma pessoa tem peso a mais não significa que não seja feminina, certo? Vejam-se as fotos da Tara Lynn, candice huffineda Fluvia Lacerda, da Candice Huffine ou da Robyn Lawley, que são a prova provada de que os mulherões existem mesmo!

Bem, esta última ligeiramente mais magra, mas ainda assim veste o 44 e isso não a impediu de fazer uma campanha para a Ralph Lauren e de ser capa de várias revistas, como por exemplo da Vogue italiana ou da Elle francesa. É verdade que antes de a escolher para ser a cara da marca, a Ralph Lauren despediu uma modelo – Filippa Hamilton - por ter excesso de peso e não se coadunar nos parâmetros da marca. Se há coisas que não compreendo, uma delas é esta! Não acho nada mal contratarem uma modelo plus size para as campanhas da marca, só é condenável o terem feito depois de considerarem outra modelo com demasiado peso para as campanhas. Não me faz muito sentido…


size
Já escrevi sobre isto aqui, e continua a parecer-me muito bem que se valorizem as curvas femininas, que são isso que nos transformam naquilo que somos – femininas. Há vários tipos de corpo, obviamente, com mais ou menos curvas e há quem goste mais ou menos de se ver com as curvas que tem, mas a mim parece-me que se nos compararmos com quem é diferente de nós, só servirá para nos sentirmos inferiores. É óbvio que há sempre alguma coisa que podemos mudar no nosso corpo, não fosse o sexo feminino conhecido pela insatisfação natural, mas a comparação não nos torna mais felizes.

Se achamos que ter uns quilos a menos nos vai fazer mais felizes, porque não? Se nos sentimos felizes com os quilos que temos e com todas as bonitas curvas que temos, porque não? Eu acho que cada uma deve ser feliz à sua maneira, porque ser feminina depende principalmente da atitude que se tem para com o corpo que se tem.


É uma atitude confiante que nos torna atraentes, não é a quantidade de curvas. Até porque segundo consta: a curva mais bonita de uma mulher é o sorriso’ e isso é válido para qualquer uma de nós, desde que o sorriso seja confiante e convincente!

Quanto à tal atitude confiante acabei de ler isto: 'O espelho não mostra o que somos, só mostra o que queremos. O que é uma pena, porque às vezes (no peso e noutras coisas mais importantes) somos muito melhores do que o que vemos no espelho e do que pensamos' no blog da Divine Shape e não podia deixar de escrever aqui, porque resumo de uma forma sublime tudo o que quis dizer!
Com banda sonora a condizer e tudo! 

Something 'bout the way the hair falls in your face
I love the shape you take when crawling towards the pillowcase
You tell me where to go and
Though I might leave to find it
I'll never let your head hit the bed
Without my hand behind it


'Your body is a wonderland' John Mayer

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Semana 22 - Setembro ou estação da calma

left behind
blurry days

via

Chega setembro, bem devagar, depois de um agosto terrível. Eu sei que não costumo gostar dos agostos e cada vez mais sinto isso bem cá dentro do peito. Este ano não foi exceção. Felizmente setembro chegou e este ano apareceu ao fim de semana, que é sempre coisa para alegrar uma pessoa.

Sei e sinto que não sou de me queixar. Gosto de andar para a frente enfrentando o que futuro me vai trazendo, mas nos últimos tempos não tem sido fácil e por isso estou tão contente por ter chegado o meu mês. Acordo com mais vontade, com mais ganas de fazer coisas. A letargia vai ficando para trás quando se começam a desenrolar propostas de trabalho e planos para os próximos tempos. É disto que eu gosto em setembro.

Aqui no bairro já se nota algum rebuliço por causa do início das aulas, veem-se mais pessoas na rua, ouve-se mais barulho, arrumam-se as salas e embeleza-se a escola para os novos alunos que aí vêm. Todos os anos há alunos novos que vão construindo o seu futuro entre as paredes de uma escola.
Todos os anos é a mesma adrenalina que me sobe no peito. Durante 18 anos enquanto aluna, adorava o mês de setembro. Voltar à rotina depois de tantos dias de brincadeira, de descanso e de alguma ajuda aos meus pais (pois, porque menina mimada é epíteto que não me assenta!) e voltar a ver os amigos e os professores. Tive a sorte de ter estudado numa boa escola _ pública, como acho que deve ser! –, por isso sinto que esta nostalgia do início do ano vem daí. Agora como professora, como diz a Duchess, também eu faço o balanço dos primeiros dias e das minhas memórias. Já não consigo destrinçar muito bem o meu eu enquanto aluna e a parte da professora, porque tenho aprendido tanto agora deste lado.

