domingo, 27 de maio de 2012

Semana 21 - Do(s) valor(es) de cada um

to have values
plans for wild life

Os meus pais fizeram 28 anos de casados a meados do mês passado e houve jantar lá em casa. A minha família não é nada dada a grandes convenções sociais e todos preferimos um jantar em família em casa do que no restaurante. Isto significa que estamos mais à vontade, temos direito à lareira acesa e a dois dedos de conversa enquanto dá o Benfica na televisão como barulho de fundo e os meus pais podem jantar com roupa de andar por casa, em vez de terem de se pôr chiques para irmos jantar fora.

Não sei se isto os torna uns ‘bichos’ estranhos por gostarem mais de estar em casa do que de sair, mas é assim que são, por isso há que valorizar o que nos une. Sim, porque eu me sinto cada vez mais assim, também. Sei que muitas vezes gostaria que os meus pais fosses pessoas diferentes, com mais vontade de sair, de conhecer sítios e pessoas, mas depois penso em mim e no que sou e no que eles me ensinaram e agradeço todos os valores que me transmitiram, mesmo que para isso tenham tido uma vida dura e não tenham feito uma vida de passeio, como outras pessoas que conheço.

Escrevi aqui que ando a sentir-me demasiado focada no meu ‘umbigo’ e na minha própria vida para conseguir dedicar o meu tempo a outras coisas igualmente importantes, mas se pensar bem, vejo que afinal não é tanto assim. Continuo a dedicar-me aos Escoteiros*, continuo a ajudar os meus pais – sempre que posso -, ainda penso nos outros e muitas vezes em primeiro lugar – gosto muito de ir passear a pé com a minha sogra, mesmo que às vezes tenha de fazer alguma ginástica em termos de tempo para o conseguir fazer - e continuo a pôr o bem-estar da minha família em primeiro lugar. Olho para os meus pais e vejo que foi isso mesmo que sempre fizeram e é isso que nos torna uma família tão unida. Claro que houve e vai continuar a haver problemas para resolver, mas sinto que ‘o aprender fazendo’ foi bem desenvolvido lá por casa. Muitas vezes da maneira mais difícil, mas é isso que nos faz crescer.

Não estamos sempre juntos e muitas vezes estamos juntos por pouco tempo ou menos vezes do que eu gostaria, mas sei que os valores que os meus pais me transmitiram estão sempre comigo, logo o papel deles na minha vida é perpetuado. Uma das palavras que me surge na cabeça sempre que peno nisto é resiliência. Enfrentar os problemas e voltar a erguer-se de todas as vezes que se cai. É simples de atingir, mas muito duro de realizar. É preciso não se deixar abater, nem deixar de acreditar. As outras são perseverança, honestidade e desprendimento. Não é preciso muito mais.

Eu acredito que a nossa vida é muito mais o que fazemos dela, e é muito mais do que a sorte. A mim parece-me que as circunstâncias de todos os dias se encarregam de nos mostrar que aquilo que nos tornamos é uma combinação feliz dos valores de que somos feitos e dos momentos que os pomos em prática.

Aquilo que somos também transforma a nossa existência e molda a nossa maneira de ver o mundo. No meu ponto de vista o difícil é equilibrarmos a nossa forma de viver com a das pessoas que estão à nossa volta. Se temos experiências de vida diferentes, objetivos variados, formas de pensar diametralmente opostas, há que ser compreensivo o suficiente para não se andar sempre à cabeçada. Sei que a maturidade passa por aí. Por compreender isso e desenvolver a capacidade de encaixe para lidar com as outras pessoas e todas as suas caraterísticas à nossa maneira.

Acho que a maturidade também passa por conseguir que as nossas experiências não nos toldem o raciocínio, nem nos transformem em pessoas com uma visão pequenina do mundo. É isso que acontece quando só o nosso ‘umbigo’ importa. E a Vida tem tanto mais para oferecer…

*Há dias em que me apetece tudo menos preocupar-me com pessoas que não merecem, porque são mesquinhas e tacanhas e têm uma visão das coisas completamente diferente da minha – e o pior é que nem sequer aceitam que podem estar erradas!. Normalmente não embirro com isso, mas no caso, mexe-me com os nervos…

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