E quando chega setembro, a minha vida muda para melhor. Muito melhor. Agosto parece-me uma infinidade de dias sem qualquer história, dias que foi preciso ultrapassar para chegar ao meu mês preferido. Gosto de fazer com que a minha vida valha a pena e todo esse entusiasmo chega em setembro. E não é esta coisa que me foi diagnosticada que me vai mudar os planos.

Sei que para muitos, setembro é só mais um mês que aproxima o fim do ano e o Natal, mas para mim sempre foi especial e sinto que eclipsa todas as coisas menos boas que têm acontecido. No dia 13 de julho, fiz pela primeira vez uma coisa nova – consulta com o neurologista – que me diagnosticou uma depressão reativa, porque estou a reagir a todos os problemas que tenho tido: o fracasso da empresa, a instabilidade profissional (o meu trabalho faz-me feliz, mas é instável. Ainda assim, acho que são melhores os momentos bons do que os menos bons!) e principalmente o acidente. Como é que se ultrapassa uma situação grave, em que não tivemos culpa, mas que causou a morte a uma pessoa? Eu não tenho resposta para isso, embora perceba que em muitos dias foi o trabalho que me permitiu andar de cabeça para cima sem parar para pensar nisso. E o verão e o pouco trabalho trouxeram tudo isso de volta… Por isso vieram os calmantes, os anti-depressivos, que por bons que sejam a longo prazo (que são!) também trouxeram muita letargia, muita necessidade de dormir, muito efeito-zombie, muita apatia nos primeiros tempos.
Agora que finalmente já me sinto eu, começa o meu mês. E eu gosto tanto destes recomeços! Ainda não dei a despedida da praia, mas já não deve faltar muito, já que sinto setembro como mês de criar novos hábitos, novas rotinas, voltar ao ativo a fazer o que gosto tanto. É um mês de calma porque se me acalmam os nervos e a ansiedade de voltar ao trabalho, que está em fase de organização e de estruturação de horários, de conhecer novos alunos e afins. 

Quando chegar a fase da adrenalina com as milhentas coisas para fazer e os muitos sítios para ir, serei mais feliz. Todos os anos é assim! E espero que os setembros continuem a ser especiais!

domingo, 27 de maio de 2012

Semana 21 - Do(s) valor(es) de cada um

to have values
plans for wild life

Os meus pais fizeram 28 anos de casados a meados do mês passado e houve jantar lá em casa. A minha família não é nada dada a grandes convenções sociais e todos preferimos um jantar em família em casa do que no restaurante. Isto significa que estamos mais à vontade, temos direito à lareira acesa e a dois dedos de conversa enquanto dá o Benfica na televisão como barulho de fundo e os meus pais podem jantar com roupa de andar por casa, em vez de terem de se pôr chiques para irmos jantar fora.

Não sei se isto os torna uns ‘bichos’ estranhos por gostarem mais de estar em casa do que de sair, mas é assim que são, por isso há que valorizar o que nos une. Sim, porque eu me sinto cada vez mais assim, também. Sei que muitas vezes gostaria que os meus pais fosses pessoas diferentes, com mais vontade de sair, de conhecer sítios e pessoas, mas depois penso em mim e no que sou e no que eles me ensinaram e agradeço todos os valores que me transmitiram, mesmo que para isso tenham tido uma vida dura e não tenham feito uma vida de passeio, como outras pessoas que conheço.

Escrevi aqui que ando a sentir-me demasiado focada no meu ‘umbigo’ e na minha própria vida para conseguir dedicar o meu tempo a outras coisas igualmente importantes, mas se pensar bem, vejo que afinal não é tanto assim. Continuo a dedicar-me aos Escoteiros*, continuo a ajudar os meus pais – sempre que posso -, ainda penso nos outros e muitas vezes em primeiro lugar – gosto muito de ir passear a pé com a minha sogra, mesmo que às vezes tenha de fazer alguma ginástica em termos de tempo para o conseguir fazer - e continuo a pôr o bem-estar da minha família em primeiro lugar. Olho para os meus pais e vejo que foi isso mesmo que sempre fizeram e é isso que nos torna uma família tão unida. Claro que houve e vai continuar a haver problemas para resolver, mas sinto que ‘o aprender fazendo’ foi bem desenvolvido lá por casa. Muitas vezes da maneira mais difícil, mas é isso que nos faz crescer.

Não estamos sempre juntos e muitas vezes estamos juntos por pouco tempo ou menos vezes do que eu gostaria, mas sei que os valores que os meus pais me transmitiram estão sempre comigo, logo o papel deles na minha vida é perpetuado. Uma das palavras que me surge na cabeça sempre que peno nisto é resiliência. Enfrentar os problemas e voltar a erguer-se de todas as vezes que se cai. É simples de atingir, mas muito duro de realizar. É preciso não se deixar abater, nem deixar de acreditar. As outras são perseverança, honestidade e desprendimento. Não é preciso muito mais.

Eu acredito que a nossa vida é muito mais o que fazemos dela, e é muito mais do que a sorte. A mim parece-me que as circunstâncias de todos os dias se encarregam de nos mostrar que aquilo que nos tornamos é uma combinação feliz dos valores de que somos feitos e dos momentos que os pomos em prática.

Aquilo que somos também transforma a nossa existência e molda a nossa maneira de ver o mundo. No meu ponto de vista o difícil é equilibrarmos a nossa forma de viver com a das pessoas que estão à nossa volta. Se temos experiências de vida diferentes, objetivos variados, formas de pensar diametralmente opostas, há que ser compreensivo o suficiente para não se andar sempre à cabeçada. Sei que a maturidade passa por aí. Por compreender isso e desenvolver a capacidade de encaixe para lidar com as outras pessoas e todas as suas caraterísticas à nossa maneira.

Acho que a maturidade também passa por conseguir que as nossas experiências não nos toldem o raciocínio, nem nos transformem em pessoas com uma visão pequenina do mundo. É isso que acontece quando só o nosso ‘umbigo’ importa. E a Vida tem tanto mais para oferecer…

*Há dias em que me apetece tudo menos preocupar-me com pessoas que não merecem, porque são mesquinhas e tacanhas e têm uma visão das coisas completamente diferente da minha – e o pior é que nem sequer aceitam que podem estar erradas!. Normalmente não embirro com isso, mas no caso, mexe-me com os nervos…

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Semana 20 - Das decisões ou da falta de poder de escolha

girls in library
via
A par do crescimento do desemprego, da agudização da crise em que o país mergulha, aumenta, a cada dia, o número de jovens que abandona o ensino superior por falta de dinheiro.
Já há quem nem chegue a candidatar-se. 

Parte dos que arriscam, está a deixar o ano lectivo a meio.
A reportagem é sobre o abandono escolar no Ensino Superior, coisa em que eu nunca tinha pensado a sério até ter ouvido a apresentação da reportagem como som de fundo na tv. Bem, eu sei que há imensas pessoas que desistem da faculdade por imensos motivos, mas realmente nunca tinha associado isso à crise. No entanto, como primeira análise, parece-me bastante redutor que na reportagem só tenham aparecido os casos dos alunos cujos pais deixaram de ter como pagar as despesas de um curso universitário. Há tantos outras situações que podiam ter sido referidas, mas como sempre, vamos falar da crise e como é um espinho na vida dos cidadãos.
Quem já passou pela vida universitária (e nem sequer estou a considerar estar-se deslocado noutra cidade!) tem a perfeita noção de que se gasta um balúrdio de dinheiro em fotocópias e livros e refeições e transporte, já para não falar das propinas. Sei que os valores chegam a ser assustadores (no ano em que entrei paguei 375€ anuais de propinas e 5 anos depois paguei 1000€!!!), e há bastantes pessoas que são trabalhadores-estudantes para conseguirem ter um pé de meia para os gastos, mas não houve nenhum caso assim retratado na reportagem. No meu caso, só trabalhei no último ano da faculdade e não foi propriamente para pagar as despesas universitárias, mas mesmo assim sempre ajudou a baixar o encargo dos meus pais porque passei a ter dinheiro para as minhas coisas. O meu marido começou a trabalhar em simultâneo com o 2º ano da faculdade e não está nada arrependido e também não foi porque os pais lhe tivessem pedido.
Admito que a minha primeira reação à reportagem foi de pena, ao ver nos olhares de alguns dos jovens entrevistados uma tristeza infinita por não ter possibilidade imediata de concretizarem o sonho de tirarem um curso superior. É verdade que ter um curso é importante, mas não me parece que deva ser o concretizar de um sonho. Deve ser, sim, um meio para atingirmos os nossos sonhos e nos realizarmos como profissionais talentosos e dedicados.
Quando a reportagem terminou senti que estes jovens que estão na universidade precisam mais de rumo do que de dinheiro. Se os pais não os podem ajudar, têm de ser eles a fazer pela vida, coisa que não me parece que muitos estejam habituados! Uma das entrevistadas dizia que lhe custa muito pensar em emigrar, mas a mim parece-me que, nas circunstâncias atuais, isso nem deveria ser um obstáculo. Em Portugal pensa-se sempre muito que os problemas que nos acontecem são catastróficos e vamos andando à volta do rabo, como os gatos, até estarmos ainda mais perdidos e desencorajados, em vez de se pensar que afinal as dificuldades atuais até podem ser um ponto de viragem. Não defendo que devamos todos abandonar o país, mas devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para melhorarmos a nossa própria vida!
Eu não sou a pessoa mais indicada para louvar as vantagens da universidade, porque para mim foi exatamente um meio para atingir a profissão que sempre quis ter, não foi uma época de festas e de diversão e de fazer amigos. Nunca fui de sair à noite, nem de grandes borgas, preferia estar na biblioteca do que no bar, tentava ter os trabalhos prontos a horas e esforçava-me por tirar notas razoáveis, tentava não me baldar. Portanto, como foram 6 anos de trabalho intenso não posso dizer que tenha sido a melhor época da minha vida. 
Foi bom? Sim. Cresci como pessoa? Sim. Melhorou a minha vida? Claro que sim. Deu-me a oportunidade de viver no estrangeiro e de moldar um dos meus sonhos, e só por isso já valeu a pena. Sei que seria uma pessoa diferente se não tivesse estudado ao nível superior, mas nunca é tarde para quem não tem possibilidade agora. Há cada vez mais possibilidades de se ingressar na faculdade sem ser no percurso ‘normal’ ao sair da escola. Não me parece o fim do mundo, mas não deixo de ficar pensativa sobre isto e sinto que é muito triste os pais não poderem ajudar os seus filhos…
No dia 23 foi Dia do Livro e ontem foi Dia da Liberdade, portanto só me ocorre dizer: 'Bolas para a crise que impede os nossos jovens de terem a liberdade de escolher se querem ou não traçar o seu futuro através de um curso superior!’

domingo, 8 de janeiro de 2012

Semana 19 – Balanços e recomeços

christmas tree
via
      “Cheers to a new year and another chance for us to get it right.” Oprah Winfrey
Para o ano que terminou, eu tinha estabelecido algumas metas a cumprir e em maio deitei contas aos primeiros meses e foram mais que positivos. Dezembro chegou e partiu e eu não tive tempo para pensar no que consegui cumprir. Hoje ao desmontar a árvore de Natal estive a pensar em tudo o que me propus e fiquei muito contente porque o balanço não podia ser melhor.

Houve dois acontecimentos muito importantes no ano de 2011 que vão continuar a marcar a minha vida. Fui novamente viver durante uns meses para a Alemanha e soube que a minha irmã gémea vai ser mãe (está quase, quase e eu estou muito entusiasmada com a chegada do pequenito!)

Para além disso, no blogue atingi a marca dos 1000 posts e 81 seguidores. Tentei escrever alguma coisa todos os dias. Tarefa muito facilitada por ter mudado de país. Obviamente que com esta mudança consegui passear e viajar mais. Conheci novas pessoas e muitas coisas novas. Também teve aspetos menos bons, porque obviamente que não consegui passar tempo com a minha família porque não estive em Portugal. No regresso tentei recuperar o tempo perdido com toda a gente, incluindo com as minhas amigas, por isso o mês de agosto também foi um marco na minha vida, com todas  as coisas giras e divertidas que fiz e os sítios novos que conheci. Também consegui manter um ótimo volume de leitura e acrescentei bastantes livros à minha biblioteca de livros lidos, o que se encaixa perfeitamente na minha vontade de continuar a desenvolver o meu hobbie preferido ao longo do tempo.

Em termos profissionais, vou-me sentido muito satisfeita com o rumo que tenho traçado, principalmente porque as melhores coisas não têm sido planeadas, no entanto a tão desejada estabilidade está difícil de aparecer. Tenho trabalhado muito a organização nas várias vertentes da minha vida e sinto-me feliz com tudo o que já consegui melhorar. Sei que muitas vezes pareço um bocadinho ‘estranha’ aos olhos das outras pessoas com tanta organização, mas se consigo gerir a minha vida assim e me sinto produtiva, acho que já encontrei a fórmula certa. A organização também já chegou às limpezas cá de casa e sinto que temos conseguido manter tudo mais arrumado e mais limpo e nem tem sido preciso muito esforço. Só uma melhor gestão. Esta palavra parece-me estar na moda!

Quanto a saúde, contam-se umas constipaçõezitas e fiquei rouca algumas vezes mas nada de grave. Consegui fazer o check up tantas vezes adiado e confirmei que está tudo ok. Também participei numa colheita de sangue e só tenho pena que não tenha sido mais vezes.

No tópico poupanças não houve alterações, infelizmente, porque a palavra crise que soa a toda a hora na televisão e aparece em letras garrafais nos jornais e nas revistas também tem reflexos cá em casa. Trabalha-se a gestão das despesas e tenta-se cortar em tudo o que é supérfluo, mas não é possível poupar. Haja saúde e trabalho que tudo se compõe, como costumo dizer. Felizmente não falta cá em casa nenhuma dessas, por isso é continuar a batalhar.

Para 2012, que tudo se mantenha como estava no final de 2011 e já será um bom ano! Obviamente que havendo um novo ano a recomeçar há tantos tópicos a melhorar, se possível. É só querer!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Semana 18 - Parece que é Natal…

natal = sentimento
I have always thought of Christmas as a good time; a kind, forgiving, generous, pleasant time; a time when men and women seem to open their hearts freely, and so I say, God bless Christmas!  - Charles Dickens
        Sentada à mesa da cozinha a beber um capucino e uma torrada dou por mim a pensar nisto do Natal e percebi que o que gosto mesmo é dos preparativos e da expetativa, porque no fim de contas entre dia 24 e 25 as 48 horas do Natal passam depressa demais. Mesmo assim, há 4 anos que os meus Natais são passados entre famílias, temos dividido bem a conta das horas e conseguimos estar com toda a gente na noite de Natal e no dia 25. Não é preciso muita ginástica para estarmos com aqueles de quem gostamos e que gostam de nós, já que a distância é irrelevante – são poucos quilómetros, mas mesmo que fossem muitos!

        E é bom ver e saber que estão todos bem de saúde e que somos felizes juntos. Sei bem que as nossas famílias têm particularidades que por vezes são difíceis de compreender ou até de aceitar, mas tentamos lidar com isso da melhor forma possível: na minha família liga-se pouco ou nada a presentes, principalmente embrulhados (debaixo da árvore cá de casa este ano não houve um presentinho para contar a história! Bem, a minha irmã deu-me um colar lindo que não consegui deixar de abrir logo na altura. Ups!), mas na família do marido a coisa é levada muito mais a sério e há sempre presentes para toda a gente, mesmo que seja só um miminho. Eu acho piada ao gesto, mas faz-me um bocadinho de confusão porque desde que sou adulta não há o ritual da troca de prendas. A minha mãe dá-me o que eu preciso quando é preciso e não tem de ser no Natal e normalmente são objetos para a casa – este ano foi uma manta para o sofá. Nós fazemos prendas caseiras: doces, bolachas, azeite e sal aromatizados e mistura para panquecas e decoramos com o nosso melhor sorriso, uma fita bonita e já está. Um pouco de nós.

         Nós damos estes miminhos porque já sabemos que vamos receber alguma coisa, mas no meu caso nunca tenho vontade de receber nada – já disse que gosto mais de dar do que de receber? – e só há um presente que me deixa verdadeiramente feliz. Livros! (Claro que não desprezo os presentes que me dão, porque alguns são bastante úteis, mas são isso mesmo, úteis, não felizes!) Sei que todos os anos em que vivi em casa dos meus pais houve sempre este presente em comum e eu e a minha irmã adorávamos.

        Lembro-me perfeitamente de receber alguns livros da Anita – agora estão guardados no sótão à espera que apareça alguma menina na família que demonstre tanto interesse por eles como nós-, livros do Triângulo Jota, Uma Aventura, os Cinco e outros que tais. Mais crescidas, recebíamos dinheiro e quando já tínhamos juntado uma quantia jeitosa íamos à FNAC e nunca vínhamos de lá com menos de 100€ em livros. ‘Romances’, como diz a minha querida avó. E que saudades tenho desses tempos.

       Este ano não recebi livro nenhum…mas parece-me que em janeiro vou aumentar o meu espólio já que tenho uns quantos na minha lista de desejos! São caros, que são, mas eu acho que os livros são sempre um investimento e nunca é dinheiro perdido, por isso é que iniciativas como a Déjà Lu são de louvar.
        Os jornalistas conceituados da nossa praça não servem só para serem opinion makers nem para escreverem livros. Devem também – tarefa até mais importante, segundo o meu ponto de vista – divulgar e promover as boas iniciativas que ainda vão aparecendo com causas nobres, como se pode ver no caso do jornalista Pedro Rolo Duarte que no seu blog discorre sobre o estado de Portugal aos seus olhos, mas também faz referência a boas práticas que se vão fazendo por aí. Umas delas é o blog de leilões de livros que já referi, que aceita ofertas de particulares ou de autores e que depois vende essas obras por um preço simbólico. Eu achei o contexto e o objetivo tão interessantes (o valor integral das obras é entregue à APPT21 – a transferência é feita diretamente para a conta da associação) que não resisti e comprei dois livros do Pedro Rolo Duarte, autografados pelo próprio e tudo, pela módica quantia de 12! A partir daqui faço muitas questões de continuar a contribuir para esta causa. E se vou poder continuar a reforçar o meu stock de livros, tanto melhor!

         Vou continuar a fazer isso ao longo do ano, porque há sempre livros novos que quero ler, ou antigos que nunca li, mas principalmente porque ser solidário não pode ser só no Natal. Sei que as pessoas têm mais tendência para a solidariedade nesta época, porque se sentem mais generosas, mais felizes e com mais esperança como já dizia o senhor Charles Dickens, mas isso não é desculpa para não o serem também ao longo do ano. A nossa ajuda faz sempre falta, seja Natal, Carnaval, Páscoa, verão ou inverno e não é só para as associações. Muitas vezes os nossos amigos ou a nossa família precisam de nós. De nós, do nosso tempo, da nossa disponibilidade e não de presentes. Ou como cantam os Deolinda:

Diz-me lá porque que
tu te lembras de mim
quando chega o natal
porque é que só nesta
quadra é que tu reparas
se eu estou bem ou mal
diz-me lá onde é que paras
o resto do ano
eu preciso mais de ti
do que te vais lembrando
Diz-me lá porque é que tu
não me envias postais
durante o ano inteiro
Diz-me lá porque razão
é que não me dás prendas
sem ter um pretexto
diz-me lá o que te move
uma vez por ano
eu preciso mais de ti do
que te vais lembrando
diz-me lá que gratidão
é que esperas de mim
apenas por um dia
eu que espero um ano
inteiro e que tanto anseio
a tua companhia
hoje reformulo os votos
e o meu desejo
eu preciso mais de ti
do que te vais lembrando
Um feliz natal
não hoje mas um ano inteiro

Deolinda - Quando chega o Natal

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Semana 17 – Carta de motivação

work by steve jobs
via
Cara chefe,
Eu sei que não tenho dedicado muito tempo a pensar nas razões que me levam a trabalhar nestes moldes, e se o fizesse só me perguntaria para quê? Tenho a certeza absoluta de que isto foi sempre o que quis fazer. Percebo perfeitamente o sr. Jobs quando afirma que só se fazendo o que se gosta é que se viverá satisfeito.

Bem, a minha felicidade passa em grande parte por saber que as minhas competências se encaixam entre o ser social e o ser responsável e trabalhador que se empenha o máximo em todas as tarefas. Podia ser a pessoa mais organizada e metódica do mundo (que não sou) e depois não ter a sensibilidade suficiente para lidar com alunos de anos tão diferentes entre si como o 1º ou o 12º, já para não falar na formação.

Gosto deste equilíbrio entre a técnica e os conhecimentos e o desenvolvimento da vertente da comunicação que este trabalho permite. Gosto particularmente de conseguir aplicar na minha vida a máxima perfeita de Confúcio: ‘Choose a job you love, and you’ll never have to work a day in your life’, porque muitas vezes sinto que não devia receber por estar a fazer algo que gosto tanto.

E não deixa de ser verdade que há dias difíceis neste trabalho que escolhi, mas é bom ter a certeza que todos os dias faço o meu melhor para conseguir responder a todas as solicitações dos alunos. Gosto de chegar a casa cansada, mas com a sensação que não havia mais nada que pudesse fazer para que tudo corresse bem. Muitas vezes acontece ter de pensar rápido para conseguir resolver as situações, mas isso faz parte do pacote com que saímos da faculdade. Ou então não, porque me sinto a melhorar todos os dias e não houve ninguém a ensinar-me a pensar rápido na faculdade.

Pensar rápido implica muita coisa, desde ralhetes até improvisar situações novas de aprendizagem, passando por resolver a falta de fotocópias, imaginar flashcards, ter presença de espírito em todas as situações dentro e fora da sala para não haver atitudes demasiado extremas com os alunos e para se manter uma boa relação com os colegas. Pensar rápido também quer dizer não deprimir quando se recebe o ordenado e se percebe que uma parte do que estamos a receber não é nossa.

Não, claro que não nos foi pago dinheiro a mais. É só aquela percentagem que temos de pagar ao estado em descontos, nada de surpreendente, portanto. Felizmente, e por vários motivos, ainda não comecei a pagar isso, mas quando começar espero não me vir a arrepender de ter este regime de trabalho.

Este regime de trabalho tem as vantagens de me permitir ser independente e gerir o próprio tempo. E se na parte de gerir o meu tempo não há problema nenhum, porque todas as atividades que estou a desempenhar estão bem encaixadas no meu horário, o facto de ser independente também é uma mais-valia porque não estou dependente de nenhuma empresa. Posso trabalhar em vários sítios a fazer várias coisas, o que só vai beneficiar o meu currículo. E consigo ter algum tempo para almoçar com a minha família ou às vezes com as amigas. Não há muito tempo livre, mas o que há é bem aproveitado.

Então à primeira vez parece-me que não há nenhuma desvantagem. Ganho mais do que ganharia a trabalhar só numa empresa, tenho um horário de trabalho flexível, não tenho um trabalho monótono nem rotineiro, conheço muitas pessoas e vários métodos de trabalho. Até aqui tudo ótimo. As desvantagens só aparecem no fim. Do mês e dos trimestres.

No fim do mês porque há um sem-fim de recibos para preencher para as várias entidades com que trabalho, o que significa se não tiver trabalhado é claro que não recebo. Não há subsídio de doença que me valha se tiver de ficar em casa por motivo de doença por um período inferior a 30 dias. Se pensar em ter um filho, neste momento já receberia subsídio, nem sei bem em que moldes, mas como também não está previsto não é problemático. E também há o pagamento à Segurança Social que me permitirá receber estes subsídios, caso seja necessário.

No final dos trimestres também há o pagamento do IVA e a retenção na fonte, que representam uma fatia generosa do que recebemos. Percebo que se ganhe mais como trabalhador independente porque as despesas são inúmeras e a organização tem de ser muito maior. Temos de ter um registo apertado para sabermos sempre em que ponto está a situação fiscal para não haver surpresas. Já não basta cada aula ser sempre diferente, apesar de planeada, quanto mais ainda haver surpresas desagradáveis relacionadas com dinheiro.

Obviamente que mesmo tudo somado, adoro o que faço. Sou professora, claro! E não saberia ser outra coisa!